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sexta-feira, 19 de julho de 2013 - 22:08Nas asas

NAS ASAS

quehistoriacazzoSÃO PAULO (honra) – O brother Rodrigo Lombardi mandou o link, e é uma história que merece ser conhecida por todos. Vou resumir, e o original em inglês está aqui.

Depois de bombardear Bremem, o B-17 americano foi severamente atingido por caças alemães Messerschmitt e estava em frangalhos quando finalmente conseguiu se livrar dos aviões da Luftwaffe, que nem se importaram muito. Do jeito que ele estava, não iria durar muito. Cairia no Mar do Norte. Tinha rombos na fuselagem, avarias no bico e na cauda, tripulantes mortos e outros feridos, nenhum poder de fogo.

Perdia altitude rapidamente e o piloto decidiu tentar chegar na Inglaterra, mesmo sabendo que suas chances eram remotíssimas. Podia ter saltado de para-quedas, ele e os que ainda tinham condições, mas não quis deixar feridos a bordo. Ou tentava salvar seus colegas, ou morreriam todos.

Nesse meio-tempo, o tenente Franz Stigler decolou de uma base próxima na Alemanha para mais uma missão e acabou encontrando o bombardeiro agonizando. Poderia ter dado o tiro de misericórdia, o que lhe conferiria a Cruz de Ferro, mais alta condecoração da Luftwaffe para quem atingisse um certo número de inimigos abatidos.

Mas ele percebeu que o avião americano estava à beira do colapso. “Meu Deus, como ele ainda está voando?”, se perguntou. E decidiu que iria tentar salvar aqueles inimigos. Que não seria justo, honesto, honroso derrubar quem não tinha mais como se defender. Emparelhou o avião e, com gestos, tentou indicar outra rota, para a neutra Suécia. Era mais perto, eles teriam uma chance.

No B-17, os americanos não estavam entendendo nada. Ficaram esperando o ataque inevitável, mas não desviaram seu rumo. Foram dez minutos de tentativas de comunicação do alemão e de perplexidade dos americanos. Stigler sabia que as baterias antiaéreas em terra tentariam acertar o inimigo e se manteve como escudo dos americanos. Funcionou, porque os alemães não iriam atirar no bombardeiro correndo o risco de acertar o Messerschmitt. Havia um problema, porém: ele seria recebido pela Gestapo quando voltasse à base e, provavelmente, acusado de traição e condenado à morte. Correu o risco.

O bombardeiro seguiu para o espaço aéreo inglês e Franz desistiu de tentar convencer seus inimigos de que a rota ideal era para a Suécia. Voltou. Nunca soube o que aconteceu com o B-17. Para sua surpresa, não foi acusado de nada. Se alguém viu o que fez, não contou a ninguém. Os americanos, incrivelmente, conseguiram pousar na Inglaterra. O piloto do bombardeiro nunca soube quem era aquele alemão bom que se recusou a abater seu avião.

Charlie Brown, o piloto, manteve essa história em segredo até 1985 quando, já aposentado na Flórida, fez o relato numa reunião de veteranos de guerra. Ela acabou sendo publicada numa newsletter de uma associação de ex-pilotos alemães. Cinco anos depois, o texto chegou a Stigler, que desde 1953 vivia em Vancouver, no Canadá, para onde emigrara.

Os dois se encontraram. E passaram a contar suas histórias em palestras pelo mundo. Ambos morreram em 2008.

A história vai virar livro e filme. É linda.

71 comentários

  1. Ruth Rudge disse:

    Minha tia alemã tinha uma coleção de bonus de guerra alemão, esta coleção está comigo e gostaria de saber se há algum interesse para alguém, uso sua página pois foi o mais perto que achei. Não consegui ver nada referente a estes bonus, então peço sua ajuda.
    No aguardo
    Obrigada
    Ruth

  2. Fernando disse:

    Outro dia vi no youtube um video onde um desses aviões acabara de pousar e os soldados estavam verificando os danos. Estava realmente “arregaçado” tudo furado e c um rombo enorme na fuselagem lateral. Video em cores. Vou procurar e postar aqui novamente. Não sei se é o mesmo, entretanto impressiona da mesma forma.

