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quinta-feira, 1 de maio de 2014 - 2:48F-1

MEMÓRIAS DE UNS DIAS DE MAIO

A Tamburello na segunda-feira, 2 de maio.

A Tamburello na segunda-feira, 2 de maio.

SÃO PAULO – O grande drama de todos que estavam cobrindo o GP de San Marino em 1994 era conseguir alguma informação, qualquer uma, que ajudasse a esclarecer o que tinha acontecido no domingo. Havia duas perguntas básicas, a saber: 1) o que causou o acidente? e 2) o que matou Senna?

Não era fácil. Williams, FIA e autoridades italianas se fecharam num silêncio sepulcral. Quem sabia alguma coisa, não dizia. Quem não sabia nada, chutava. Se havia uma tragédia evidente, havia igualmente a necessidade de tentar explicá-la. Era para isso que estávamos lá, os jornalistas. Para informar, antes de chorar a morte de alguém com quem convivíamos regularmente — uns mais, outros menos.

Na segunda-feira pós-acidente, o trabalho se deu em duas frentes, Itália e Brasil. Para além da dor e da tristeza que os brasileiros sentiam, havia também um certo ar de indignação e de busca por culpados. É natural, em casos tão rumorosos. A indignação vinha do fato de a corrida ter sido realizada mesmo depois da morte de Ratzenberger, um dia antes. Mais tarde, essa indignação se estenderia à equipe, que acabou sendo acusada de negligência na solda da coluna de direção do carro de Senna.

Sábado, 30 de abril. No paddock, mecânico da Simtek lava as rodas do carro de David Brabham. Horas antes, Ratzenberger morrera na curva Villeneuve.

Sábado, 30 de abril. No paddock, mecânico da Simtek lava as rodas do carro de David Brabham. Horas antes, Ratzenberger morrera na curva Villeneuve.

As causas do acidente ainda são controversas. A perícia levada a cabo pela Justiça Italiana concluiu que a coluna quebrou. Há quem não acredite nisso. Damon Hill, por exemplo, tem outra tese. Companheiro de Senna em 1994, o inglês tem convicção de que a pressão dos pneus do carro do brasileiro caiu dramaticamente durante as voltas atrás do safety-car, novidade naquela temporada. Na Tamburello, que tinha ondulações respeitáveis, o carro bateu no chão e Ayrton perdeu o controle. “Ele estava para uma parada, com o carro pesado e muito rápido, pneus frios, pressão baixa. Se numa curva daquela o carro oscila por alguma razão, é muito fácil perder o controle. Dá para ver claramente pela câmera do Schumacher que o carro de Senna bate no chão. Quando isso acontece, ele dá uma balançada. Levanta o bico, e ele corrige. Aí bate de novo e vem uma grande ondulação. O carro balança de novo, aponta para o muro e vai direto. Ele freia, mas aí está na grama. E é isso. Tinha muita pressão sobre Ayrton naquele fim de semana. Ele não queria ser segundo para Schumacher de jeito nenhum.”

Esse depoimento de Hill está no livro “Senna versus Prost – The story of the most deadly rivalry in Formula One”, do jornalista Malcolm Folley (Arrow Books, 2009), do “Mail on Sunday”. No mesmo livro, Hill conta que depois do acidente de Senna a Williams desligou em seu carro o sistema de direção hidráulica que, pelo regulamento, não poderia ter outra função que não reduzir o esforço do piloto para virar o volante.

Tal informação vai ao encontro de o que me disse um dia, na Bélgica, o ex-piloto Emanuele Pirro, que participou como consultor das perícias feitas pelos italianos. Foi numa noite em que tomamos umas a mais no hotel em que nos hospedávamos em Malmedy, depois de uma animada partida de ping-pong. Pirro me contou que uma das hipóteses para o acidente era de que o sistema teve algum tipo de pane e a direção ficou louca, ou pesada demais, ou sei lá o quê. A Williams nunca teria admitido uma falha porque o sistema era, segundo ele, possivelmente irregular. O regulamento técnico, repito, dizia no item 4.2 do artigo 10 que tais sistemas eram permitidos. Na íntegra: “4.2 – Power steering systems which do anything other than reduce the physical effort required to steer the car are not permited”.

Mas o que havia naquele sistema da Williams que levou a equipe a desligá-lo no carro de Hill para o reinício da corrida? Jamais saberemos, desconfio. Talvez nada. Mas talvez a suspeita da própria equipe recaísse sobre ele.

Voltando à segunda-feira pós-acidente, eu precisava de alguma coisa além do factual que todos teriam: se o corpo seria submetido a alguma autópsia, quando seria liberado, quando iria para o Brasil, quais as medidas que seriam tomadas pela diplomacia brasileira na Itália, essas coisas.

Já surgiam, àquela altura, informações desencontradas sobre a suspeita de que Senna tinha morrido na pista. Algo que, na prática, não mudaria em nada a situação — ele estava morto, e suspeitava-se que Ratzenberger tinha morrido no circuito, também, embora tenha sido declarado morto oito minutos depois de chegar ao Hospital Maggiore. Mas era algo relevante na construção daquele quebra-cabeças, para tentar compreender a real causa da morte. Ninguém sabia, na segunda-feira, se ele tinha batido a cabeça no muro, se tinha quebrado o pescoço, se tinha tido um ataque cardíaco, nada.

Um dos episódios mais controversos daquele dia foi o do diálogo entre Bernie Ecclestone e Leonardo Senna, que teria ouvido do chefão da F-1 que “he is dead”, quando na verdade Bernie teria dito algo como “injuries in his head”. Isso nunca foi, igualmente, esclarecido. Como nunca se soube direito qual o teor de um suposto dossiê que Leonardo teria levado ao seu irmão com informações sobre sua namorada Adriane Galisteu, de quem a família não gostava. Senna estava, sim, mais tenso que o normal naquele fim de semana — disso me lembro bem. Sem saber de dossiê nenhum, que poderia ter contribuído para esfacelar seu estado de espírito, eu e todos que lá estavam, antes do acidente, atribuíamos seu humor especialmente amargo à situação dele no campeonato: duas corridas, zero ponto, com Schumacher já somando duas vitórias. E, de quebra, um carro dificílimo de guiar.

Algo que já tinha ficado claro para ele depois das primeiras voltas que deu no Estoril, em janeiro, com sua nova equipe. Era um carro complicado, arisco, nervoso, quase incontrolável. Eu estava nos boxes da equipe em Portugal, me escondendo do frio cortante daquele inverno, quando ele saiu do cockpit com cara de poucos amigos, passou do meu lado e eu mandei um singelo “e aí?”. Ayrton me respondeu com uma frase tão singela quanto: “Puta que pariu, bem na minha vez cagaram no carro”. Frase que repetiria semanas depois a amigos em Aida, no Japão. Depois, foram mais três dias de intenso trabalho com o híbrido FW15C e a conclusão: “Sem suspensão ativa, esse carro não é tudo isso que a gente via, não”.

