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sábado, 15 de setembro de 2012 - 14:26Automobilismo brasileiro, Automobilismo internacional

MEIA-DÚZIA DE HORAS (4)

 

SÃO PAULO (aceite-se) – Hoje é sábado e não tem nada muito interessante na cidade. Não tem virada cultural, nem micareta. Não foi feriado ontem, nem será segunda. Não há decisão nenhuma de campeonato de futebol, nem inauguração de shopping. Nenhum grande comício está marcado para lugar algum. Não há previsão de estreia de algum blockbuster no cinema. As Casas Bahia não agendaram nenhuma grande liquidação. Estamos longe do Natal e o movimento da 25 de Março é normal. Não é ano de Copa do Mundo e o Brasil não joga hoje. Não há crise econômica e está todo mundo bem de grana. Não está frio, nem calor. Não chove, não venta, faz sol. O dia está lindo. O trânsito está bom.

Há, em Interlagos, uma corrida de seis horas de duração, que nem é tanto tempo assim. Antigamente, faziam por aqui 12 horas, 24 horas, Mil Milhas varando a noite e a madrugada. No caso da corrida de hoje, serão seis horas sem grandes problemas, num dia ensolarado e gostoso. E, na pista, os carros de corrida mais espetaculares do mundo. Um programão.

E não tem ninguém no autódromo. As fotos acima foram feitas ao final da primeira hora da corrida. Lá no Setor A, as arquibancadas de concreto descobertas, tem um pouquinho mais de gente. Um tiquinho só. Sou especialista em público em eventos esportivos. Rato de estádio, sabem como é? Não tem 3 mil pessoas nas arquibancadas de Interlagos. Com boa vontade, 5 mil contando as pessoas que estão no paddock, como convidados ou tendo pagado ingresso.

Os organizadores dirão que foi um sucesso e que vendeu muito mais. Os discursos serão otimistas e ninguém terá coragem de admitir que o evento, em termos populares, foi um fracasso. Sinceramente? Não me importa quem vai mentir para quem, e quem vai acreditar e fingir que nada está acontecendo. O que estou escrevendo está longe de ser uma crítica aos organizadores. A corrida é uma graça, uma delícia, um encanto. OK, se não tem montanha-russa ou cinema 3D, se as atrações são modestas, se os preços dos souvenirs são absurdos (150 paus um boné é para enfiar o dedo no rabo e rasgar), nada disso pode ser usado como explicação para o público irrelevante. Fez-se o que era possível. E estamos falando de uma corrida de carros. O principal está aqui: grandes carros, grandes pilotos. Um espetáculo maravilhoso. “Ah, não teve divulgação!”, dirá alguém. Ora, ora… Emerson Fittipaldi passou três horas ao vivo no “Esporte Espetacular”, domingo. Foi a todos os programas possíveis da Globo e da Sportv. Deu centenas de entrevistas a jornais, revistas, emissoras de rádio, sites e blogs. Nunca apareceu tanto, como promotor da prova e como protagonista de uma efeméride das mais importantes: os 40 anos do primeiro título mundial do Brasil na F-1, dele mesmo.

O cenário não poderia ser melhor. Emerson falando o tempo todo de sua corrida para milhões de pessoas através da mídia, preços de ingressos razoáveis, grandes atrações na pista, um brasileiro, Lucas di Grassi, escalado para correr na Audi, a favorita à vitória. Dá para explicar por que ninguém veio a Interlagos?

Dá. E a corrida de hoje deve servir como o último pedido de socorro do automobilismo no Brasil. As pessoas que vivem de automobilismo aqui — dirigentes, pilotos, mecânicos, chefes de equipe, autoridades esportivas, jornalistas, promotores, patrocinadores, organizadores — precisam assumir: ninguém mais liga para esta merda.

Não fiquem zangados. É preciso ser humilde, agora. Essa gente toda (incluo-me; portanto não me encham o saco) tem de entender que o tanto que gostamos desse negócio é inversamente proporcional à quantidade de gente que gosta como a gente. O automobilismo, nos últimos anos, cresceu apenas nos custos. E foi se distanciando do gosto popular. Das pessoas. Dos fãs. O automobilismo, hoje, desperta apenas indiferença. Que é o pior dos mundos. Ninguém odeia o automobilismo. As pessoas são apenas indiferentes a ele.

