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quarta-feira, 9 de julho de 2014 - 23:13Futebol

NÃO FOI ACIDENTE, DONA LÚCIA

capaextraRIO (mirem-se na Alemanha) – No dia da final da Copa das Confederações, há pouco mais de um ano, Carlos Alberto Parreira fez um dicurso motivacional antes do jogo e usou uma frase de efeito para os jogadores que dali a instantes enfrentariam a Espanha. “Existe uma hierarquia no futebol, e eles foram campeões do mundo sem enfrentar a seleção brasileira!”, bradou para a turma do #ÉTóisss.

Ui, quanta valentia.

E aí a seleção foi para cima da Espanha, um time já envelhecido e que tinha gasto muitas de suas horas em solos brasileiros tomando caipirinha e comendo putas durante um torneio que não valia nada — exceto talvez ajudar os branquelos e branquelas de camiseta de 200 paus da Nike, unhas muito bem pintadas e cabelos loiros, a não se atrapalharem na hora do sonho intenso e raio vívido, muitas vezes trocados pelo amor eterno seja símbolo, naquela zona de hino que fala de coisas incompreensíveis como impávido colosso, florão (flor grande?) da América, terra garrida, clava forte, verde-louro (é aquele da Ana Maria Braga?) e lábaro que ostentas.

O time ganhou, os branquelos aprenderam a cantar o hino, aparentemente, os jogadores passaram a ensaiar os mesmos versos para cantá-los com os dentes cerrados, e vamos para a Copa do Mundo. Antes, vamos quebrar também umas vitrines, culpar a Dilma, criar umas hashtags, #VemPraRua, #NãoVaiTerCopa, reclamar das filas nos aeroportos, bater umas selfies e escrever #ImaginaNaCopa no Facebook quando atrasar um voo da TAM para Orlando.

Acelera o filme e chegamos ao final de maio, maio agora, um mês e meio atrás. Dia de apresentação da seleção em Teresópolis, entrevistas coletivas, olha só como tudo ficou bonito, olha só a estrutura, os quartos, as bicicletas ergométricas, os campos de futebol, a sala de imprensa, as banheiras de hidromassagem, as TVs de LCD, o WiFi funcionando. Felipão: “Nós vamos ganhar a Copa”. Parreira: “Chegou o campeão. Estamos com uma mão na taça. A CBF é o Brasil que deu certo”.

Acelera um pouco mais o filme, chegamos ao dia 8 de julho, vulgo ontem, Mineirão. Como tinham feito nas cinco partidas anteriores, os jogadores entram em campo um com a mão no ombro do outro, feito minha classe na Escola Municipal Dona Chiquinha Rodrigues, em 1971, no Campo Belo, quando eu estava no primeiro ano primário. Cantávamos o hino todos os dias, mas nunca precisei colocar a mão no ombro de ninguém porque era sempre o primeiro da fila, por ordem de tamanho.

Tal rotina cumprida por todo um período escolar me permite não embaralhar versos até hoje, garanto que nunca enfiei a paz no futuro e a glória no passado depois do formoso céu, risonho e límpido, mas ao mesmo tempo me privou de decorar de maneira adequada o hino da independência, porque esse a gente zoava mesmo, eram os cinco filhos do japonês, cada um deles contemplado com uma desgraça diferente, um era vagabundo, outro era punheteiro, e o coitado do quinto tinha nascido sem pinto. Como esse a gente cantava só uma vez por ano, não tinha problema algum abrir mão daquelas baboseiras de garbo juvenil, grilhões da brava gente brasileira, e perfídia astuto ardil é a puta que pariu. Na mesma vida ter de decorar lábaro que ostentas estrelado e ímpias falanges é um pouco demais, não força a amizade.

Pois que os meninos da CBF, o Brasil que deu certo, adentraram o gramado em formação de grupo escolar, perfilaram-se, urraram o hino nacional segurando uma camisa do Neymar Jr. como se fosse a farda de um soldado abatido em Omaha Beach, enquanto o próprio assistia ao jogo em sua casa no Jardim Acapulco pingando fotos no Instagram, #ÉTóiss.