  3. José Brabham disse:

    Lendo o original vi que a parte final do vôo lembra muito o relatado no filme “Memphis Belle”: o avião muito avariado, o tripulante inconsciente, o ato de jogar fora os armamentos para aliviar o peso, o trem de pouso baixado à manivela… Hollywood sempre misturando as coisas. Lembro que este drama todo no fim de Memphis Belle foi o que menos gostei no filme, pois achei forçado, já que o verdadeiro Memphis Belle chegou intacto em sua última missão, mas agora mudei de opinião, s estou ansioso pelo novo filme. Ah sim, em Memphis Belle, o filme, a missão era um bombardeio diurno… em Bremem…

  4. Roberto Zullino disse:

    Não existe genocídio e tampouco crueldade no campo de batalha, a guerra é feita por garotos mandados por velhos endurecidos e cínicos. E por que os garotos lutam? Alguns por serem influenciáveis como todos os garotos e outros tem que ir na marra porque se não forem serão mortos por deserção. Arthur Weslesley, Duque de Wellington, vencedor de Waterloo e Napoleão e Primeiro Ministro da Inglaterra definiu bem o que é um bom exército, um bom exército é a escória da terra, só a escória se sujeita a matar ou morrer sem saber porque.

  5. Paulo Pinto disse:

    O mais desumano serial killer, não passa de um garoto travesso, diante desses “heróis” de guerra.

  6. Borges disse:

    E no meio de tudo isto, todo mes, os representantes dos bancos centrais tanto dos aliados como da Alemanha se reuniam na Suiça para acertar suas contas. Bussiness as usual…

  7. pedro arnaldo disse:

    Alguns eventos e pessoas me renovam a esperança do acreditar em um mundo melhor aonde é possível evoluir e melhorar como ser humano. Esta história singular me toca e mexe com sentimentos que no dia a dia ficam congelados pelos acontecimentos desumanos que entro em contato. Mesmo sabendo que são poucas pessoas e que nem sempre terei conhecimento destas maravilhas, MAIS SERÁ REVELADO e continuarei um otimista incorrigível ao acreditar no poder de transformação e transcendência que temos, mesmo que ainda não saibamos utiliza-lo.

  8. Paulo Pinto disse:

    Sr. Klaus, um vizinho no prédio onde eu morava, na década de 80, era natural da cidade de Bremem.
    Ele participou da Juventude Hitlerista na adolescência (como toda criança e jovem da sua época e lugar). A principal função dessa garotada, após os reides aéreos, era catar pedaços de corpos entre os escombros, munidos de baldes e espírito de sacrifício.
    Passagens contadas com voz calma e pausada, por um senhor (que já partiu), e nos deixou um pedaço de história viva dessa guerra cruenta.

  9. gera disse:

    As B17 eram bem resistentes. Mas o que fizeram com Dresden foi um horror, foi a maior
    tonelagem de bombas lançadas em uma só noite.

    • Ricardo Bigliazzi disse:

      Morreu mais gente em Dresdem do que em Hiroshima… por isso que sempre repito: “Deus esta do lado de quem vai vencer”…

      Resumo das mortes em Dresdem:
      -37.000 bebês e crianças pequenas
      – 46.000 crianças em idade escolar
      – 55.000 feridos e doentes internados em hospitais, incluindo médicos, enfermeiras e outro pessoal
      – 12.000 pessoal de salvamento
      – 330.000 descritas simplesmente como “homens e mulheres”.

      Segue o jogo… Dresdem até receber as ondas de bombardeiros nunca havia sido atingida por uma unica bomba… era considerada uma Cidade Museu e não possui nenhum aparato industrial que trabalhava no esforço de Guerra da Alemanha… foi uma das grandes malvadezas aliadas da II Guerra Mundial.

      Imperador

  10. Ricardo Bigliazzi disse:

    Muito legal!

    Imperador

  11. Paulo Pinto disse:

    Bombardear a população civil com o único intuito de baixar o moral do povo alemão, foi genocídio. É crime de guerra.
    Mas, como sempre acontece, a lei para os vencedores é diferente da lei para os vencidos.

  12. Celio Ferreira disse:

    E Deus premiou ambos com vida longa para contar esta história linda e comovente.

  13. JOANNIS LYKOUROPOULOS disse:

    SIMPLESMENTE INCRIVEL,QUE HISTORIA HEIN……
    MEU PAI VIVEU A SEGUNDA GUERRA E ME CONTOU VARIAS PASSAGENS ,ELE ERA GAROTO,ME CONTOU O LADO HUMANO DE ALGUNS SOLDADOS ALEMÃES E ITALIANOS,MAS ME CONTOU TB O LADO RUIM DE ALGUNS.
    GUERRA É UMA MERDA SEJA ELA ONDE FOR.