O mundo das corridas é rico. Rico porque quem o pratica precisa gastar muito dinheiro para fazer com que ele exista. Mas é feito por ricos e para ricos. Virou um nicho. E além de exigir muito investimento em equipamento e tecnologia, também precisa de grandes espaços, arenas enormes e caras, de manutenção difícil, quase inviável, e rentabilidade baixa. O mundo do automobilismo é um contra-senso. Ninguém gosta, não atrai público, vive de trocas de favores e de “marketing de relacionamento”, não tem nenhuma importância, movimenta fortunas e depende da boa-vontade do poder público. É difícil acreditar que ainda não tenha sido extinto.

Se uma corrida como essa aqui é incapaz de colocar 20 mil pessoas em Interlagos, é porque, realmente, chegou-se a um ponto-limite. Está na hora de parar para entender o que está acontecendo. Dispensando, por favor, os discursos mais fáceis e óbvios — as pessoas têm mais opções de lazer, a TV a cabo, os parques, os patinetes, as bicicletas, o Domingão do Faustão, o iPad, o smartphone, a putaquepariu.

Não é nada disso. Nada disso. O lazer das pessoas e seus interesses estão em permanente mutação. No período em que o automobilismo foi mais popular no Brasil, estavam surgindo a TV a cores, depois os computadores pessoais, as novas modalidades esportivas, as revistas de mulher pelada, os festivais de rock, a música sertaneja e o caralho a quatro. Concorrência sempre houve entre tudo e todos.

Não é o surgimento de algo específico, sei lá, como o Michel Teló, que explica a morte do automobilismo.

Sim, morte. Porque quando se vê mais ou menos no mesmo momento histórico o fim de um autódromo como Jacarepaguá, a extinção das categorias de base, a irrelevância do kart, a transformação de campeonatos de turismo com enorme variedade de modelos em torneios monomarca fechados ao público, a estiagem de pilotos em categorias de ponta, um de seus maiores jejuns de pódios e vitórias na F-1, a inexistência de ídolos, a pobreza técnica daquela que se imagina a principal categoria do país, é porque este negócio morreu.

O deserto de almas hoje em Interlagos é prova disso. Ninguém deve se contentar com as migalhas. “Ah, vai, até que tinha bastante gente…”, dirá alguém. Não tinha. “Ah, o Setor A estava cheio!”. Não estava. As pessoas precisam parar de se enganar. Assumir que acabou e é preciso começar de novo. Compreender que na origem de tudo está a relação homem-automóvel. O que o carro significava para o jovem antes — liberdade para ir e vir, escolher seus caminhos, viajar, descobrir coisas, trepar no banco de trás, sair rumo ao desconhecido — e o que significa hoje — prisão ambulante, ameaça de assalto, alvo de radares e agentes de trânsito, despesa de estacionamento, IPVA, seguro e gasolina. É preciso ser honesto e, de novo, humilde. Aceitar que o que a gente acha legal demais, para a imensa maioria das pessoas é um nada absoluto. O que era um motivo de orgulho, um objeto de desejo e paixão, é hoje um estorvo.

Esta semana, participei de um negócio chamado Desafio Intermodal em São Paulo. Várias pessoas sairiam às 18h do mesmo ponto, uma praça na Zona Sul da cidade, para ir até a Prefeitura, no Centro. Cada uma de um jeito: correndo a pé, de bicicleta, skate, ônibus, metrô & trem, patins, bicicleta de mão, helicóptero, caminhando, de cadeira-de-rodas, camicleta, muleta, patinete, moto, lombo de jegue e sei lá mais o quê. Eu fui escalado para ir de carro. Cheguei em penúltimo. Cumpri o trajeto em 1h41min. A menina que foi a pé caminhando chegou um minuto depois. Ganhou o cara do helicóptero, com 22 minutos. A bicicleta chegou logo depois.

Errei uma saída, me fodi no trânsito, poderia ter chegado em mais ou menos 1h15min se escolhesse um caminho convencional, mas tentei fugir dos congestionamentos e tomei na tarraqueta. Foda-se, não era uma corrida, não queria ganhar de ninguém, e jamais seria burro o bastante para ir de carro ao centro da cidade naquele horário. Fiz apenas para participar daquele negócio, me pediram. Mas notei, quando me apresentei à chefia para registrar meu tempo, que todos os ciclistas, skatistas, patinadores, corredores, andarilhos, cadeirantes, peregrinos, amputados, aviadores, eunucos e eco-malas em geral olhavam para mim como se eu fosse o maior otário do planeta. Riam com nojo e desprezo e me miravam como se estivessem diante de um bobo-da-corte abjeto e decadente. Notei que aquela molecada toda me tinha por uma peça de museu empoeirada cheia de ácaros, hostil ao meio-ambiente, um vilão purulento, um pária, responsável pela destruição da camada de ozônio, o inimigo número 1 dos micos-leões, das ariranhas, das capivaras e das formigas-de-rabo-vermelho. Caguei para as formigas, quero que pegue fogo no rabo delas, e por mim as capivaras podem, todas juntas, ir à puta que pariu junto com as ariranhas, os pandas, os gnus e os gatos persas.