Quarta-feira, 27 de abril de 1994: na porta do autódromo, eu e o colega Alex Ruffo fotografados por Lemyr Martins na barraca de credenciamento para a corrida. Foi nesse Punto que, três dias depois, a caminho do hospital, soube que Senna tinha morrido.

A última entrevista, digamos, agendada de Senna naquele fim de semana de Imola aconteceu na quinta-feira, como em todas as semanas de GP. Ele recebia a imprensa brasileira no motorhome da equipe e falava sobre a corrida, sobre o campeonato, sobre os adversários e tal. Dela, me lembro de um detalhe irrelevante. Senna vestia uma calça impecavelmente branca e comia macarrão com molho de tomate enquanto falava. Eu achava que uma hora aquele molho ia respingar na calça. Não lembro direito o que disse. Mas escrevi, naquele dia, baseado na entrevista de Ayrton, algo que, visto 20 anos depois, tem ar de profecia: “O maior problema da Williams é a falta de estabilidade em pisos irregulares. O carro ‘salta’ muito e não desfruta de seu potencial aerodinâmico. A suspensão, muito dura, agrava os defeitos de nascimento do projeto — originalmente concebido para utilizar um sistema computadorizado, que mantém o carro a uma altura constante do solo (proibido neste ano pelo regulamento da F-1).”

No dia seguinte, depois de fazer o melhor tempo no primeiro treino oficial (os tempos de sexta valiam para formar o grid e Ayrton largaria na pole com essa volta, já que não treinou no sábado depois do acidente de Ratzenberger), Senna continuava reclamando do carro. “Não dá para dizer muita coisa porque de manhã o carro estava razoável e de tarde impossível de guiar. Foi assim com todo mundo. Eu não consegui fazer uma volta inteira bem. Não conseguia me sentir tranquilo para guiar rápido.” Reclamou do vento. “O carro fica imprevisível. Vai bem numa volta e mal em outra. Faz bem uma curva e mal a outra. Você é pego de surpresa.”

No sábado, Senna não falou mais.

Segunda-feira, 2 de maio. Já sabendo que seria feita uma autópsia, que o corpo embarcaria no dia seguinte para o Brasil, que a polícia instaurara um inquérito para apurar as causas do acidente, fui atrás de algo que pudesse acrescentar à cobertura mais informações que ajudassem a esclarecer o que matou Senna. Queria falar com a médica que o recebeu no Maggiore, Maria Teresa Fiandri. Ir ao hospital achando que toparia com ela na recepção era fantasia. Foi quando me lembrei da minha namorada.

Maria Cristina Gervasi fora minha namorada em 1981, quando eu estava no terceiro colegial e morava em Campinas. Italiana, mudou-se para a cidade porque seu pai trabalhava com telecomunicações e veio para o Brasil para tocar um projeto qualquer durante um ano. Cris estudava na minha classe no Objetivo e começamos a namorar. Éramos apaixonados, como são os adolescentes. Acabou o ano, ela voltou para a Itália em meio a lágrimas e juras de amor eterno.

Eu e minha namorada Cristina em Campinas, 1981. Nos reencontramos 13 anos depois em Bolonha. Eu, jornalista cobrindo F-1; ela, médica legal na Itália.

Eu e minha namorada Cristina em Campinas, 1981. Nos reencontramos 13 anos depois em Bolonha. Eu, jornalista cobrindo F-1; ela, médica legal na Itália.

Mantivemos contato durante meses em 1982, quando eu já voltara para São Paulo para fazer faculdade. Meu único objetivo de vida era juntar dinheiro para morar com ela na Itália. Trocávamos cartas. Cris, que era de Roma, tinha entrado na universidade para fazer medicina. Em Bolonha.

Ainda em 1982, ela arrumou um namorado, engravidou e casou. A última notícia que tive dela foi essa. Estudava medicina em Bolonha e tinha casado. Perdemos o contato, tocamos a vida.

Achei que tinha uma chance ali. Se ela tivesse se formado em Bolonha, talvez trabalhasse na cidade e conhecesse a doutora Fiandri. Mas podia ser que tivesse desistido da faculdade, que tivesse mudado de país, qualquer coisa. Fui a uma cabine de telefone perto do IML, no centro da cidade. Se me jogarem em Bolonha hoje, saberei chegar àquela cabine sem grandes problemas. Algumas coisas daqueles dias permanecem muito claras na minha memória.

Naquela época, era possível consultar listas telefônicas nas cabines, presas com correntinhas para ninguém roubar. Era uma tentativa. A lista continha os números dos assinantes de Bolonha e das cidades da região metropolitana. Comecei a procurar o sobrenome Gervasi nas listas. Não tinha grandes esperanças. Ela tinha se casado, poderia estar usando o sobrenome do marido.

Passei por todas as cidades, até chegar a Casalecchio di Reno, pequena vila a sudoeste de Bolonha. No G, surgiu uma Gervasi. Gervasi, Maria Cristina, dottoressa.

Cris tinha virado médica e vivia nas redondezas. A chance de trabalhar no Maggiore aumentara consideravelmente. De conhecer a doutora Fiandri, idem. Eu precisava tentar alguma coisa. Coloquei alguns milhares de liras no telefone e liguei. Entrou uma secretária eletrônica. Reconheci a voz e devo ter sorrido brevemente. Era bom ouvir uma voz familiar àquela hora, mesmo sendo de alguém que eu não via, ou ouvia, desde 1981.

Deixei um recado em português. Imaginei que ela se lembrava de mim, mas me alonguei para explicar o que estava fazendo em Bolonha 13 anos depois. Não havia internet em 1994. Ninguém rastreava a vida dos outros como hoje. Para se ter notícias de alguém, só escrevendo ou telefonando. Eu não escrevia para minha ex-namorada fazia muito tempo. Muito mesmo.

A turma do Objetivo em 1981: eu estou com o chapeuzinho ridículo, ao lado de minha namorada.

A turma do Objetivo em 1981: eu estou com o chapeuzinho ridículo, ao lado de minha namorada.

Terminei minha mensagem dizendo onde estava hospedado, no Novotel de Bolonha, para onde me mudara depois do acidente. Na semana do GP de San Marino, sempre ficava em Riolo Terme, a uns 15 km de Imola. Naquela segunda-feira, saí de mala e cuia da pensão para ficar no mesmo lugar onde estavam os diplomatas brasileiros e a turma do Senna. Ali seria um ponto natural de concentração de informações.

À noite, quando voltei ao hotel, havia um recado para ligar para a dottoressa Gervasi. Liguei. Para quem não falava comigo havia 13 anos, ela foi até rude. “Onde você estava? Te procurei o tempo todo no IML!” Não entendi direito. Como, me procurou? Como você sabia que eu estava lá?

