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sábado, 11 de maio de 2013 - 11:59F-1, Imprensa

DE CATALUNYA (3)

gaudi003SÃO PAULO (lá vem cacetada) - E para fechar o sábado, falemos da TV. Notei a ausência do comentarista Reginaldo Leme na transmissão dos treinos de hoje em Barcelona. Não sou corporativista, longe disso. E nunca fui nem particularmente contra, nem particularmente a favor de ex-atletas fazerem o papel de jornalistas. Muitas vezes o uso desse recurso ajuda, especialmente em ocasiões sazonais — em Olimpíadas, por exemplo, quando é preciso recorrer a alguns deles para falar de esportes que não possuem equipes permanentes e especializadas nas emissoras de TV, ou sites e jornais.

Alguns ex-atletas acabam se tornando jornalistas. E ex-técnicos e ex-árbitros. Conheço vários. Vão estudar, se preparam, assumem a função. É uma continuidade legítima de uma carreira ligada ao esporte, não tenho absolutamente nenhum reparo a fazer. Poderia aqui dar uma lista de excelentes ex-alguma-coisa que viraram excelentes jornalistas. Alguns se transformaram em apresentadores, outros em comentaristas ou colunistas. São muitos mesmo: Casagrande, Glenda, Meligeni, Tostão, Jaú, Wlamir Marques, tem agora o Roger Chinelinho que está muito interessante no ar… Pode-se gostar ou não de um ou de outro, mas nota-se que se prepararam para o que passaram a fazer na vida.

Só que a lista de ex-atletas que viraram patetas no ar, como comentaristas e apresentadores, seria bem maior. Não vou citar nomes porque estou meio cansado de confusão. Essa turma ganhou espaço nos últimos tempos por conta da burrice e da estupidez de executivos que comandam as emissoras de TV. Basta falarem umas merdas e fazerem umas piadas escatológicas que, bingo!, ganham um palco e um microfone. Ou ostentarem um rostinho bonito, ou ainda um sotaque bem aprimorado no Leblon  acrescentado de algumas aparições em “Caras”. Pronto.

(Vão todos para a TV. Manda essa gente escrever 20 linhas de texto compreensível para ver o que dá.)

Por isso, confesso que me irrito quando ex-atletas tiram o lugar de quem se preparou a vida toda para fazer aquilo — apurar, comentar, reportar, analisar, escrever. Uma coisa é usar ex-atleta para acrescentar. Outra, para subtrair. Barrichello certamente tem potencial para acrescentar algo às transmissões da Globo. Era piloto de F-1 até outro dia, percebe algumas coisas, dá a visão de quem já esteve lá dentro. Burti é ótimo tradutor. Não corre de F-1 há mais de uma década, mas tem noção de alguns aspectos técnicos, claro.

Só que no grid, como repórter, não funcionou porque ninguém sabe quem ele é. E porque ele não é repórter. Não sabe ser repórter. Não se preparou para ser repórter. E aquele estilinho “vou chegando e vou falando porque sou bonitinho e conhecido no Brasil” não funciona para todo mundo. Rubens foi bem em Interlagos na primeira experiência de microfone na mão, no grid. Foi simpático e tal. Mas era mais um personagem do que um repórter. A atração era ele, pelo inusitado da função. Mas jornalismo não é assim. O repórter não deve ser a atração. Nunca. Como será daqui para a frente?

Não entendo por que não deixar um repórter de verdade trabalhar no grid. Eu fiz isso durante anos em rádio. O Fábio Seixas também. E nunca ninguém recusou uma palavrinha a nós. Basta saber fazer. Somos treinados para isso. Para fazer perguntas, para questionar pessoas. Não para dar sorrisos e tapinhas nas costas.

Enfim, nem tudo que funciona lá fora, funciona aqui. Os ingleses usam muito ex-pilotos e dirigentes em suas transmissões, como Eddie Jordan, Martin Brundle e David Coulthard. Mas o estilo da TV inglesa é outro. Primeiro, os caras são bons pacas e não passam o tempo todo dizendo amenidades. Um jornalista está quase sempre com eles fazendo o papel de âncora. E eles são treinados pelas emissoras para fazer algo mais do que soltar frases pueris e pasteurizadas, como adora a Globo — que acha necessário explicar tudo, dizer “carro de segurança” em vez de “safety-car”, que fala “posições de largada” em vez de “grid”, “RBR” em vez de “Red Bull”, tudo isso porque algum gênio lá dentro acha que todos aqui fora somos idiotas funcionais.