Tive ganas de subir num caixote e desafiar todos eles a alinharem comigo com suas bicicletas de titânio do caralho, ou com seus patins da puta que o pariu, ou com seus tênis Nike com amortecedor para ver se seriam capazes de chegar na frente do meu carro, qualquer carro meu, numa competição direta e reta numa pista de verdade. Pensei em perguntar àqueles babacas todos se quando eles vão para Maresias encher a cara de vodca com energético na balada, ou para Brotas descer uma corredeira e fumar maconha, vão a pé, de bicicleta, asa-delta ou de patinetes. Se podem abrir mão do carro em suas vidas. Se deixariam o conforto do ar-condicionado e do motor a explosão que os move para descer a serra de skate.

Mas é o mesmo sentimento que a molecada tinha em relação a mim. A garota que chegou a pé um minuto depois do meu carro estava puta e inconformada, queria ter ganhado de mim, queria que meu carro perdesse de todo mundo, fosse humilhado e esmagado. Ela tinha pelo meu carro o mesmo desprezo que eu tenho pelas ararinhas azuis e pelas trilhas no meio do mato, queria que eu e todos meus carros fôssemos à puta que pariu. Eu era, para ela, o passado e o culpado pelo fato de o planeta ao qual ela chegou vinte anos depois de minha simpática e doce pessoa ser uma latrina. Bem, eu quero que ela se foda, se a menina acha legal andar 15 km a pé no meio da cidade para ir de um ponto a outro, que ande. O mesmo ela deve pensar de mim, se esse babaca quer poluir o ar com seu monte de lata velha e ficar uma hora e meia parado no trânsito respirando gás carbônico e correndo o risco de ser assaltado, que fique.

Ocorre que aos olhos dela e de muita gente, ela é o futuro. Eu, o passado. Ela, a vítima. Eu, o culpado.

É isso, meninos e meninas. Nós, que gostamos de carros, somos os atuais culpados. É preciso começar a discutir a morte do automobilismo a partir daí, da vilania à qual o automóvel foi relegado. Compreender o que está acontecendo e pensar no que pode ser feito.

300 comentários

  1. Eduardo Mrack disse:

    Antes de mais nada, um gado, sim o bicho, gado, boi, rês, vaca, puta que o pariu, polui por DOIS automóveis, e polui 24 HORAS POR DIA. Mais interessante, é que, temos no Brasil, mais gado do que gente, para ter gado, tem q derrubar a floresta, gado não vive na floresta. Bem, carros poluem SIM, assim como sua TV, seu computador, sua geladeira e sua comida. O maior problema em carros, ocorreu até a década de 70, onde as refinarias de petróleo adicionavam chumbo a gasolina, pois tinham preguiça de procurar meios para diminuir a detonação de seus péssimos combustíveis. 30 anos de gasolina com chumbo poluíram mais do que 3000 anos da gasolina de hoje.

    E tem outra, só quem já andou de V8 com quadrijet, ouviu a sinfonia de um 6 em linha com escapamento tubular, ou deixou para trás uma mercedes num chevette turbo, entende o significado da palavra CARRO.

  2. Vibora da noite disse:

    Excelente texto. Se pudesse resumir, ou melhor, escrever uma manchete para a “reportagem” (dando esta identidade e licença poética à coluna) sem entrar no tema da ecologia, seria mais ou menos assim: “Ayrton Senna da Silva morre e assassina o automobilismo brasileiro”. Quando se tem um ídolo (quero deixar claro que para mim o cara era um gênio) que acaba virando mártir (por ser o defensor do orgulho – reprimido – brasileiro), usado como ferramenta de marketing em um país carente e ignorante em um esporte de elite, tudo vira inacessivel. É dizer, nao teve outro, nada se iguala, perdeu a graca… Jesus nao volta nessa encarnacao. A cultura de automobilismo que comecou a amadurecer com Senna, morreu junto com ele. Desde entao a historia do automobilismo brasileiro é a cronica de uma morte anunciada. O GP Brasil só existe ainda pq é a hora do circo ir ao puteiro. Sabe aonde esta o automobilismo brasileiro hj? Nas arrancadas. Se tiverem coragem, passem em interlagos em uma noite de arrancada, verão do que estou falando. Fodeu, mas poderia ser pior.

  3. Valdir Gonçalves disse:

    Olá Flávio, tudo bem?