Cristina tinha uma irmã mais velha, Simona, que se casou no Brasil e ficou morando em Campinas. Naqueles anos todos, acompanhou meu trabalho no jornal e no rádio. Elas se falavam, e por isso minha ex-namorada sabia perfeitamente que eu tinha virado jornalista, que trabalhava na “Folha” e na Jovem Pan, e que cobria F-1. Assim, seria bastante plausível que eu aparecesse no IML na manhã de segunda-feira.

O que não era muito plausível, e isso eu não sabia, é que Cristina se formou em medicina e estava se especializando em Medicina Legal. Fazia o último ano da especialização e suas aulas eram ministradas no IML. Seus professores eram os médicos que fizeram a autópsia no corpo de Senna. “Eu sabia que você estava lá. Podia ter te mostrado o corpo!”, bronqueou. Parecia que tínhamos nos falado um dia antes. Engraçado, isso. Não havia tempo para muitas demonstrações de sentimentalismo, e ela entendia isso bem melhor do que eu.

Nos encontramos na terça-feira à noite, depois que o corpo de Senna embarcou, do aeroporto de Bolonha, num avião militar italiano rumo a Paris, de onde voltaria para o Brasil na classe executiva de um voo da Varig.

Cris me deu uma longa entrevista. Descreveu em detalhes tudo que viu, o que acompanhou, o que disseram os médicos. Contou sobre a aula que teve naquela terça-feira, dia em que a autópsia foi realizada, por um dos legistas que realizaram o trabalho, Pierludovico Ricci, um excêntrico professor que trabalhava sem luvas porque acreditava que vírus nenhum resistia à morte de um corpo — não entendo nada disso, mas a Cristina me disse que ele tinha alguma razão, cientificamente falando; não vem ao caso, porém.

Ricci, “estranho e psicótico”, saiu da autópsia e foi para a sala de aula com o jaleco sujo de sangue. Mal-afamado na cidade, era um doidivanas que conhecia todas as putas de Bolonha e costumava convocá-las para noites de luxúria no IML tocando uma corneta pela janela. Um dia os estudantes roubaram a corneta, enlouquecendo o médico. Mas Ricci tinha princípios éticos muito fortes e ministrou uma aula vigorosa sobre o que chamou de “morte Série A e morte Série B”, indignado com a indiferença a Ratzenberger, cujo corpo era vizinho do de Ayrton no IML.

Encontrei a Cristina algumas vezes depois daqueles primeiros dias de maio de 1994. Já não lembro bem quando. Três ou quatro anos depois, talvez. Jantamos uma noite em Bolonha, num belo restaurante numa colina, e em outra oportunidade visitei-a em Casalecchio, onde fiquei comovido com um cantinho de sua casa onde havia na parede uma placa de carro com o escudo da Portuguesa, algumas fotos nossas em porta-retratos e pequenas lembranças de nosso namoro adolescente.

Nos falamos de vez em quando pelo Facebook. Ela se casou novamente e divide o tempo entre a Itália e Zurique, de onde vem seu marido. Acabou de ter um bebê e está feliz da vida. Esta semana, entrei em contato para lembrarmos aqueles dias de 20 anos atrás.

Não foi uma conversa triste e melancólica. Médicos sabem lidar melhor com certas coisas como a morte. Me escreveu:

Trabalhar como médico legista lhe permite ver a vida a partir de um ponto de vista diferente. Ou, talvez, você pode apenas ver a sua vida… Corremos atrás de nossos sonhos e ilusões, corremos de manhã à noite, e quantas vezes nos perguntamos o que fazemos? No final, tudo é o resultado de nossas escolhas. Há os que escolhem uma vida de rotina, tranquila, e há aqueles que arriscam suas vidas, e fazem isso de modo bem consciente. E um dia o final da corrida vem, vem para cada um de nós.

Os mortos são todos iguais, não há mortes de série A ou de série B. Dois jovens saíram daqui há 20 anos com seus sonhos e suas esperanças, tirando as esperanças e sonhos de milhões de pessoas. Era o que tínhamos aqui no dia 1° de maio, no Instituto de Medicina Legal de Bolonha, onde eu cursava o último ano de especialização em medicina forense.

Não sou daquelas que seguem os eventos esportivos, por isso não sabia direito o que estava acontecendo quando me vi presa no trânsito da Via Irnerius, incapaz de chegar ao Instituto. Depois de muito tempo consegui alcançar o portão vigiado pela polícia, que só me deixou entrar quando mostrei minha identidade. Estacionei o carro no lugar de costume, em um pequeno recesso logo atrás do portão de entrada.

Notei os rostos consternados e as lágrimas de dor. Me lembro, na entrada para o necrotério, de várias pessoas que falavam com uma cadência e uma musicalidade que me trouxeram lembranças doces e nostálgicas da minha juventude. Eles falavam português e tinham a bandeira do Brasil nas mãos.

A entrada foi inundada com flores, flores em todos os lugares, nunca vi tantas flores juntas, bilhetes, mensagens… Nesse dia, as atividades normais do Instituto foram suspensas e ficamos na varanda observando esse estranho fenômeno que se desenvolvia sob nossos olhos.

Os dois jovens pilotos estavam na ante-sala da câmara frigorífica, e pareciam dormir. Senna tinha uma ferida costurada na parte frontal da base do couro cabeludo, mas seu rosto estava sereno e já não apresentava muito inchaço. Ratzenberger era de uma beleza típica do Tirol Austríaco. Um belo rapaz. Senna, o grande campeão. Ratzenberger, o piloto que fazia apenas sua terceira corrida. Ambos apaixonados pela mesma coisa, ambos rapazes que fizeram do risco e da velocidade suas vidas, e que estavam ali na nossa frente para mostrar como a existência é efêmera, a realidade concreta da transitoriedade da vida.

Com alguns colegas , oramos por suas almas, que agora corriam em direção a outros objetivos e para os seus entes queridos que precisassem de ajuda e conforto. Pegamos algumas rosas e colocamos nas mãos dos jovens pilotos antes do fechamento dos caixões. A rua estava cheia de pessoas que se amontoavam nos portões. E de jornalistas à espera de notícias. Mas não havia muito o que dizer.

Senna saiu em primeiro lugar, e centenas de pessoas com gritos e aplausos acompanharam o caixão saindo do beco atrás do Instituto. Aplaudiam um grande campeão que perdera a vida na Tamburello, deixando um enorme vazio nos corações de fãs em todo o mundo. No dia seguinte, saiu Ratzenberger. Em silêncio, sem aplausos, lágrimas ou câmeras de TV. Membros de sua família chegaram e nós, do Instituto, o aplaudimos. Aplaudimos o rapaz corajoso que perdeu a vida na busca de um sonho que nunca alcançou. Aplaudimos com todo vigor aquele cuja fama não tinha despertado o clamor do povo.