Parêntese. No dia anterior, três dos meninos da CBF também colocaram fotos no Instagram com a hashtag #jogapraele, respondidas, as fotos, com a hashtag #jogapramim pelo soldado abatido na guerra, Neymar Jr. Todos eles, Neymar Jr., Marcelo, Willian e David Luiz, receberam quantia não divulgada da Sadia, patrocinadora da seleção, para a, como se diz hoje, ação. Foram alguns milhões de curtir & compartilhar que deixaram os marqueteiros da empresa muito satisfeitos e ansiosos para saber quantos frangos seriam vendidos no dia seguinte, enquanto os rapazes rangiam seus dentes gritando pátria amada, Brasil.

Então começou o jogo e foi aquela coisa linda.

Então acabou o jogo e estavam todos atônitos, pasmos, chocados, passados, desacorçoados, e os câmeras da FIFA se divertiram fazendo closes de garotinhos com fulecos na cabeça derramando lágrimas no peito de papai com um TAG-Heuer no pulso. Oh, coitados. E os óculos Prada embaçados com as lentes melecadas de rímel? Pobres almas.

Acelera a fita e chegamos à coletiva de hoje, sete figuras em Teresópolis numa mesa, uns dois ou três eu não tenho a menor ideia de quem fossem, ou sejam, porque continuam sendo alguém. Reconheci Parreira, Felipão, Murtosa, o médico, acho que o preparador físico. Tinha um de agasalho, quase um boneco de cera, no centro da mesa tal qual um Jesus Cristo na última ceia, que entrou mudo e saiu calado, e portanto não devia ter grande importância.

E o que se viu foi uma demonstração de arrogância, soberba, prepotência, falta de humildade, um festival de sandices, um arroto coletivo coroado com a carta da dona Lúcia.

Dona Lúcia é a grande personagem desta Copa do Mundo, e surgiu, infelizmente, aos 44 do segundo tempo. Teria sido muito divertido saber o que ela pensava desde o dia 12 de junho, na abertura em Itaquera. Foi sua carta, na verdade um e-mail, afinal estamos em 2014 e nem dona Lúcia escreve mais a mão, fecha um envelope, lambe um selo e vai ao correio, que absolveu toda a CBF, todos os membros da comissão técnica, todos os jogadores, todos os nossos pecados. Foi a carta de dona Lúcia que permitiu a Parreira, a quem encarregaram de dar à luz a missiva, concluir que está tudo perfeito, que ele é perfeito, Felipão também, os demais da mesa, o futebol brasileiro, a CBF. Afinal, como ele disse há um ano, há uma hierarquia no futebol. E estamos no topo dessa cadeia. É nóis, mano. #ÉTóiss.

Bem, vamos a alguns fatos. Foi o pior resultado de uma seleção brasileira desde o dia em que o Homem de Neandertal deu um bico na cabeça do cara da tribo vizinha, arrancando-a e fazendo a dita cuja voar entre duas árvores. Um 7 x 1 numa semifinal de Copa gerou folhas e folhas de estatísticas, todas elas iniciadas com “nunca”. Nunca isso, nunca aquilo.

Não me senti envergonhado de nada nem durante, nem depois do jogo. Quero que a seleção se foda, não dependo dela para viver, torço para a Portuguesa, e para mim, depois de 1982, tanto faz se a CBF tem um escudo com quatro, cinco ou dez estrelas. Para mim, a equação é simples: quem se dá bem quando a seleção ganha? A CBF e os caras que tomam conta dela, mais um pessoal no entorno, mídia incluída, que se apropria das vitórias e se refere ao time na primeira pessoa do plural. Acho todos desprezíveis, então não me importo se ganha, perde, empata, se goleia, se é goleada. Olho tudo, assim, com o distanciamento e isenção necessários e torcendo apenas por uma coisa: que um dia tudo mude.

Mude, porque gosto de futebol. Porque olho para a Alemanha e fico feliz da vida de ver que um projeto feito há não muito tempo dá tão certo e é baseado apenas em honestidade de princípios, trabalho, dedicação, metas, filosofia.