    Confesso que não entendi na íntegra seus comentários e digo isso apenas por mim.
    Não entendo muito, quase nada mesmo, de automobilismo. É uma categoria que nunca tive muita proximidade e acesso, sendo assim, não posso comentar a respeito.
    Sou o cadeirante que participou do Desafio Intermodal com vc. Não sou ativista, não sou partidário e não vim aqui deixar nenhum comentário agressivo, até porque acredito muito na liberdade de expressão e creio que devemos exercê-la sempre.
    Somente gostaria de deixar claro que, se nos falamos, apenas e mal nos cumprimentamos, aliás, não conhecia ninguém ali.
    Fui convidado, assim como você, a participar do evento representando uma categoria, pois participo de corridas adaptadas para pessoas com deficiência na modalidade handcycle, ou bicicleta de mão, como você disse.
    Somente agora, vendo sua foto lembrei-me de você, não sabia, fora os que estavam óbvios, quais eram os modais de cada um, mas lamento que você tenha tido essa impressão do evento e dos demais participantes.
    Sim, ouvi comentários, acho que os mesmos que você, sobre o carro não ter chegado, o carro isso, o carro aquilo. Eu mesmo fiz um comentário, mas mais de admiração, por ter chegado antes de você, pois utilizo e praticamente dependo do carro, sendo que é quase impossível deslocar-se na cidade, grandes distâncias, sem ele, ainda mais numa cadeira de rodas e em horários de grande movimentação de pessoas.
    Minha impressão e o que pude compreender, até pela repercussão, é que o ato foi uma maneira de chamar a atenção, dos governantes e também da sociedade, para o fato de precisarmos de meios mais eficientes de locomoção e, a partir dai, termos reais escolhas e decidirmos se queremos ir de carro, bike, jegue ou o que quer que seja.
    No meu caso, sim, se houvesse condições, vias e segurança, talvez até optasse por fazer alguns pequenos trajetos com a bike, levando a cadeira acoplada, mas hoje isso é inviável. Muita gente pensa assim também e acho que é esse o alerta e o foco da ação, dar possibilidades, mas com segurança.
    Como participante, acho que seria bastante válido você compartilhar essas impressões com os organizadores. Não era mesmo uma disputa, muito menos uma inquisição ou uma prova de que o carro é o vilão, o pior dos piores, até porque, não é.
    Acho, como cidadão e motorista, que ações assim são sempre favoráveis a todos e, por poder falar apenas por mim, caso tenha ficado algum mal entendio, fica aqui o meu pedido de desculpas.

    • Flavio Gomes disse:

      Valdir, ninguém tem de me pedir desculpas de nada. Apenas descrevi o que observei ao final do evento. E não se espante com minha forma de escrever. Quem me lê com frequência sabe como me expresso. Abraços.

  4. Beto63 disse:

    Aos ecochatos, vale lembrar que os dois principais carros estavam equipados com tecnologia hibrida elétrica+combustão que é o que viável atualmente. E para aqueles que acham que carro elétrico é a solução me respondam, a eletricidade dos carros vai vir de onde: da termoelétrica que queima combustível fóssil ou da nuclear que geral um passivo monstruoso, ou da hidroelétrica que alaga centenas de km² de floresta? Bateria não carrega sozinha…

  5. Beto63 disse:

    Flávio,
    Concordo em parte, pois a imagem das arquibancadas podem dar uma falsa impressão.
    Estive lá, e após a primeira hora muita gente estava se entretendo com as demais atrações que haviam e estavam fora das arquibancadas. Eu mesmo fiquei a maior parte do tempo fora delas.
    Mas você tem razão, o público não era grande coisa, mas maior do que muito jogo do campeonato brasileiro.
    O bacana é que há uma clara intenção dos organizadores em aproximar o público dos protagonistas , que são os carros e pilotos com a visita aos boxes, algo impensável na F1.
    Com uma divulgação melhor pode ter um público maior pois os preços foram muito mais acessíveis que na F1. Quem gosta de corrida vai até em ladeira abaixo de carrinho de rolimã.
    Forte abraço!

  6. Diego disse:

    Esse povo precisa é parar de ser hipócrita, isso sim. Fazer passeata em ‘prol do planeta’ e querer tornar o uso do carro como vilão contemporâneo é um ato público da hipocrisia em que todo mundo tá se enfiando hoje em dia. Tá ficando chato toda essa parafernália midiática, feito só pra industrias encherem mais e mais seus bolsos com novas tecnologias “eco respect”. Ao invés disso aí, deveriam fazer nas urnas alguma diferença, por mais que hajam poucas opções.