Os mortos estão mortos, e eles são todos iguais. Não há desculpas e/ou atenuantes para aqueles que “esqueceram” muito rapidamente que por aquela corrida, naquele circuito, dois jovens rapazes haviam perdido suas vidas. E que estavam viajando juntos na sua última corrida para a linha de chegada.

Reunimos todos os buquês, colocamos tudo em vários carros e levamos para o cemitério da cidade, que foi inundado de cores, doando uma beleza fúlgida e fugaz, como fora a vida daqueles jovens pilotos, a túmulos desbotados e esquecidos por suas famílias e amigos. Nesse dia, aqueles mortos puderam rever as cores da vida e o fascínio da natureza, num sofrido contraponto à realidade da morte e da dor.

Li com atenção e solenidade cada palavra da Cris, que escreveu em italiano. Já era madrugada em Zurique, onde ela estava no início desta semana, quando apareceu a bolinha verde na janela de mensagens do Facebook.

Posso fazer umas perguntas, Cris?, perguntei, depois das amenidades de praxe. “Sim, claro”, ela respondeu em português. Depois, só escreveu em italiano. E eu, sempre em português. Era assim quando éramos adolescentes. Para escrever, não falar. Minha namorada aprendeu português muito rápido. Era uma excelente aluna.

Cris me contou que a autópsia seguiu os padrões de sempre. “Começamos pelo crânio e depois vai descendo. Não se deve negligenciar nada, mesmo os órgãos aparentemente não atingidos. São retirados os órgãos principais, que são pesados e medidos, e deles retiramos pequenas amostras para análises. Durante uma autópsia, se descreve continuamente tudo que está sendo feito, para que seja gravado e, depois, transcrito.”

Foi Cristina quem, há 20 anos, me disse que a base do crânio de Senna tinha inchado de tal forma que ele ficou bastante desfigurado, “a cabeça em forma de pirâmide, com a base larga”. “O que eu me lembro foi que no estudo das meninges cerebrais foram encontradas lesões que lembravam ferimentos típicos de soldados que morreram em conflitos militares por explosões próximas de bombas.”

Cristina lembrava da roupa com que o corpo de Senna foi vestido: terno preto, gravata cinza e camisa branca, comprados em Bolonha. A cabeça desinchou porque os médicos usaram fármacos para reduzir os edemas cerebrais.

Ele morreu na pista?, repeti a pergunta feita há 20 anos no meu quarto de hotel em Bolonha. A resposta foi exatamente a mesma, a mesma que estaria no primeiro laudo dos legistas, que acabou sendo minha última matéria na “Folha”, porque me demiti depois. “Do ponto de vista jurídico, o conceito de morte não é o que mesmo que se usa em linguagem normal. O que se pode dizer é que as lesões encontradas eram incompatíveis com a vida, e como consequência ele podia ser considerado morto, sim.”

Picture 009

O prédio onde vive a doutora Maria Teresa Fiandri, em Bolonha.

Fui encontrar a doutora Maria Teresa dez anos depois, em 2004, na penúltima vez em que estive em Imola. Fiz uma entrevista com ela que pode ser lida aqui. Foi nesse pequeno prédio na periferia de Bolonha, na Via dei Lamponi. Ela nos recebeu numa segunda-feira ensolarada e luminosa, com aquele céu de um azul pálido e profundo e um ar fresco que, por alguma razão, só se percebe na Emilia Romagna no começo da primavera. Ela nos recebeu em seu pequeno apartamento com cortesia e gentileza. Dias antes fomos à Tamburello, pelo lado de fora da pista, margeando o rio Santerno. As fotos não são boas

tamburello

A Tamburello, vista de trás. À direita fica o rio Santerno.

Em 1994, não tínhamos celulares, ou câmeras digitais. Tampouco tínhamos  o hábito de fotografar tudo, de quartos de hotel a pratos em restaurantes, como hoje. Mas de vez em quando fazíamos um ou outro registro. As fotos que acompanham este texto, que receio ter sido exaustivo e bocejante, foram feitas naquele fim de semana.

crisgervasi

Outras são de 1981, dos tempos de colégio, quando conheci a Cris, esta bela médica de sorriso tímido e olhinhos espertos que um dia entrou na minha vida e, como todas as pessoas que amamos um dia, nela ficou para sempre, porque ao contrário do que já escreveram tantos, nenhum amor acaba.

250 comentários

  1. Figo disse:

    Por favor, mantenha este texto sempre online.

  2. Daniel Giannetti disse:

    Alguns motivos me impediram, por alguns meses, de ler seu blog.
    Fiquei encantado com os textos, forma e conteúdo.
    Realmente um dos melhores, parabéns.

  3. Silvio disse:

    Belíssimo post, Flávio! Um dos melhores e mais saborosos que já li. Bravissimo!

  4. Ramilo Eduardo Costa disse:

    Sensacional. Sinto como se estivesse sentindo o mesmo que você em suas descrições. Pura admiração com essa capacidade que vc tem. Como não a tenho, me divirto e viajo com quem tem. Não sou de fazer comentários, mas não posso deixar de fazê-lo

  5. Eduardo Lima disse:

    Parabens pelo belo texto. Flávio, voce não tem interesse em escrever um livro sobre esse episódio que viveu tão de perto e que mostra que o marcou demais.

  6. Paulo Cesar disse:

    Embora eu discorde muito de seus gostos e ás vezes egocentrismo, admiro pelo jornalista que és. Acompanho seu blog desde o início; História fantástica. Parabéns pelo texto.

  7. Paulo Leite disse:

    Esperei vários dias para ler em algum lugar se Piquet se manifestaria sobre o assunto. Nāo achei nem li nada. O silêncio dele é constrangedor.

  8. perna quebrada disse:

    1)Desses textos todos o que me chamou a atenção o trecho em que o empresário do Rubinho diz que a solda foi feita a pedido do Senna.
    2) Fico impressionado com a capacidade dos médicos em ver o corpo humano com vemos as peças do motor de um carro (pesar, medir…).
    3) A banda Bidê ou Balde concorda com você.

    Mesmo Que Mude.
    http://www.youtube.com/watch?v=-ax9owTDtyI

  9. Marcos Gonçalves disse:

    Agora sim, um bom texto. Despido da “necessidade” de desmistificar o Senna. Aliás, sua namorada poderia ter seguido o jornalismo, pois ela é muito boa com as palavras.

  10. Jeff disse:

    Adorei. Um de seus melhores textos…parabéns!

  11. marcelo humberto dias disse:

    Parabéns Flávio,

    Ótima reportagem, foi atrás de fontes, de namorada antiga, de médico, enfim; correu muito, como bom piloto e repórter.

  12. e eu pensava que não tinha mais nada a ser lido nesses 20 anos.

    excelente texto. meus parabéns.