Nada a reclamar de Barrichello e Burti como comentaristas e palpiteiros, pois. Mas ao jornalista, o que é do jornalista. Leme tem a experiência, a vivência, a informação. Barrichello e Burti falam do que já sabem. A asa-móvel é isso. O pneu é aquilo. O câmbio é assim. O motor é assado. Não são treinados para levantar, apurar e passar informações. Reginaldo é. Foi Reginaldo, e não Burti, ou Barrichello, ou sei lá quem mais, quem revelou o escândalo de Cingapura em 2009. Foi para ele que Piquet contou, não para Burti, ou Barrichello, ou sei lá quem mais. É com Reginaldo que fluem as conversas no paddock que vão além de “e aí, beleza?” muito comuns entre ex-pilotos. É essa bagagem que ele leva para uma transmissão. E isso está sendo jogado fora em nome dessa cultura das celebridades-convidados que infesta a emissora oficial — no futebol, vi outro dia Michel Teló comentando um jogo de Champions League e um certo Naldo, que não tenho a mais remota ideia de quem seja, numa partida de Libertadores, acho.

No caso da F-1, essas celebridades ganham muitíssimo bem para dar sorrisinhos no ar. Os contratos de Burti e Barrichello batem na casa dos cinco dígitos fácil, e o primeiro dígito não é 1, nem 2, nem 3. Como jornalistas, eles são péssimos. Gravando comentários e/ou chamadas na frente das câmeras, são constrangedores. Participando ao vivo de programas de estúdio, idem. Um horror. Um festival de obviedades que acaba não justificando a presença de nenhum dos dois. Mas são da turma, ricos & famosos, celebrities, e dane-se o resto.

Não acho certo, enfim. Vocês achem o que bem entenderem.

252 comentários

  1. Welington disse:

    Bom dia, Flavio.
    Estou lendo esse post antigo seguindo a recomendação que você deu num texto mais recente.

    Soube pelo UOL que Barrichello tinha dificuldades para acatar ordens na Globo e andou se estranhando com Galvão Bueno. Sem contar que ele não se aceitava como ex-piloto de F1. Esteve envolvido em boatos na Sauber e na Mercedes como piloto de testes.

    Ele foi um dos grandes pilotos brasileiros na categoria, mas creio que precisa entender que o seu tempo na F1 já passou e precisa traçar novos objetivos pra sua carreira de piloto. Caso contrário, continuará se complicando sozinho.

  2. Alex Santos disse:

    …”tudo isso porque algum gênio lá dentro acha que todos aqui fora somos idiotas funcionais.”

    É EXATAMENTE o que eu penso!

    Perfeito.

  3. Danillo disse:

    Interessante saber como andam as transmissões nacionais. Ano passado, tomei a decisão de não ver mais na Globo quando, no GP de Austin, o Galvão se referiu ao Matt LeBlanc como “famoso quem? Convidado da Lotus”. Vai ser ignorante assim na RGT.
    Optei por ver as corridas depois, com vídeo e áudio da TV inglesa, geralmente SkySport ou BBC. Nos raros casos que quero ver ao vivo (foi assim na China), uso as imagens da RGT e tiro o áudio, escutando no lugar a Jovem Pan. E com isso, vai dando vontade de voar de Swiss Air, uma das poucas patrocinadoras deles que falam na transmissão…

  4. Glauson disse:

    Até parece q o Barrichelo aumenta audiência de alguma coisa. As pessoas leigas o tem como um cara fracassado na Formula 1. Perguntem a um cara q só gosta de futebol o q ele acha do Barrichelo, a primeira coisa q ele vai lembrar é o do Rubinho Pé-de-chinelo do Casseta e Planeta.

    O q aumenta a audiência é um piloto ganhando corridas, por isso a Globo deveria torcer pro Nars um dia se dar bem na Formula 1 e não investir no Rubinho bobo-da-corte do Galvão.

  5. Glauson disse:

    Acho q o Burti tem o raciocínio mais rápido, é um ótimo tradutor e mais dinâmico q o Barrichelo.

    O Rubinho é devagar na hora de comentar, fala muito arrastado e parece q ta sempre de mãos dadas c o Galvao, como quem diz “gostou papai do q eu falei?”. Agora os dois devem ficar revezando entre eles e nao tomar lugar de jornalista.

  6. Victor de Andrade disse:

    A sua lista de ex-esportistas que comentam bem eu acrescentaria o Belletti (que tão bem quanto o Roger).