    No mais Flávio, sou seu fã, e mitou em mais um post. É bom saber que certos jornalistas possuem opinião própria e não manipulada, e o ‘bom-mocismo’ hipócrita não impera.

  7. Carla disse:

    Falando em morte da cultura automotiva: lacraram o Museu do automóvel de Brasília! Irão usar a área ocupada pelo museu para abrigar um arquivo morto!

    Mais informações aqui: http://maharpress.blogspot.com.br/2012/09/ajude-salvar-o-museu-do-automovel-de.html

    É uma vergonha fecharem um museu para abrigar papel de um órgão que não existem mais!

  8. Fernando Savini disse:

    O Flavio está 100 % correto, e quem retrucou é falso moralista que não entende nada de corrida, eu frequento interlagos desde os meus 8 anos de idade, estou com 36, e já assisti corridas lotadas e vazias, da arquibancada, de dentro dos boxes, do muro da reta de chegada, da Torre , do Heliponto, de cima da ponte no final da reta quando era de metal e placas de madeira, do paddock e ate de dentro da pista na grama quando isso ainda era possivel, ja pilotei no kartodormo e no autodromo de Interlagos, então me permito expressar meu ponto de vista. O problema entre outros é que o ano inteiro não tem divulgação, todo o ano mudam as categorias, e cada dia fica mais burocratico assistir pessoalmente, como exemplo, fui na Formula Truck esse ano e mesmo querendo pagar para entrar no estacionamento da entrada principal, não pude, fui obrigado a dar a maior volta e parar na entrada la perto do começo da reta dos boxes, se fosse parar na rua era R$ 50,00. Eu tinha convite para ficar na arquibancada coberta em frente aos boxes, onde a visão do resto da pista é restrita, tinham telões enormes nos boxes, mas que passaram propaganda em 100% do tempo ao inves de mostrar a corrida que passava ao vivo pela Band. A burocracia para se mudar de arquibancada hoje em dia é total. No começo do ano assisti à Itaipava GT e Mercedes Challenge, estava um calor infernal o concreto da arquibancada queimava a bunda, mas não se podia ficar na arquibancada coberta em frente à largada, novissima, estava fechada com fita sabe-se la porque ,e o “delicioso” refrigerante Schin Cola em tamanho micro era vendido a R$ 10,00. A verdade é que, os caras fazem de tudo para dificultar, para que as pessoas não frequentem dai quando tem um evento de ponta com midia, quem passou por isso não se anima mais para ir, é uma bola de neve que aumenta ano a ano. O canal Speed que seria uma pseudo-salvação preferiram substituir pelo Fox Sports que só passa futebol , o mesmo jogo que os 100 outros canais. Jacarepagua foi assassinado. E ainda para ajudar o fato de não ter um brasileiro na ponta na F1 e na FIndy, faz com que o esporte a motor não esteja mais na “moda” e só realmente os entusiastas viciados como nós acompanhem.

  9. Márcio Haddad disse:

    O post é antigo, nem sei se alguém irá notar, mas acabo de ver isto na Uol.

    http://esporte.uol.com.br/top5/com-massa-e-alonso-relembre-cinco-entregadas-de-pilotos-brasileiros-na-ferrari.jhtm

    É por culpa desses caras que ao invés de ajudar a promover o esporte, criticam e do nada ficam relembrando momentos ruins/dúbios das corridas de automóvel.

  10. Gabriel Scatolin disse:

    Concordo que as pessoas não gostem de carros como antigamente. Mas grande parte da culpa, exatamente, CULPA, do autodromo estar vazio, é da organização.
    Tenho 21 anos, sou fanatico por automobilismo, moro do lado do autodromo, e não se viu em nenhum lugar, nenhum mesmo, radio, TV, panfleto, carro de som, qualquer coisa, que haveria as 6h este FDS.
    Como pode uma cidade organizar um evento como este, e simplesmente não divulgar.Só me dei conta que a corrida estava acontecendo, quando os motores começaram a roncar.
    Isso é um absurdo! Organização ridicula !

    • Fernando Savini disse:

      Caro Gabriel, me permita discordar, a não divulgação acontece nas outras categorias, mas nesse caso o Emerson apareceu realmente em todos os programas de radio e televisão, facebook, etc., tinha ate um dos carros em exposição em destaque no Shopping JK, com uma exposição de fotos, até minha namorada que não entende de corrida acabou atraves de alguma midia sabendo do evento. Agora assim como o Flavio, não sei o que pode ser feito para reverter essa situação.