  13. Paulo Pinto disse:

    À meia-noite acaba a Semana Senna. Hora das “viúvas” voltarem para o mausoléu.
    E não fiquem perambulando por aí, com seus lencinhos.
    Respeitem o toque de recolher!
    Em 2024 tem mais.
    Bons sonhos.

  14. Marcelo Pacheco #49 disse:

    mto boa postagem.

  15. Eduardo Martins disse:

    Bah ! O melhor texto para o maior piloto ! Parabéns pelo magnífico texto, Flavio !

  16. Caralho, meu. Chorei no final, aqui.

    Vivíssimo, seu texto. O mais vivo que já li sobre aquelas mortes de 20 anos atrás.

  17. John Player disse:

    “Companheiro de Senna em 1994, o inglês tem convicção de que a pressão dos pneus do carro do brasileiro caiu dramaticamente durante as voltas atrás do safety-car, novidade naquela temporada.”

    Ok, Mr. Hil, mas este “fenômeno” da queda da pressão dos pneus só por andar algumas voltas atrás do safety car só aconteceu com o carro de Senna naquela relargada?

    Vai ser duro achar um inglês que admita que uma equipe inglesa, a Williams, teve “muita participação” na causa do acidente que vitimou Senna.

    • Paulo Pinto disse:

      Os pneus foram os culpados? Ao tribunal com eles!

    • Luiz Coutinho disse:

      Esse Hill sempre foi incompetente como piloto. Não poderia ser diferente dando a versão dele (afinal de contas é inglês, como a escuderia Williams). A National Geografic (britânica também), se não me engano em 2004, fez um documentário sobre a morte do Senna e concluiu, resumidamente, que Ayrton era um excepcional piloto e quando percebeu que havia algo de errado com o carro na curva Tamburello teve reações “rápidas demais”, o que contribuiu para o desfecho fatal. Só idiotas para acharem que um piloto habilidoso como o Senna, sabendo que iria colidir em alta velocidade no muro, não iria tentar amenizar o impacto (freada brusca e redução de marchas). Infelizmente nosso grande campeão foi vitimado por uma série de acontecimentos (quebra da coluna de direção, choque violento no muro com absurda desaceleração, perfuração do crânio pela barra push-road da suspensão e choque da roda contra o capacete, prensando a cabeça contra o santo antônio). Fatalidade absurda.

  18. Harry disse:

    Tenho ótimas recordações desta padoca do Objetivo Pinheiros que frequentei aos 18 em 1983.

  19. Que coincidencia Flavio! So mostra como sua vida era mesmo para fazer oq vc faz!

    Bom saber isso de uma profissional do ramo. Gosto de ler esses pareceres de pessoas do ramo. Nao que seja alguma novidade, mas é sempre bom!

  20. Helio disse:

    Ce escreve bem Flávio, mas o texto da Cris te superou. Mas pensando melhor, não foi a escrita que me tocou, mas sim o que ela e seus colegas fizeram, desde as rosas nos caixões, os aplausos ao Ratzemberger, até a iniciativa de “reutilizar” as flores, foram gestos belíssimos. Vai lá, que a Galega é gente boa!

  21. Paulo Barros disse:

    Simplesmente fantástico o texto! Parabéns!

  22. Wagner Viscari disse:

    Excelente, como sempre!

  23. Rodolfo I. Vieira F.º disse:

    Que história !! Fascinante , cada detalhe , cada informação privilegiada e especial .

  24. Daniel Gomes disse:

    Flavio, seu FDP, eu poderia ler seus textos na linha desse por horas a fio. Você devia escrever um livro com o máximo de casos bacanas possível (e sei que você deve ter muitos mais) e eu o leria um milhão de vezes.

    Você é um trolador de primeira, me irrita varias e varias vezes, mas seu talento para escrever ninguém te tira e ninguém pode questionar.

    Obrigado por compartilhar suas histórias incríveis conosco de forma brilhante.

    Abraços do seu primo perdido de Belo Horizonte.

  25. José Brabham disse:

    Bocejante? Jamais! De tirar o fôlego… Parabéns!

  26. Senna Nascimento Dondinho Arantes da Silva disse:

    Milton Nascimento e Ayrton Senna – Canção da América

    http://3.bp.blogspot.com/-2pz-aXdAusU/UMDyUXmNnFI/AAAAAAAACZ0/9aDGt7nBxC0/s400/64.jpg

    Milton Nascimento teve em Senna mais do que uma inspiração. Eles se conheceram no início da caminhada de Senna na F-1 , e a expressão” grande amizade” é a que melhor espelha o relacionamento entre os dois ídolos. Milton sente muito a falta do amigo que partiu, e a foto em preto e branco que registra um encontro dos dois é a única a ter espaço sobre o piano de cauda do artista em sua casa no Rio. De todas as músicas interpretadas por Milton, “Canção da América”, que diz que “quem cantava chorou ao ver seu amigo partir”, era a favorita de Ayrton. Em depoimento exclusivo para esta edição, Milton Nascimento fala com carinho do amigo que partiu:

    “Do Ayrton jamais vou esquecer as caridades que ele
    fazia e a nenhuma recusa dele em dar autógrafos, tratando a todos com uma paciência que nem eu tenho de vez em quando. Antes mesmo de ele falar que sua música preferida era ‘Canção da América’, eu já sentia isso na sua maneira de ser amigo. Então, quando me falou a respeito dela, não foi nenhuma novidade para mim. Ayrton está sempre presente em minha cabeça. Uma coisa que me deixou impressionado com relação a ele eram as minhas idas ao Japão. Nas entrevistas que eu dava, falava mais dele do que de mim. Ayrton Senna era o Imperador do Amor no Japão. Ele deixou para o mundo seu espírito de vencer, a simplicidade e o amor que tinha ao Brasil. ..
    .
    Pelé relembra pai no Atlético Mineiro; assista
    http://www.jornaltudobh.com.br/esportes/pele-relembra-pai-no-atletico-mineiro-assista/

  27. Emocionante e esclarecedor… É o tipo de texto que nos passa várias emoções. Eu sorri, me arrepiei, me emocionei… Mas não bocejei em momento algum.

  28. Cláudio Horta disse:

    FG, parabéns pelo texto … Excelente material de 20anos, como se diz aqui em Minas, “junta td isso e faz um livro”.

  29. Francildo disse:

    Coincidência interessante: Estou lendo esse belo texto, neste momento, dentro de um IML (sou funcionário do IML de Belém do Pará).

  30. Jason Urias disse:

    Nada exaustivo e muito menos bocejante. Foi o texto mais bacana que li nesses tempos de rememórias.

  31. Le disse:

    Depois deste, não há mais o que ler sobre o fim da era Senna. E acrescentado pela sua vivência pessoal, aqui dividida com os seus leitores, o texto ficou especialmente bonito e sem dúvida, muito emocionante. Parabéns!

  32. Marcelo Binueza disse:

    Flavio, acompanho seu blog há muitos anos… mas essa é sua melhor postagem, seu melhor texto… sem dúvidas!!