Filosofia. Essa é a palavra. Em 2000, a Alemanha fez uma Eurocopa de merda e não passou da primeira fase. Fritz, Hans, Müller, Klaus e Manfred se reuniram e decidiram salvar o futebol do país. Para isso, era preciso mudar tudo. Clubes, ligas, divisões de base, campeonatos, estádios, distribuição de dinheiro, formação de técnicos, médicos, preparadores físicos, finanças, tudo. O resultado, óbvio e inevitável, seria uma seleção forte, mais dia, menos dia.

Os resultados estão aí e não vou me alongar neles. São quatro semifinais seguidas de Copas, a Bundesliga tem uma média de público assombrosa, os clubes são saudáveis, vivem decidindo os campeonatos europeus, é um sucesso. A coisa é tão bem feita e bem pensada, que os clubes são obrigados até a estabelecer uma filosofia de jogo e aplicá-la em todas as suas divisões. A distribuição de grana não é a obscenidade determinada pela TV Globo aqui, por exemplo. Atende a critérios técnicos, não a planilhas do Ibope. Em resumo, em 14 anos, o que é quase nada, os caras reconstruíram seu futebol. E o futebol na Alemanha, com o perdão da expressão, mas não encontro outra melhor, é do grande caralho.

Enquanto isso, por aqui, ele é infestado por figuras sombrias e deprimentes, gente ligada ao regime militar, múmias carcomidas, antiquadas, obsoletas, conservadoras (o treinador é admirador confesso de Pinochet), adeptas de rituais de guerra, de conceitos bélicos, de atitudes marciais, gente que não sorri, que dá asco, que, definitivamente, não tem nada a ver com o futebol que o Brasil um dia mostrou ao mundo e fez com que o mundo se encantasse por ele. E até hoje isso acontece. Esse encanto, que é claramente uma herança do passado, segue tão vivo que a Alemanha, hoje, pediu desculpas ao Brasil.

Não precisava. Essa gente não merece tamanha consideração. A seleção brasileira não representa nada, a não ser os interesses (pessoais, muitas vezes; não estou falando só de dinheiro) de meia-dúzia que há décadas se locupleta com ela. Como explicar a escolha do técnico, por exemplo? Felipão, nos últimos dez anos, perdeu uma Euro com Portugal para a Grécia em casa, foi demitido do Chelsea, mandado embora de um time uzbeque e rebaixou o Palmeiras para a Série B. Prêmio: virou técnico da seleção brasileira na Copa do Mundo disputada no Brasil.

Hoje, na tal coletiva, brandiu folhas de papel com seu retrospecto e carga horária de treinos para provar que fez tudo direitinho. Parreira, figura hedionda e sorumbática, interrompia o abatido treinador a cada resposta para rebater toda e qualquer crítica e reforçar sua autoproclamada competência, seu currículo inatacável, seu passado vitorioso de líder de polichinelo, flexão de braço, distribuição de coletes e posicionamento de cones.

O futebol brasileiro recebeu alguns recados nos últimos anos. Quando o Santos tomou duas goleadas do Barcelona, por exemplo. Ou quando o Inter foi eliminado do Mundial de Clubes por um time africano. E, depois, o Atlético Mineiro — por uma equipe marroquina. As finais da Libertadores serão retomadas agora, depois da Copa. Sabe quantos clubes brasileiros estão entre os semifinalistas? Nenhum. A média de público da Série A é não menos que ridícula. O campeonato do ano passado acabou num tribunal fajuto porque a CBF não consegue publicar uma suspensão de jogador num site. O clube que reclamou dessa iniquidade foi chantageado e ameaçado de desfiliação e acabou rebaixado, sem ter direito sequer de buscar seus direitos.

Esse futebol, ontem, levou sete gols da Alemanha. Quatro deles em seis minutos. E a turma responsável por esse vexame hilariante, hoje, não desceu do salto. Não assumiu nenhum erro. Não admitiu nenhuma falha. Não reconheceu suas deficiências. Tratou o resultado como um acidente.