  7. Eduardo Schmidt disse:

    Com todo o respeito Flávio, na minha opinião Reginaldo já era…já era mesmo, um comentarista como ele sempre menosprezar o trabalho do tricampeão mundial Sebastian Vettel é pra atestar “já era”!!!!

    Ele chega a soar insuportável a minha pessoa, pra mim foi maravilhoso assistir a transmissão da Globo sem Reginaldo Leme, como seria muito melhor sem o Galvão também!!!!

    Quanto ao aspecto profissional dos repórteres também comungo do seu entendimento, Barrichello e Burti não deveriam estar ali, mas como Galvão e Reginaldo são horríveis, até prefiro assim mesmo!!!!

    Agora, convenhamos, Mariana Becker e Marcelo Corriege? Pqp não dá pra aguentar mais!!!!!

  8. Alexandre disse:

    Se tu acha isso da Globo e seus comandados, escreve sobre o mesmo tema da INDY e a Band que quero ver.

    Só porque vcs fizeram uma cobertura completa da INDY não sobra farpas à BAND.

    Taí, verdade nua e crua

  9. Julio Passos disse:

    Flávio, convida o Reginaldo Leme para voltar ao Grande Prêmio, sempre gostei dos comentários dele. E viva a Lusa!!!

  10. Pedro disse:

    Flavinho, você arrebenta! Nem lembrava, mas ja mudei de canal em jogo do meu time por causa de algum “artista” pentelhando…

  11. morpetx disse:

    Não assisti a corrida no domingo. Sinceramente perdi o interesse. A F1 está chata demais. Mas Rubens, se quer levar, e ser levado a sério, devia se preparar para a nova função.
    Com esse “time”, quem devia sobrar era o Burti… enfim…

  12. luis fernando disse:

    na chamada para o gp de monãco já vão colocar o massa como postulante ao título.

  13. Paulo disse:

    Àqueles que estão dizendo que a audiência está caindo, que no Brasil quem assiste F1 são só os fanáticos e entusiastas, por favor, ACORDEM!!

    O Brasil, atualmente, é o MAIOR mercado da categoria com 85 milhões de telespectadores (dados de 2012). Eu disse 85 milhões de telespectadores.

    http://www.lancenet.com.br/minuto/Audiencia-Formula-Brasil-mercado-categoria_0_868113272.html

    Em pouco mais de 1 hora e meia a 2 horas, a F1 movimenta, simplesmente, os maiores anunciantes da Rede Globo e concentra o terceiro lugar no ranking de minutos mais caros da televisão brasileira. Eu disse da TELEVISÃO BRASILEIRA.

    É certo que no passado as corridas chegaram a ter uma fatia maior da audiência da Rede Globo, porém isso era proporcional, isto é, EM PONTOS PERCENTUAIS, e levando-se em conta também fatores sazonais, tais como: (i) os títulos mundias de Emerson, Piquet e Senna; (ii) a morte de Senna; (iii) a ida de Barrica para a Ferrari; (iv) os anos áureos de Shummy/Ferrari; (v) o vice de Massa.

    O fato é que o público cresceu acima de 8% entre 2011 e 2012, e podem ter certeza que o que fez a diferença nesses 8% não foi só o fator “Pirelli”. A Rede Globo (com Galvão e cia. limitada) ainda é, hoje, um grande chamariz para as corridas (infelizmente).

    Por isso, concluo, nós, entusiastas, que consumimos sites, blogs, notícias especializadas, enfim, somos numericamente desinfluente para o destino que se dê às transmissões. E sabem por que? Porque informações técnicas demais, para quem não é fanático, são um porre. Tornam as corridas muito chatas. O povo gosta é de ver ultrapassagem (Bernie, muito sabiamente, já havia desconfiado disso), o povo gosta é de ver Barrica no grid, o povo gosta é de ver o movimento nos boxes, o povo gosta é de ver o colorido dos carros etc.

    Porque quem quer saber por quantas voltas dura um pneu macio no gp da espanha, num universo de 5 milhões de brasileiros por corrida, é meia dúzia de gato pingado.

    Sem mais.

  14. Mario Gasparotto disse:

    Em certos momentos sinto até vergonha alheia, especialmenteo do Barrichello, principalmente quando expõem sua dor de cotovelo com relação ao Schumacher. Triste. Mas o pior é o programa Linha de Chegada no SportTV que usam o Reginaldo pra ficar entrevistando a próxima promessa do “cuspe à distância” que nem relacionado com automobilismo é!