    Parabéns!!

    Muito verdadeiro, muito humano.

  33. Danilo disse:

    curto e grosso…Belo texto!!

  34. Ricardo Alves Mendes disse:

    Belo relato, o tom intimista trata com respeito os dois seres humanos que partiram de forma tão violenta, parabéns.

  35. Filhos mitos disse:

    Dondinho e Pelé (os mineirinhos)
    http://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_Ramos_do_Nascimento

    ou

    Milton e Ayrton (os paulistinhas)
    http://www.sportetstyle.fr/lifestyle/culture/p,882,8,ayrton-senna-portraits-d-une-legende.html
    .
    Qual dupla de pai & filho foi mais formidável?
    .
    Essa é difícil, é ou não é?

  36. Luiz Carlos disse:

    Boa publicação, fugindo do esteriótipo “mais do mesmo”. E tem gente que ainda perde tempo com teorias de conspiração ou sei lá o que. O piloto Senna se foi, mas, o mito Senna é eterno.

  37. mauro disse:

    Sensível, preciso e poético. Parabéns pelo belo texto Flavio.

  38. Fabrício Citro disse:

    O melhor texto sobre o assunto, fugindo do mais do mesmo que se viu nas redes sociais, televisão e jornais.

  39. Speed Racer da Mooca disse:

    Interessantíssimo texto que nos dá uma noção do ambiente daqueles dias na Itália. Ainda mais pra mim, que pouco li sobre tudo o que ocorreu nos dias que se seguiram. Não quis mais saber, o Senna estava morto, o vi morrer e pronto. Consegui me manter interessado na Formula Um e no GP seguinte, 15/05, o de Mônaco, estava eu em frente a TV seguindo minha vida. No entanto, lendo o este texto, alguns fatores me fizeram somente agora começar à pensar no aconteceu, 20 anos depois. Realmente me lembro de que desde a primeira corrida daquela temporada as batidas que o piso do carro dava no chão eram muito frequentes, existem inúmeras imagens do FW16 soltando faíscas nas pistas. Essa história de terem substituído a barra de direção do carro do Hill, a definição da proibição do uso da suspensão ativa depois do carro estar em finalização, tudo isso me sugere algo que talvez ( talvez! ) possa explicar o que acarretou aquela saída de pista. Ao meu ver, (no meu ponto de vista ) primeiro, tratava-se de um carro que não havia sido projetado para aquele sistema de suspensão. Segundo, provavelmente havia algum sistema eletrônico ilegal de direção, algo que pode ter dado pane naqueles segundos fatídicos, mudando a trajetória, algo assim. Naquele dia, eu com 23 anos cheguei por horas à pensar que havia sido um incomum, mas possível erro do Senna, pois pra mim era muitíssimo plausível que Ayrton Senna poderia sim cometer um erro naquele ponto. Mas depois as primeiras informações, das poucas que acompanhei, davam conta de que algo aconteceu no carro. Nunca acreditei piamente que Senna tivesse morrido na pista, que naqueles momentos que pareceram dias, ele já havia “ido à óbito”. Agora sabemos que sim, deu entrada no Maggiore sem vida e que não se tratou de um erro dele.

  40. Murilo disse:

    Flavio, e aquelas pessoas que chegaram perto do carro, logo depois que Senna bateu, nunca foram entrevistadas não?

  41. Burn Baby Burn.. disse:

    Simplesmente excelente e genial seu texto Flavio, saboreei cada linha cada parágrafo.

    E este seu texto coroou meu feriado juntamente com a maratona Aírton Senna da SportTV,

    Quem assistiu teve o prazer de respirar mesmo que por apenas 1 dia toda a atmosfera da F1 das décadas de 80 e inicio de 90, e testemunhou coisas incríveis, Informações que até pouco tempo, eram questionadas, por muitos mal informados que por aqui apregoam suas demagogias, gente que duvida da verdade, ou sei lá porque tenta mudar os fatos com idiotices captadas no mais jurássico esquema “telefone sem fio”.

    Como aquelas voltas em que o Senna em Interlagos se utilizou apenas da sexta marcha para vencer aquela corrida incrível, Os quando colocou 1 minuto de diferença na pole de Monaco em seu companheiro de equipe Alan Prost.. Ou Mônaco em 1984 quando Balestre roubou sua vitória.

    Ou o show de Donnington, os aquela presepada de Alan Prost e Jean Marie Ballestre “Ex Déspota ufanista presidente da FISA” que tiraram seu titulo, e o tapa com luva de pelica no abalroamento da Ferrari dando o troco no ano seguinte.. Ou aqueles que o achavam rabugento nos breefings dos pilotos naquela época, onde só ele defendia a segurança “como no caso de monza”, em que peitou o Ballestre.. ou quando se retirou de uma desta reuniões quando foi ironizado por Nelson Piquet “meu ídolo” justamente por causa da chacota que Nelson fez sobre as saídas das chicanes, por aqueles que errassem a freada etc..

    Assim como aquele documentário incrível após a maratona das corridas, com videos explicativos que eu mesmo que vivenciei aquela época nunca havia visto.. Explicando tin tin por tin tin.. tudos aquels fatos que ocorreram na época, Informação correta e responsável com filmes mostrando as conversas, as reuniões do terrivel Ballestre,

    Espero que os detratores de Senna tenha se dado a curiosidade de assisti-lo assim será possivel esmaecer o volume de boçalidades e inverdades que aventam atualmente pela internet sobre este piloto pelas bocas ferinas destas pessoas totalmente desinformadas sobre os fatos da carreira do Senna..

    Reitero aqui sempre… Sou fã do Nelson Piquet e não abro mão disso, mas sempre achei incorreto o que justamente uma parcela dos Brasileiros que por aqui postam posts sobre “viuvisses” etc.. Gente que não vivenciou aquela época, gente que coloca a rede globo, Galvão Bueno e sua maquina de publicidade em um mesmo saco incluído o Airton nisso.

    Gente que não aceita o grande piloto que ele foi, e que na opinião dos jornalistas sérios e pilotos profissionais de todo o mundo, o consideram o melhor de todos.. “mesmo com a penca de títulos de Schumacher amealhou após a sua morte….

    Mas basta levar em consideração da inédita comemoração do “Senna day” ontem em Ímola, para provar, que esta minoria “brasileira” demagoga, não se faz notar..ou se faz pouco notar.. e que adoram por hobby ou por alguma doença cronica espezinhar os feitos de Senna.

    Ontem dia 1 de maio este homenagem de imola ecoou por todo o mundo.. reverenciando o talento por um apreço gratuito que adoradores da formula 1 do mundo inteiro tinham .. “e ainda tem” ,por Aírton Senna, espelhados em seus filhos e netos e pessoas que não vivenciaram esta época de ouro, do automobilismo..