Foi quando surgiu a carta de dona Lúcia. Que termina sua peroração dizendo que não entende nada de futebol. Talvez por isso os sete da mesa, mais os que nela não estavam, tenham tentado convencer dona Lúcia de que foi um acidente.

Mas não foi não, dona Lúcia.

* Ilustro este post, que nem queria escrever, porque não escrevi nada desta Copa, infelizmente (foi uma Copa riquíssima e excepcional), com a melhor das capas de jornal que vi hoje. É do “Extra”, aqui do Rio, que enterra de uma vez por todas o Maracanazo. O que aconteceu em 1950 foi uma tragédia. O que aconteceu ontem, uma vergonha. São coisas bem diferentes.

733 comentários

  1. Carlos Henrique disse:

    Parabéns flavio gomes falava isso para meus colegas de trabalho e falavam para mim que eu não era brasileiro só uma frase para esses puxa saco da mídia entrevistando esses bando de ladrões da cbf mídia de lixo. Parabéns pelo texto essa porcaria da cbf não me representa chega dessa música nojenta sou brasileiro com muito orgulho muito amor chega dessa coisa nojenta e asquerosa .

  2. Ricardo disse:

    Baita Texto Flavinho . É tudo oque eu penso também e comentei com meus amigos e com mais um monte de gente que acha que o Brasil vendeu a Copa . Parabéns !!

  3. Júlio Barreto disse:

    O problema é que eles não querem agir, aí eles dão a desculpa que a safra de jogadores não é mais tão boa, enquanto tinhamos uma boa geração de jogadores quem mais ganhou foi cbf, que não contribuíra em nada o povo ficava feliz e eles lucravam às custas dos jogadores, por isso muitos brasileiros acabam defendendo outras seleções aqui não tem troca, a cbf quer tudo para ela. Você vê o caso da Alemanha, o time não tem jogadores muito acima da média, mas eles foram campeões graças ao planejamento.

  4. Fernando Kesnault disse:

    Só tu mesmo meu amigo para escrever algo assim sensacional…parabéns!

  5. Mateus disse:

    Muito bla bla bla bla.
    Eu quero saber aonde estavam ESTES SENHORES DO APOCALIPSE ano passado, um dia depois de ganharmos a Copa das Confederações. Porque não vi 1 jornalista SEQUER dizer : O time não ta legal, Fred não é jogador para seleção, esta mal organizado o esquema tatico, vamos ser humilhados ano que vem.

    ???????????????
    Agora ficou fácil para todo mundo neh.

    • Paulo Pinto disse:

      O torcedor consciente já vinha dizendo, nas rodas e festas, que a seleção era Neymar e mais dez.
      Com Neymar, empatamos com o México e quase perdemos para o Chile. E com ele, iríamos perder para a Alemanha (claro, por um placar menos dilatado).
      Acredito que o terceiro lugar, com o time completo, seria o máximo que poderíamos atingir.

      Ufanismo não ganha Copa.

    • Celio disse:

      Meu amigo, há um comentarista que escreve no Estado de Minas, que desde muito tempo atras, vem falando das deficiências do time e que o time era ruim. Não sei se consegue pegar pela internet os comentários dele que sempre expuseram esta fragilidade.

  6. Rogerio disse:

    O texto é ácido, consegue ser mais amargo que um Mauro Cezar, mas é bem realista, infelizmente. Só discordo de algumas coisas.como o preconceito às avessas com a minoria de TAG-Heuer. Essa copa nem era pra ter sido aqui, cara!! Justamente um governo socialista, que se diz preocupado com a minoria carente, com os negros e financia bilhões em estádios, elefantes brancos, privatiza aeroportos e deixa os legados, que justamente beneficiaria a população carente, para depois?? E dá-lhe viaduto desmoronando e tapumes escondendo a sujeira!!! E discordo da Capa do Extra. O texto é bom, mas a imagem do Barbosa levando o gol fatídico deveria DEFINITIVAMENTE ser substituída por um choro dos jogadores, ou pelas caras de cu do Parreira e Felipão.