  11. Marcelo Veiga disse:

    Que argumentação mais convarde. Você tem umas idéias boas mas ficar xingando a todos não dá.
    Sim, convarde, pois devia ter falado tudo que disse para eles na hora.
    Ficar aí do seu notebook, fumando sua maconha, escrevendo isso…

  12. Vinicius Rodrigues disse:

    Não li a primeira parte do post, realmente não me interesso, como parece que foi a informação que você quis passar, sobre automobilismo no Brasil.

    Em relação ao intermodal, realmente, estava uma piada, todo muindo se divertiu as custas do pobre carro. Mas como o negócio é pra ver o deslocamento na cidade, não sei o quanto seria válido alinhar o carro, helicóptero, cadeira da rodas, muleta, andador ou bebê engatinhando numa reta livre, já que isso não existe nem de madrugada em SP.

    No mais, uso a bicicleta não pra salvar o mundo, não porque é moda. Uso por um motivo muito mais egoísta. Uso porque quem usa o carro no horário de pico pra ir ao centro, como você disse na entrevista à ESPN, só pode ser burro, porque é um trânsito animal (concluí-se que temos milhares de burros?). Uso porque não quero morrer no sedentarismo. Uso porque o transporte público é péssimo. Enfim, uso pra trazer ganhos pra mim apenas.

    E como a Falzoni disse no início da matéria. Ninguém é contra usar o carro, mas usar de forma consciente.
    Pra ir pra praia, pra casa do tio Nérso ou pra putaqueopariu é claro que há o melhor transporte, o carro. Pra ir daqui até ali no horário de pico, também tem o melhor, e não é a, nas palavras de Tolkien, máquina de combustão maldita.

    No mais, vou procurar algum texto seu sobre F1, acho que será uma leitura mais proveitosa. F1 é legal.

  13. Paulo Guedes disse:

    Flavio, fui piloto (mediocre) nos anos 80, meu filho correu kart e fórmula (bem melhor do que eu), porem as diferenças explicam parte do que acontece com o automobilismo no Brasil. Nos anos 80, construi meu próprio Fórmula Fiat (estuva Engª e tinha acesso a estrtura necessária para isso) durante dois anos, era o mecanico piloto, transportador e tudo o mais. Consegui correr com poucos recursos, coisa que hoje seria inimaginável. Compare com o futebol e veja quantos entre os que admiram o automobilismo poderiam pensar em seguir tal carreira???? Praticamente ninguem. O automobilismo está elitizado, virou um defile de exibicionistas e estrelinhas que querem aparecer na televisão e talento que é bom, merda nenhuma. Veja o KART, algun arremedo de piloto prepara seus equipamentos??? Não, todos dos 6 aos 16 anos tem estruturas para não se sujarem e apenas sentarem e guiarem, como os papais querem. O resultado é o que vimos em Interlagos, eu estava lá e não acredito em 3.000 pessoas. Enquanto não se criar novamente identificação com o publico e possibilidade para esse publico de poder tentar participar, vamos encolher e deixar de existir. Não fosse o bastante, divulgar não é apenas estar presente em programas de TV da ridicula rede globo (assim mesmo, com letras minusculas) mas faltou promover o evento. Talvez devessem buscar o apoio da esposa do falecido Aurélio Félix que sabe falar a linguagem popular e teria feito bem melhor. O Emerson é um personagem ilusre do automobilismo brasileiro mas o que foi feito não foi promover nem divulgar o evento, foi meio que propaganda eleitoral em horários e midias que ninguem dá a menor. A solução é simples, basta os dirigentes do automobilismo pararem de pensar em encher o rabo de dinheiro e pensarem no futuro do esporte, simplificando regulamentos e reduzindo custos das categorias de base e deixando o “top” para as estrelinhas frustadas por não terem obtido sucesso nas categorias internacionais. Voces ligados a imprenssa podem fazer a pressão necessária para se mudar esta situação antes que as luzes se apaguem.
    QUANTO AOS ECÓLOGICAMENTE CORRETOS, SÓ ACREDITAREI QUE ELES ESTÃO CERTOS QUANDO NÃO TRANSPORTAREM MAIS SUAS BICICLETAS, PRANCHAS ETC… AMARRADOS SOBRE OS TETOS DE SEUS AUTOMOVEIS, QUE SEGUNDO CIENTISTAS MAIS SÉRIOS, NÃO SÃO OS MAIORES RESPONSÁVEIS PELA POLUIÇÃO DA ATMOSFERA COMO TENTARAM NOS FAZER CRER. ALIAS, DEVEMOS SIM AGRADECER AOS IMBECIS DE PLANTÃO PELA EVOLUÇÃO DOS AUTOMÓVEIS NESSE SENTIDO, SENÃO NO BRASIL, NO 1ª MUNDO COM CERTEZA.