  15. PC Crusca disse:

    O pior de tudo é passar duas horas com o Galvão Bueno berrando na orelha.

    Mal dá pra escutar os motores dos carros. E o cara fica narrando o que todo mundo está vendo. E outros locutores globais, no futebol, também são assim. O Cléber Machado consegue ser pior no futebol do que o Galvão é na F1.

    Burti e Barrichello são dispensáveis, deploráveis. Escutar o Galvão dando broncas neles ao vivo, como ontem aconteceu com o Burti, é de dar vergonha alheia.

    Gostaria que, ao mesmo tempo que na Globo, a SportV também transmitisse as corridas, mas só com o Reginaldo Leme e o Lito Cavalcanti. “Só”, rsrs…

    Imaginem a qualidade que teria a transmissão. Imaginem escutar a voz dos narradores/comentaristas umas três vezes por volta, no máximo, falando em tom de voz natural, sem tentar “adicionar emoção extra” ao que já está acontecendo na corrida.

    Lito Cavalcanti + Reginaldo Leme no SportV. Material humano a Globo tem.

    Do contrário, teríamos que torcer para que o Massa se aposente logo, e não tenha nenhum piloto brasileiro no grid, para que talvez a Globo desista de ser a emissora oficial da Formula 1.

  16. Emir do Patrocinio disse:

    “Um certo Naldo…” Hahahahahaha!! Ri alto aqui!!! De fato a vontade que dá é de fugir para as montanhas! A Globo ultimamente transforma em pedra (leia-se “bosta”) tudo aquilo que toca! Basta olhar para a chegada do Marcelo Adnet a emissora! Colocaram o cara numa espécie de Zorra Total reformulada! Com o esporte, a coisa está indo na mesma direção, infelizmente!

    Já gostei muito do Galvão!!! Lá pela década de 90 o cara era muito bom e poderia continuar sendo o mesmo até hoje, mas acho que pra ele já deu! Erra por demais nas transmissões, corta e dá fora nos outros…sei lá! Em fim, torço pra que a coisa volte a ser como antes, mas não tenho lá muitas esperanças!

  17. luis fernando disse:

    sinceramente gosto do Reginaldo leme ele deve estar até gostando de ficar longe do insuportável Galvão,imaginem a chatice que será o barrichelo no gp do brasil.já faz tempo que deixo a tv no mudo é muito melhor assim,o ufanismo desse animador de auditório já perturbou a paciência.ainda bem que escuto o jean balder e o Fábio seixas

  18. Jarzombek disse:

    Luiza Possi, Michael Teló, Naldo e etc, nada sabem de futebol. Barrichelo e Burti tem conhecimento de sobra sobre automobilismo, é diferente. Eu acho que eles acrescentam muito à transmissão.

  19. Pérsio disse:

    Na minha humilde opinião, carisma e experiência prática não se aprende em faculdade alguma, muito menos na de jornalismo. O Rubens conseguiu, em 5 minutos, conversar exclusivamente com Christian Hornet, Felipe Massa, Jean Todt e Jackie Stewart. Não eram coletivas, nem aquelas entrevistas com um batalho de jornalistas. Para qualquer um da profissão, seria um feito para se comemorar numa redação, soltar rojões. Mas pra ele não. Foi naturalíssimo. Pra quem assiste a Fórmula 1 do sofá de casa, como lazer, faz toda a diferença.

    Deixem o rapaz trabalhar em paz.

  20. Acarloz disse:

    A Globo é a cara de quem assiste….

  21. Cássio(Kazim) disse:

    Dom Flávio,me responda a uma humilde dúvida,tu és formado em comunicação ou jornalismo?pergunto pois pretendo fazer comunicação,já que estou próximo de completar 17 anos e as inscrições para o ENEM foram abertas hoje(é isso mesmo?)se não me engano.tenho como referências você,o Seixas,o Leme como informantes e o Edgard e o Teo na comunicação propriamente dita,para tu qual é a melhor opção jornalismo escrito ou comunicações?(não quero ser narrador ou comentarista,mas queria ser apresentador de programa de carros ao estilo Top Gear)

    Ah e parabens por nossa Lusa,torço por ela mesmo tendo pegado ela em fases de vacas magras e nunca nem ter pisado em São Paulo pois nasci em um lugar infestado de colorados e gremistas,hehehe

    Abraço!

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