  7. Robertom disse:

    Feliz era o Futebol brasileiro no tempo em que :
    Jô era somente um humorista e apresentador,
    Luiz Gustavo um ator, Hulk um superherói,
    Bernard, Willian e Dante jogadores de volei,
    E Fred o amigo do Barney nos Flinstones!

  8. Wagner disse:

    Sensacional!
    Parabéns.

  9. TIAGO disse:

    DONA LÚCIA, NÃO FOI ACIDENTE E ABRIU UMA CRATERA DE OPORTUNIDADE

    Caro Flávio, bom dia.
    Algumas poucas discordâncias entre o que penso e o que você pensa, mas graças a Deus por isso senão seríamos apenas o mais-do-mesmo, lhe parabenizo pelo ótimo artigo, linha de raciocínio e capacidade de observação da realidade e das oportunidades que podemos (ou já podemos cravar que poderíamos?) ter após este fiasco histórico de nossa seleção canarinho. Repasso abaixo, um breve texto escrito inspirado após a leitura deste seu artigo.
    Estamos diante de uma janela, (ou será de uma cratera?), que expôe para todos os lúcidos e sãs de consciência a urgente necessidade de limpeza, estudo, planejamento, construção e constante transformação do nosso futebol. Limpeza esta que não deve ser iniciada pelo técnico da seleção, como já de costume por aqui, mas sim do alto, do primeiro escalão de milionários executivos que  não entendem de futebol, de amor ao esporte, mas sim de cifras, alianças políticas e favorecimentos.
    A Alemanha nos presta um grande favor deixando como legado um excelente estudo de caso “Como transformar um futebol combalido e fracassado em uma potência resgatando um pedaço do futebol arte brasileiro”. Pronto! Já não precisamos pensar muito, temos um manual, um passo-a-passo para absorver e implantar em nosso país, e porque não abranger as modadalidades olímpicas, aproveitando a proximidade do Rio 2016, para fazer um pacotão de mudanças? Será utopia minha?
    Procuro ser otimista e pensar no melhor, acredito que se nós jornalistas, comunicadores, articulistas, editores, executivos da imprensa transparente começarmos o processo e explodir os veículos de comunicação, as redes sociais e o que estiver ao alcance com artigos, reportagens, matérias, fotografias que proclamem esta necessidade de renovação, de forma constante, (não só agora, pós-final da copa do mundo de 2014), talvez consigamos gerar este sentimento de renovação em nossa sociedades e nos empresários que “investem” neste descredenciado futebol brasileiro, pois um espetáculo de maior qualidade, lhes renderá mais dinheiro, vide exemplo do que rende uma Champions League, um Superbowl, a NBA e etc. Pode ser que não funcione? Sim. Pode ser que façamos uma pequena poeira e depois vá embora com a primeira brisa? Sim. Porém, o que podemos perder, além do que já temos? Será que iremos piorar a realidade do momento? Penso que não.
    Penso que devemos criticar, expor nossas opiniões, mostrar o que está errado! Sim, de certo esse é o papel da imprensa, mas também percebo que essa mesma força pode ser o braço pioneiro para um processo de mudança na forma de administrar o esporte neste país.
    Já temos um movimento, (ainda não muito bem resolvido e com algumas linhas de raciocínio questionáveis, é verdade), conhecido como Bom Senso F.C. Por que não surgir agora um Diários Associados pela Transformação Desportiva, o D.A.T.E., sei que o nome é péssimo, mas esse é o menor dos problemas.
    Alemanha..agradeço o bem que fez ao futebol brasileiro! Obrigado pelo 7 x 1, por esta goleada histórica que pode ser lembrado como a pior participação brasileira em Copas do Mundo e/ou o marco de um novo e promissor futebol verde-amarelo.

    Obs.: Não sou nenhum jornalista cego que não percebe a realidade do país em questões muito mais importantes que o esporte, apenas estou tratando do assunto em voga. A mudança social do país está mais em nossas mãos do que a transformação do esporte, só precisamos despertar para isso.
    Tiago de Andrade Gomes
    Jornalista independente em constante aprendizado!