    Ontem a comemoração em Ímola “que se estenderá até domingo” com 20.000 pessoas na tamburello foi de tirar o folego, sem palavras.. senti orgulho de assistir isso, o mesmo orgulho que tinha de ter um Aírton Senna do Brasil ou um Nelson Piquet, Emerson, Pace, conterrâneos do meu Brasil varonil..

    https://www.youtube.com/watch?v=9UtTND9rJgM

    Minha opinião pessoal claro…

    • Burn Baby Burn!! disse:

      Em tempo.. cabe algumas ponderações

      1 Senna é campeão em 88 derrotando prost na mc laren

      2- Senna é derrotado por balestre no tapetão em 89, sagrando prost campeão

      3- Senna se saga campeão em 90 sena derrota prost na colisão “troco”

      4- Senna campeão pela Mc Laren em 91 se sagra tri campeão, prost já tri campeão abandona a carreira..

      5- Mansell campeão em 92 supremacia tecnológica da willians

      6- Prost retorna misriosamente para se sagrar campeão em 1993 com a super willians

      nota:lembramos do afastamento sabático de prost, que retornou para ser Tetra campeão pela Willians, em 1993, pilotando a antológica willians de suspensão ativa, prost se torna campeão e novamente abandona a carreira.. o mais interessante é que justamente no final de 1993 Jean Marie Ballestre dirigente da Fia abandona o cargo. e misteriosamente todos os facilitadores eletronicos foram abolidos em 1994..

      E após a saída destes dois personagens polemicos a Fia aboliu misteriosamente todos os facilitadores eletronicos paraa 1994..

      Justamente quando Senna assumiria o volante da Willians, não teria sido então a ultima cartada de ballestre para cima de Senna em 1994..

      7- Senna morre em 1994 com uma Willians completamente depauperada da tecnologia que a sagrou o melhor F1 de todos os tempos

      Bom.. opinião pessoal é claro.. mas teorias de privilegio para pilotos franceses a parte.. realmente foi muito estranho que justamente quando o Airton iria ganhar tudo com aquela super Willians, foram abolidos os eletronicos.. o prost campeão abandona sua carreira, e Jean ballestre pede a conta.

      Para mim uma armação “ballestrina” para conceder o quarto titulo para prost, e puxar o tapete de Senna,, que ballestre não nutria nenhum afeto..conforme o Flavio disse.. Senna cansou de dizer.. justamente na minha vez cagara no carro” rsrs

      coisa para se pensar…

      • Burn Baby Burn!! disse:

        Finalizando e justificando o porque de minhas ponderações, no filme em questão a partir do time 27:08 – https://www.youtube.com/watch?v=JcFMLwWiuxg

      • Segafredo disse:

        Amigo Burn,…..eu sempre tentei mostrar nos comentários o quanto alguns leitores do blog tentam sacanear o Senna com piadas, chacotas sem fundamento e td mais que somente quem tinha muita dor de cotovelo, poderia expressar: Ressentimentos, recalque sei lá mais o que faz este pessoal tomar partido contra os feitos na pista do Ayrton Senna. O cara foi tão especial, que qualquer demonstração de admiração por qualquer leitor vira ufanismo, ou então a culpa recai sobre a emissora detentora das transmissões. ?…como se aqueles que lá estavam nos trabalhos de transmissão, não pudessem se espantar com tamanha genialidade do piloto. Em fim isso tudo que acontece aqui no blog não passa de apenas tentativa de diminuir o maior piloto que a F1 expôs.
        Grande Abraço!

      • Burn Baby Burn!! disse:

        Grande Segafredo,

        Entendo o conteúdo de tuas ponderações, e assino embaixo por este conteúdo. Sempre fui avesso a este tipo de modus operandv utilizado por uma minoria de brasileiros que sabe-se lá porque.. nutrem ha 20 anos pura aversão por Senna, e gastam laudas para tentar detratar a carreira do piloto. que por ter morrido, não pode mais se defender..

        Mas este tipo de expediente não é novidade.. já foi muito utilizado, na Alemanha nazista pelo carniceiro e general de Hitler Joseph Goebbels que se notabilizou pelo infeliz pensamento ““Uma Mentira contada mil vezes, torna-se uma verdade.” Ou na russia como nas duas fotos exemplo abaixo, quando ex camaradas do partido se tornavam personas não gratas, acabavam presos ou assasinados e sua existências “quando publicas” eram sumariamente apagadas da história ao bom estilo Photoshop:

        http://obutecodanet.ig.com.br/wp-content/uploads/2011/05/fake2.jpg

        http://www.yorokobu.es/wp-content/uploads/troskidef.jpg

        Este expediente se chama contra-informação –
        http://pt.wikipedia.org/wiki/Contrainforma%C3%A7%C3%A3o

        Mas.. ainda bem que hj é possível contar com a tecnologia e claro documentários como o que fizeram recentemente, embasados por pilotos, repórteres e cinegrafistas experientes ávidos pela história, pela verdade, e desta forma toda esta “contra-informação” em relação a Senna, que ao meu ver só acontece por nossas “plagas brasillis” é aventada, caem por terra definitivamente.

        Destaco também outro vídeo de igual teor e credibilidade realizado pelos ingleses do Top gear com a análise de Martin Brundle.
        Martin foi um grande oponente de Senna, e usou toda sua experiencia como piloto de f1 para tecer esta análise com referencia a genialidade no estilo pilotagem de Senna: a partir do time 02:42 http://vimeo.com/52663077

        valeu..

    • Leonardo disse:

      Meu caro,

      Boa noite,

      Concordo com suas colocações, entretanto há um equívoco em afirmar que houve chacota do Piquet sobre saída da chicane, na verdade ele queria demonstrou não ter concordado com o que ocorrera no ano anterior, e Senna deixou a reunião justamente pelo fato de ter sido confirmado que se ocorresse novamente não haveria punição, confirmando, nas entrelinhas, que a punição no ano anterior fora política.

      • ELTON O disse:

        Exatamente. Esse foi o ponto. Ao seu modo de nunca dar o braço a torcer, Piquet deu uma cutucada no Ballestre em favor de Senna.
        Flavio, tens muito do dom da escrita. Apesar de ja termos muita literatura a respeito, um livro seu seria algo bem vindo.
        Abraços a todos, dormi praticamente 6 horas desde sabado, pois trabalhei a noite e assisti toda a apresentação sem precedentes da Sportv. E valeu muito a pena.
        Na minha opinião, a melhor corrida foi a de Jerez 86, pude estar ao lado desta Lotus em SP. No Salão do Automóvel deste ano talvez tenhamos as duas, mas sei de fonte segura que tanto a Renault quanto à Honda andam querendo interferir em qual carro será exposto. Espero que tenhamos as duas.