  14. Eduardo disse:

    Flávio Gomes, ótimo texto, com trechos com seriedade e também com humor, mas vejo que comentários infelizes dos leitores… o pessoal mistura automobilismo esportivo com automóvel transporte, mobilidade urbana.

    Automobilismo está enfraquecido… realmente não se porquê. Sempre gostei de carros e de velocidade, mas particularmente fui perdendo a vontade no ano passado por conta da F1, que estava muito desanimadora, previsível demais… e aí fui deixando de acompanhar uma modalidade, deixei todas. Cheguei a ir em Interlagos na Stock Car em novembro, mas também me parece que a modalidade está enfraquecida, bem previsível os resultados e dá a impressão clara de ter “algo por trás dos panos”…

    Agora quanto ao automóvel transporte, quanto a mobilidade urbana para São Paulo… dou o exemplo dos alemães: são exímios construtores de automóveis (VW, Audi, Porsche, Mercedes-Benz), e pesquise sobre os meios de transporte mais utilizados em Berlin. Lá estarão a bicicleta e então metrô/trem.
    É indiscutível que o automóvel é um ótimo transporte e é muito bom dirigir, mas é um péssimo meio de transporte para a cidade…
    Tanto na Alemanha, quanto outros lugares da Europa (e cidades dos EUA também estão indo na mesma linha), as pessoas tem usado no dia-a-dia transporte público e bicicleta, e o carro é para lazer, final de semana, viajar.
    Há certos equívocos nos comentários… obviamente em emergências para levar alguém ao hospital e para ir ao mercado, iremos de carro.
    Mas observe ao redor no congestionamento indo/voltando do trabalho: você verá uma pessoa por carro em sua maioria. Pessoas que poderiam utilizar transporte público ou bicicleta, mas preferiram o conforto do carro… e o carro como “transporte individual” está desgastando demais as cidades.

    • Carla disse:

      Eduardo, vc tem razão sobre carro não ser a melhor escolha para o transporte urbano diário, mas diferente do governo alemão o nosso não investe em transporte de massa de qualidade.

      O RJ mesmo só tem 2 linhas de metrô, que ligam meia dúzia de bairros, e, assim como os trens aqui, não conseguem funcionar num intervalo regular. Digo q se o metrô daqui usasse o intervalo do metrô de SP ñ teríamos vagões cheios, mas como fiscalizar quando a esposa do governador é advogada do metrô rio e da supervia? Não há ação na justiça que tenha efeito contra essas duas empresas.

      Eu muitas vezes preferi gastar 5x mais dinheiro indo de carro do que demorar o dobro do tempo feito uma sardinha pra chegar no trabalho.

      A solução ñ é encher o mundo de bicicletas, como muitos ecochatos dizem, mas sim um transporte público coletivo de qualidade.

      abraços.

  15. Glauber disse:

    Se o seu carro fosse elétrico todo mundo queria ele como campeão!

  16. Joao Dimaz disse:

    Flavio, outro dia teve uma reportagem na UOL (ou no lance…tanto faz) q mostrava q o publico de futebol no brasilerao é menor do q campeonato belga (algo assim)… se no futebol q é a “paixao nacional” só uma final de libertadores ou brasileirao pra ter mais de 20 mil num estadio querer isso me corrida de carro eh loucura… só se o ingresso fosse ˜10 real” e com dogao por cincao…

  17. Artur Craft disse:

    E a mentira na Estoque da Globo? O Sérgio Mauricio repassou a informação oficial de 30 mil ingressos vendidos. Eles acham que somos trouxas?

    As arquibancadas estavam cheias mas isso pq ali só cabem uns 7 mil e olhe lá.

    Exagerando muito, tinha umas 10 mil pessoas em Cascavel e eles aumentaram pra 30 mil, é brincadeira.

    Critique mais essa Flávio, paladino da verdade. Meu herói!!!!!