  10. Lina Vitório Campos disse:

    Flavio
    É perfeito o seu comentário. Era tudo que eu queria dizer.
    Lavei minha alma.
    Não só o Futebol, Aqui nesse Pais maravilhoso, tem que ser
    tudo mudado, radicalmente.
    Atenciosamente.
    Lina Campos

  11. Fernando disse:

    Mais uma vez um texto fantástico, você escreve muito!
    Discordo em algumas coisas (poucas) como a questão do TAG-Heuer. Pô, se o cara trabalhou honestamente para ter deixa ele, uns compram Tag e Prada outros correm de carro né?
    A Alemanha nos ensinou o resultado de trabalho sério, competente, meritocracia, com respeito, esforço, planejamento, entre outras qualidades. Espero que a lição não seja apenas na bola, que o cidadão e o político(falo de todos os partidos) no Brasil use um pouco mais destas qualidades, pode ser apenas um pouco….

  12. Robertinho disse:

    Caro Flávio, não foi vc que estava no globo esporte ou outro programa da globo ou RBS nesta semana? Não? Certamente me enganei, pelo que vc comenta da globo deve ser um cara de princípios, Kkkkkk, dá-lhe hipocrisia Brasil.

  13. Ulisses disse:

    É isso aí!!!

  14. Gustavo disse:

    Boa tarde.
    Novamente, como escrevo nos últimos 18 meses: no Brasil um treinador rebaixa um “time grande” para a segunda divisão e ganha como prêmio treinar a seleção de seu país.
    Na década de 80 falavam que Bebeto era chorão, imagina hoje, Thiago, Oscar, David, o que são? É muito “hein, hein, hein” e jogar bola que é bom, nada
    Que saudade do “seu Tele” e da seleção de 82: Waldir, Leandro, Oscar, Luisinho e Junior; Cerezo, Socrátes, Falcão e Zico, Serginho e Éder, que coisa feia que fixou a seleção brasileira principal de lá para cá e que coisa horrível para o futebol nacional as duas “conquistas” de 94 (essa seleção menos ruim) e de 2002, culminou com esse vexame maior de 2014. Aliás que sorte teve o técnico que ganhou em 2002, se aquela bola da falta do Neuville entra, se Kann não falhasse tremendamente no primeiro gol, talvez o placar da última terça fosse o inverso; que sorte teve o técnico, nos sete jogos daquele mundial jogou apenas contra “uma seleção”, a pior Alemanha de todos os tempos; que sorte teve o técnico daquela seleção, com o apito amicíssimo no jogo das oitavas contra os belga; que sorte teve o técnico….até que enfim a sorte acabou, talvez agora a sorte do torcedor brasileiro do futebol comece a mudar, com os 10×1 dos dois últimos jogos.
    Leiam: http://www.viomundo.com.br/denuncias/helo.html
    E para o bem do futebol, mesmo sendo admirador do futebol do Lionel, que vença e bem, a Alemanha.

  15. Mauricio disse:

    Antes que me esqueça, a capa do Extra realmente é matadora. Deu nó na garganta.

  16. Mauricio disse:

    O mais triste dessa história macabra e que Dona Lúcia é personagem e não realidade. Foi criada do nada. Aquela revista de quem você não gosta nem de ouvir o nome levantou a lebre.
    Mas o desastre da seleção é muito maior do que o mostrado em seu texto, perfeito como sempre.
    A malfadada CBF não gerencia mais nada no futebol da seleção. Quem manda são os patrocinadores e o interesse dele não é ganhar jogo mas vender material esportivo e principalmente craques. A seleção é hoje apenas uma vitrine para venda de jogadores e não para jogar futebol, por isso não precisa de um bom técnico. Não há mais futebol nessa equação, lucro, dinheiro para poucos. O restoq ue se foda.
    E a FIFA não está muito melhor que isso. É uma grande empresa cujo motor são apostas… Mas isso é outra história fedida.

  17. Waldir Martani disse:

    Já era seu fã, por ser torcedor da Lusa, meu time, e pela sua atuação como comentarista e analista esportivo.
    Agora, depois deste texo, passei a ser super fã, pois é o que muitos estavam engasgados mais sem possibilidade de dizer, parabéns.