      • Xeque Mate no Piquard disse:

        O Piquet não agiu em favor do Senna, naquele episódio…foi o contrário! Estava querendo “encher o saco” do Senna, no momento decisivo, horas antes da “revanche” contra o Prost! O Senna entendeu isso na hora e, por isso, abandonou a reunião dos pilotos, dizendo que não ia ficar ali, ouvindo e discutindo o óbvio, o passado, com o Piquet, os pilotos e com os cartolas, perdendo a concentração…O Piquet agiu com picardia, como sempre…enchendo o saco do Senna…já não tinha chances matemáticas no campeonato desde a metade da temporada e estava em fim de carreira (aquele foi seu penúltimo ano) …aquele GP Japão (21 de outubro de 1990) pro Piquet era só diversão, só prá cumprir tabela…e ele acabou ganhando aquela corrida (com a batida da McLaren do Senna na Ferrari do Prost, que deu o bicampeonato ao Senna)…Foi a penúltima vitória do Piquet na F1…depois de mais de 3 anos de seca…sua última vitória tinha ocorrido em 6 de setembro de 1987, na Itália

      • viúva solitária disse:

        Na verdade, Nelson Piquet tem muita inveja de Senna, que mesmo falecido, continua sendo melhor do que ele. Ele pode viver mil anos, que nunca será ¨Nelson Piquet do Brasil!!!”.

      • Paulo Pinto disse:

        Senna colocou 1 minuto em Prost, na pole em Mônaco. QUANDO?

        Punição política? ONDE? Todas as punições são aplicadas dentro do regulamento.

        Vocês, “viúvas”, além de chatas são mal informadas.
        Explicarei, mais uma vez: mesmo que a FIA devolvesse os pontos da vitória no Japão, eles seriam insuficientes para Senna levantar o título em 1989.
        Consultem a temporada em questão e façam as contas.

        E parem de encher o saco com a historinha de campeonato roubado.

      • Burn Baby Burn!! disse:

        Olá Paulo Pinto, com certeza vc gosta de se basear em desinformação de terceiros “nãos qualificados” para definir de forma demagógica o desenrolar dos fatos supra citados acima sobre a carreira de Senna.

        É notório que vc tem preguiça de assistir a documentários e checar estatísticas que estão pela net. não gostar de Senna é plausível.. é democrático. Mas se furtar a verdade pregando mentiras, é demagocia pura..

        Então aqui está a classificação da famosa pole de 1.1 segundos em cima de Prost em Monaco de 1989. http://en.wikipedia.org/wiki/1989_Monaco_Grand_Prix

        Resultados Pole

        1 1 Brasil Ayrton Senna McLaren – Honda 1:22.308
        2 2 França Alain Prost McLaren – Honda 1:23.456 1,148
        3 5 Bélgica Thierry Boutsen Williams – 1:24.332 2,024
        4 7 Reino Unido Martin Brundle Brabham 1:24.580 2,272
        5 27 Reino Unido Nigel Mansell Ferrari 1:24.735 2,427
        etc..

        Reitero que assistia o documentário do Senna a partir do time 27:08 – https://www.youtube.com/watch?v=JcFMLwWiuxg

        Não custa nada vai no time..é rapidinho!!, explica tudo sobre este caso, e assim vc nos poupa das velhas falacias e inverdades costumeiras que já estamos cansados de ler por aqui.

        valeu brow..

      • Paulo Pinto disse:

        Burn, a desinformação partiu de você. No seu primeiro comentário está escrito:
        1 minuto.

        Um abraço.

      • Burn Baby Burn!! disse:

        Caro amigo Paulo de 1.00 para 1.140 . Vc se estressou porque eu errei por causa .0,140??

        Bom então peço desculpas pelo incomodo brother..

        Valeu…

      • Leonardo Costa disse:

        Não. Ele estressou porque você escreveu minuto, mas a diferença é em segundos.

      • Burn Baby Burn!! disse:

        rsrsrs grande amigo Leonardo. obrigado por esclarecer a “ponderação” do colega Paulo Pinto. Bom..1.104 o senna colocou no prost, pior foi em Mansell e cia Ltda.. tomaram mais de 2seg.. rsrsrs uma verdadeira “Judiação” com os colegas pilotos “de ponta ” da época..

      • Burn Baby Burn!! disse:

        Caros amigos Leonardo e Elton, agradeço pela correção histórica do erro que cometi e reconheço, peço desculpas para todos os amigos do nosso glorioso FG forum por isso.

        Realmente “meu ídolo” Piquet defendeu a manutenção da chicane, e com a aprovação dos pilotos por votação solicitada pelo diretor da prova, Senna se retira indignado, pois no ano anterior foi prejudicado com um titulo subtraído conforme todos aqui já sabem..

        Imagino que se o Ex Pres. Ballestre não tivesse pendurado suas chuteiras no ano anterior, qual teria sido a resposta de todos os pilotos em relação a questão de Piquet nesta reunião?

        Todos o temiam..menos os pilotos franceses, lembro que poucos pilotos incluindo o Senna tinham coragem de peitar o velho “franco ufanista” ex colaborador dos nazistas Ballestre.

      • Ju-Leônidas Senna da Silva Batista disse:

        O cara do Top Gear já confessou, num belo programa feito depois do impacto do filme Senna, de 2010: “eu achava que o Villeneveuve era o melhor piloto da história, mas por causa do filme Senna (2010), tive de ver horas e horas a fio de imagens de corridas do Senna, para chegar à conclusão: Senna foi o melhor piloto da história, sem dúvida nenhuma. Enquanto o Villeneuve foi espetacular em algumas corridas, em alguns momentos, SENNA FOI ESPETACULAR EM TODO E QUALQUER MOMENTO QUE DIRIGIA UM CARRO DE CORRIDA!
        O Piquet, por exemplo, deveria ser eternamente grato. Foi Senna que possibilitou ao Piquet seu momento de Pelé, seu momento de Senna (todo e qualquer esportista tem esse momento inspirado: seu dia de Pelé, seu dia de Senna…depois “volta ao normal”): aquela ultrapassagem na Hungria, o caarão da Williams sobre o “freio-de-mão Senna”: O PIQUET FOI SENNA POR UM MOMENTO, EM ALTO ESTILO!
        O Júlio Batista deu uma bela bicicleta, outro dia, num jogo do Cruzeiro…lembrou o Pelé e o Leônidas da Silva…

      • Burn Baby Burn.. disse:

        Caro amigo Ju-leonidas,

        Sim.. você está correto.. O inglês e apresentador do famoso programa “Top Gear” disse isso mesmo.

        Quem não acreditar pode assistir este momento exatamente no fim do programa acessando o link abaixo – http://vimeo.com/52663077

        Entretanto para saber “o porque” que o apresentador chegou nesta conclusão melhor assistir o vídeo a partir do time 02:42 http://vimeo.com/52663077

        Valeu brother

  42. Belo texto, Flávio! E que história! Parabéns!

  43. Serginho disse:

    Que texto. Informação, sensibilidade e serenidade na medida certa. Parabéns.

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