  18. flavio splatter disse:

    Triste comentário! Um cara inteligente como tu, cai numa argumentação medíocre. Tinha respeito por ti desde a época da Jovem pam 640, infelizmente depois dessa irei repensar esse conceito que tinha por tí…

  19. Ricardo disse:

    Olá Flavio, primeiramente gostaria de parabenizar pelo excelente texto.
    Estou cursando o terceiro ano de engenharia mecanica. Por que eu escolhi esse curso? Carros.
    Sempre fui apaixonado por carros e essa paixão aumentou com o passar dos anos, aumentou a ponto de minha realização profissional ser ao lado disso, trabalhando com a mesma coisa que eu brincava quando garoto, carros.
    Quando fui tirar carteira de motorista, me sentia diferente dos demais. Todo mundo queria ter a carteira para ir e voltar a hora que quisesse, eu queria dirigir. E descobri o quão prazeroso é o ato de dirigir ( convenhamos que encontrar esse prazer é mais facil quando se mora no interior de são paulo ).
    Eu simplesmente quero que se foda todas as pessoas que preferem andar de bicicleta, a pé ou de quatro pra salvar o meio ambiente, pra aliviar o transito. Podem considerar carros a pior coisa ja inventada pelo homem, eu continuarei amando-os independente do que os outros pensem.

    Abraço

  20. Nelson Storani Jr disse:

    Olá, Flavio. Cheguei aqui no Blog pela coluna do Fábio Seixas.

    Realmente, o automobilismo está cada vez mais caindo no esquecimento, ou ganhando inimigos. A modinha do politicamente correto está em alta. Hj em dia o “cool” é andar de bicicleta, ter a corrida (a pé) como esporte e colocar defeito no “incomum”.
    Respeito a opinião e estilo de vida do amigo Leonardo que não depende de carro, mas acho que não funciona pra mim. Como vou ao mercado de ônibus, fazer compra para 4 pessoas? Como vou acomodar quase 30 Quilos de comida no ônibus? “ah… não precisa comprar tudo isso… compra aos poucos…” Não tem como… se comprar aos poucos sai o dobro do preço. Como vou levar um filho no hospital, em uma emergência, em plena madrugada? Talvez o amigo, ao citar interior, tenha se referido a cidades minúsculas onde, realmente, não se tem transporte público. Morei em Campinas, interiorrrr (com muitos R no final), e o transito lá já é complicado, mas ônibus é caótico. Lotados, perigosos, arrebentados e sempre fora do horário. Metrô não existe pois o grande fluxo fica no centro e fazer uma linha de 2Km, andando em circulo, é jogar dinheiro fora. Bicicleta??… esquece!!! Campinas, por exemplo, é só morro, barranco, pirambeiras e, raramente, plano. Taxi… peça para um taxista te levar a uma distância de 3km…. ele manda vc descer do carro. Taxista não faz viagem curta!!! “Então vai a pé…” … imagine uma pessoa, as 10 horas da noite, voltando do trabalho, andando sozinha nas inúmeras ruas escuras e desertas da cidade??? Andar pode parecer solução numa manhã de sábado, no Ibirapuera, com roupa adequada e uma barraquinha de suco esperando logo a frente. Hj deve estar uns 35 graus e tenho pena de quem escolheu ir andando a qualquer lugar, mesmo sendo à 500 metros de distância.
    Não vou nem colocar a chuva na história… ou alguém não teria problema em chegar molhado no trabalho?!?
    Voltando ao esporte mais bonito do mundo, sinto saudade do tempo em que se falava de F1 nos bares, do tempo que as mulheres falavam que conversa de homem era sobre carro, mulher e futebol. Hj os homens não falam mais de carro. Me sinto um bobo quando, ao ouvir um ronco conhecido, paro a conversa e digo “ó… uma 7 galo”. Os hominhos moderninhos de hj nem sabem o que é uma 7 galo, por exemplo. Vivem num mundinho virtual, sem ronco de motores e adrenalina nas veias.
    Mas não tem problema… enquanto caço na multidão um ser dígno para conversar sobre automobilismo, deixo os franguinhos conversar sobre o “cupcake divííííno” que comeram.
    Flavio, abraços e estarei sempre por aqui.

    • Carla disse:

      Nelson, A moda agora é homem falar de futebol, MMA e mulher…rs… E não se espante se ao dizer “7 galo” vc escutar como resposta “7 belo?”…rs

      Como um amigo disse outro dia: “existe uma inversão de papéis… atualmente os pôneis são malditos e os vampiram brilham”…rs….

  21. João disse:

    Prezado, você desafiaria o cara do helicóptero na competição direta e reta também? Saudações.

  22. Marcelo disse:

    Triste. mimimi blablabla

  23. JALUSA disse:

    FG,
    Enquanto o automobilismo estiver na mão de filhos da puta que só pensam no seu benefício próprio em detrimento de seus clubes e dos sócios, estaremos na merda.
    Esses filhos da puta permitem que sócios dos seus clubes tenham todo o dinheiro guardado para sua aposentadoria bloqueado pela justiça em função de roubos e fraudes que eles fazem. Estão cagando para as corridas. Infelizmente, o esporte motor vai morrer.
    Um abraço,
    Jalusa

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