  18. Julio César disse:

    Fui árbitro profissional no Brasil por 14 anos e mesmo sendo um apaixonado por futebol, passei a evitar de torcer pela seleção brasileira pelo fato de estar vinculada a CBF. Seu texto é lúcido e representa a minha opinião.

  19. gloria serra disse:

    Parabéns !!! Tudo que eu gostaria de falar , vc falou ! Minha garganta não está presa , não estou mais sufocada !!!

  20. Ivan Robertson disse:

    Barbosa e Bigode, covardemente e por décadas acusados pela derrota de 1950, vão finalmente descansar em paz.

  21. Luiz disse:

    Sabe porque o Brasil ganhou 5 títulos mundiais? Em todos os títulos tinha “craques” (observe o plural) que resolviam as paradas. Hoje só temos um, abatido pela violência. E ele, sozinho, não resolveria o problema.

  22. Alex Souza disse:

    Coisa fácil e desagradável é chutar cachorro morto. A grande Alemanha, tida como ideal, é um time limitado, sem um craque como Neymar, David ou Thiago e que passou um sufoco danado, empatando com o super timão de Gana e passando com muita dificuldade por EUA e pelo monstro sagrado Argélia, sem falar no magrelo 1×0 sobre a França. Brasil chegou à Semifinal perdendo seu capitão na zaga e seu craque, de um dia para o outro, Felipão botou o zagueiro que tinha a mão e alguém veloz para substituir seu principal atacante. Podia ter colocado Ramirez ou outro volante mas não teve a indicação clara de que deveria mudar o esquema com o qual estava bem ou mal, vencendo a meses. No Brasil e Holanda de hoje, um pênalti aos 2 minutos de falta fora da área e um gol em impedimento aos 16, mudaram toda uma história, sem falar dos 2 ou 3 pênaltis claros não marcados para o Brasil (tudo bem, Ramirez também fez um no Robben). Minha discordânciazinha com o texto é só essa, quanto à CBF, Fifa, Parreira e mídia corporativa, concordo com tudo.

    Pena e medo só das Donas Lúcias do mundo, vítimas e vilãs de sua própria dominação.

  23. Giobonno disse:

    Flávio, impressionante texto! Claro, concordo com tudo que disse, principalmente com o modelo que devemos seguir ou até mesmo copiar que é o alemão.

  24. Paulo Pinto disse:

    Três “motivos” que levaram a Seleção Brasileira a mais uma derrota:

    1. Os holandeses driblaram o Destino, não jogando as partidas finais de uma copa, com o uniforme laranja. Com a vitória, ficou também provado que o Destino não é daltônico.

    2. Júlio Cesar, após o “chocolate”, ficou de olho no “recorde” de Taffarel, como o goleiro mais vazado da Seleção em Copas do Mundo. E o pessoal “do contra” já está dizendo que não ganhamos nada. Mal informados…

    3. Os nossos jogadores optaram pelo quarto lugar, para escaparem de um risco iminente: se os argentinos perderem na final, ficarão “colados” com os brasileiros (mas um degrau acima) na classificação geral. A zoação, a curta distância, foi evitada com o “bombom” que levamos da Holanda.

  25. ex-torcedor disse:

    ….belo texto…..mais bela ainda é a capa de jornal que ilustra a postagem……sou mais um brasileiro que tenta entender o que aconteceu e só chega a uma resposta- falta de vergonha na cara….meninos que sao tratados pela midia como semideuses….camera o dia inteiro mostrando jogador recebendo visita de parentes que chegam em helicoptero, jogador que sai da concentraçao para passar a noite com a atriz global…essa foi a preparaçao……o que espero é que essa humilhaçao nao seja esquecida daqui a duas semanas….os jogadores que formaram esse “time” deveriam ser terminantemente proibidos, por lei, de vestir novamente a camisa da seleçao……seleçao essa que eles ajudaram a escrever um capitulo unico na historia…..assim como muitos que assistiam a formula 1 e julgam que no dia 1 de maio de 1994 foi o fim da f1, no dia 8 de julho de 2014, o futebol brasileiro acabou……