  14. Christian Alves (@chrisalves88) disse:

    putaquiupariu que hitória linda. merece filme mesmo.
    eh por isso que eu amo esse blog

  15. AleX disse:

    Papo furado. Nada a ver.
    O que o cara fez foi idiotice. Se tem sentimentos, use-os no lugar e hora certos.
    Por exemplo como você sugere no fim do texto, no cinema. Aí vale tudo, tem inúmeros filmaços, como os dois do Eastwood sobre IwoJima. Pessoalmente prefiro a versão japonesa. Mas tem muita coisa.
    Mas no campo de batalha não. Acha errado, não entre, deserte, vaze, mas não aja com sentimentos, aja com razão e frieza. Isso preserva sua chance e de seus parceiros de sobreviverem à barbárie em que foram colocados. Do outro lado tem alguém mirando seu capacete.
    Em resumo, nas relações entre países não há bonzinhos e gentis, há interesses a serem defendidos e avanços a serem obtidos. O outro lado cede se vislumbra ganhos, se os seus interesses são ou poderão vir a ser atendidos. Guerra é atualmente um último recurso, mas quanto mais se voltar no tempo irá se perceber que era muito diferente, podendo até ser o primeiro, ou único, meio de se obter sucesso no que era planejado.
    Por mais ridículo que seja, e o é, a solução para a paz entre os que queriam dominar uns aos outros foi a bomba total, a capacidade desses caras destruírem o mundo, várias vezes e rapidamente, chegando até a só matarem a vida e preservar os tijolos. Idiotice suprema, mas como sabem que entre apertarem seus botões e a desgraça ocorrer haverá tempo para os botões alheios serem apertados do lado de lá, tem que se respeitarem mutuamente.
    Guerras como essa idiotice suprema que foi a WWII jamais ocorrerão novamente não porque não existem mais imbecis totalitários. Volta e meia se tem notícia de alguns candidatos a esse trono de lata, falsificada.
    Mas basta um passo errado e lá vem bloqueio de tudo quanto é jeito, sofrimento, revolta, votos a menos, povo na rua. E com isso, ou depois disso, alternância no poder.
    E eles querem….

  16. andreburiti disse:

    A história é realmente muito bonita, mas a realidade se parecia mais com isso aqui:

    http://www.youtube.com/watch?v=9jLSsAuibuQ

  17. Arnaldo disse:

    Isso está me cheirando mais a estória de gente que não perde a oportunidade para ganhar uns trocados embora enaltecendo a camaradagem de um alemão.
    A história que eu conheço é que americanos e ingleses se ocuparam em incinerar sistematicamente os civis alemães em Dresden, em uma carnificina que ceifou a vida de 350.000 pessoas indefesas e que não contavam com artilharia ante aérea por tratar-se de uma cidade desmilitarizada.

  18. Claudio Moraes disse:

    “Quem poupa o lobo condena as ovelhas”
    Possivelmente essa mesma tripulação americana tenha participado do bombardeio de Dresden logo em seguida.

  19. Lucas Carioli disse:

    Como diz meu ídolo Lemmy Kilmister: “a guerra revela o há de melhor e o pior nas pessoas”.

  20. Freddy777 disse:

    Essa história parece muito bonita pra se contar, mas vamos ver pelo lado realista da coisa.
    Ele deixou os inimigos voltarem pra base. OK.
    Mas o que vocês acham que os americanos que ele poupou fizeram depois disso? Deixaram a guerra e voltaram pra casa? Muito pouco provável.
    Eles pegaram um novo avião, e voltaram a bombardear os alemães, do mesmo jeito. Sem refletir um pingo da “piedade” que lhes foi oferecida.

    Pensem: o fato do piloto alemão ter poupado a vida de alguns tripulantes, causou indiretamente a morte de centenas, talvez milhares de alemães. Desse ponto de vista o piloto do caça tirou mais vidas do que poupou, além de ser de fato um traidor de seu país.

  21. História linda. Em um cenário tão adverso, onde excessos seriam corriqueiros, o piloto alemão mostrou humanidade. De muito caráter, também, a postura do piloto norte-americano, de não abandonar a sua tripulação.

    A gente acredita um pouco mais na raça humana após casos assim.

    Reinaldo
    http://reiv8.blogspot.com

  22. Fernando Carvalho disse:

    Eita….Alguns nem sabiam porque lá estavam … uns “apenas ” meninos ” , inocentes meninos ….A dureza da guerra não conseguiu corromper ” de todo” a consciência de alguns poucos..

  23. Mauricio disse:

    E tem gente que acha que os heróis da II Guerra são Churchill, Stalin e Roosevelt.

  24. jão disse:

    É por histórias assim que eu ainda insisto em acreditar no ser humano.

  25. Moy disse:

    História linda!
    E por aqui, em breve teremos um filme sobre a vida de Naldo (who?).

  26. faria disse:

    Franz poderia te-los abatidos, pois tinham bombardeado Bremem. Like a boss.!

  27. Minoru disse:

    Um outro caso que eu poderia citar é sobre o encontro de Saburo Sakai, o maior ás japonês sobrevivente, e um avião de transporte civil.

    http://avidanofront.blogspot.com.br/2009/07/misericordia-de-saburo-sakai-sobre.html

    Outro caso que me também vem a lembrança foi a atuação de Adolf Galland que permitiu que, de forma orquestrada, um bombardeiro inglês lançasse uma perna mecânica sobre um pré determinado local para que fosse entregue ao ás inglês Douglas Baden, abatido sobre a França e que teve a sua perna mecânica destruída na queda.
    Posteriormente ele se tornou conhecido pelas suas inúmeras tentativas de fuga, levando ao pessoal da Gestapo a cogitar tomar-lhe a sua perna.

    O fato é que em toda guerra sempre haverá, independentemente do lado em que se esteja, pessoas dispostas a lutar pelas suas crenças porém não cegamente, mas com clemência e paz na consciência.

    • Fernando Carvalho disse:

      A dureza da guerra não conseguiu corromper ” de todo” a consciência de alguns poucos.

    • Sabugo Sakão disse:

      Saburo Sakai é simplesmente um dos maiores e melhores pilotos da Segunda Guerra Mundial e o mais lendário. Sozinho, abateu cerca de 64 aviões dos aliados, levou um tiro na cabeça e não apenas sobreviveu como voltou e aterrissou em sua base e depois disso, ainda tornou a combater na guerra.
      Posteriormente foi reconhecido até pelos aliados e sua filha se casou com um norte-americano. Crítico da hierarquia autoritária japonesa, se recusou a morrer como kamikaze e morreu em 2000, após um jantar na base militar norte-americana de Atsugi.

  28. Obama disse:

    Eu ouvi a entrevista com o Americano dessa estoria no rádio aqui nos Estados Unidos. Me emocionais muito…e chorei. Essas estórias mostram a capacidade do ser humano em se superar.

  29. Goos disse:

    Lindo e emocionante!
    Uma vez eu li de um sociólogo, psicológo, um ólogo destes, de fora, que estudava sobre camaradagem, irmandade no sentido real da palavra… e que o único lugar aonde verificou, viu, eram nas forças armadas, (marinha, exército e aeronáutica).
    O único lugar aonde as pessoas dariam a própria vida por seus semelhantes, irmãos, sem relação de parentesco.
    Nunca esqueci quando li…

    • Mauricio disse:

      Puta papo furado! Quem é esse tal …ólogo? De certo um americano republicano ou algo semelhante.
      Há histórias belíssimas e marcantes de irmandade fora das forças armadas. Pessoas que colocam a própria vida em risco – e às vezes a perdem – para salvar outras.
      O que ocorre é que em guerra se verifica os sentimentos mais extremos. Tanto os bons quanto os ruins.

  30. perna quebrada disse:

    Mais humanidade em uma guerra do que em alguns membros do CFM.

    • perna quebrada disse:

      Bom, era uma guerra, uma cidade foi bombardeada, apesar de uma coisa não ter nada a ver com a outra, tenho muita raiva de quem não liga para o próximo. Por favor não publique os comentários,

  31. ]Muguello[ disse:

    Jah eh livro:

    A higher call : an incredible true story of combat and chivalry in the war-torn skies of World War II

    Por Adam Makos with Larry Alexander

    To pegando na biblioteca amanha!

  32. Nelson disse:

    Realmente linda e comovente. Geralmente os pilotos eram oficiais e tinham um sentimento de cavalheirismo, mas esta foi bem além do normal. Imagino o encontro real destes 2.

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