  26. zurrilho_money disse:

    Cretinos,

  27. mimi disse:

    Lucidez e método de análise, Flavio! É exatamente o que falta para substituir os interesses espúrios, políticos e financeiros, da FIFA, CBF, Globo e de muitos jogadores que se submetem a ser mercadorias nas garras de uma equipe técnica e sobretudo de seu coordenador, Felipe Scolari, arrogantes, incompetentes, incapazes de reconhecer erros e corrigi-los. Além disso, faltou a elegância de um pedido de desculpas. Vitória do Brasil: aeroportos, estádios, organização e acolhimento de nosso povo!
    Abraço,
    Mimi e Gildo

  28. Sonia disse:

    Texto maravilhoso, concordo com tudo!

  29. Cris disse:

    O texto é muito bom e nas entrelinhas estão contidas certas questões que pessoas despreparadas não percebem e por isso mesmo acabam emitindo opiniões totalmente desproporcionais, pra não falar insanas e burras. O que mais me dá medo e choca e ver um bom texto seguido de tantos comentários pavorosos de pessoas intelectualmente incompententes (apesar do relógio bacanão no pulso, da escola particular cara e ops… da universidade pública federal, ops), que não entendem a dimensão social das coisas, em especial o imenso abismo entre ricos e pobres, a ostenação de riqueza num país como nosso é bem o que Cristovão Buarque escreveu no texto http://www.portalbrasil.net/reportagem_cristovambuarque.htm
    “A pobreza de visão dos ricos impediu também de verem a riqueza que há na cabeça de um povo educado. Ao longo de toda a nossa história, os nossos ricos abandonaram a educação do povo, desviaram os recursos para criar a riqueza que seria só deles, e ficaram pobres: contratam trabalhadores com baixa produtividade, investem em modernos equipamentos e não encontram quem os saiba manejar, vivem rodeados de compatriotas que não sabem ler o mundo ao redor, não sabem mudar o mundo, não sabem construir um novo país que beneficie a todos. Muito mais ricos seriam os ricos se vivessem em uma sociedade onde todos fossem educados.” Antes de falar besteira senhores e senhoras comentadores estudem história social e um pouco de história contemporânea do Brasil sil…

    • Paulo disse:

      Eu fiquei muito tocado pela simbologia deste jogo, claro, tudo coisa de dentro da minha cabeça.

      Uma delas foi notar que, os jogadores alemaes nao cresceram como garotos pobres desinformados, tendo no futebol sua unica oportunidade na vida. Trata-se de uma atividade saudavel e inclusiva. Nos vemos no jogador brasileiro medio, ao contrario do torcedor de Copa acima da media, uma assimetria enorme: os filhos daqueles torcedores jamais seriam encorajados a encararem de frente uma categoria de base seria, porque isso eh coisa de f…

      Foi chocante ver o contraste de estado civilizatorio de um pais, mais igual, mais justo, e portanto mais alegre e leve, e outro, desigual, cruel, injusto e portanto ranzinza, belico. Eh uma inversao dos estereotipos que os livros de historia e filmes americanos impoem na nossa cabeça.

  30. Marcos disse:

    Simplesmente fantástico. Assino junto.

  31. Beto disse:

    Brilhante texto, o melhor que li sobre essa podridão que é o futebol brasileiro, perfeito!!!!

    Dá gosto de ler um texto desse, ver que existe gente ainda com capacidade analítica e que mostra o que é essa vergonha!

    Parabéns por não se juntar a uma parte da imprensa que é cúmplice de todo e esse estado de coisas e que também se locupleta com isso.

    Futebol brasileiro está ridículo, campeonato falido, média de público ridícula, treinadores abaixo da crítica, divisão de cotas de TV absurdas (deveria ter critério técnico como na Alemanha), dirigentes que defendem seus interesses pessoais, parte da imprensa sócia dessa vergonha toda, enfim, um lixo completo.

  32. Fernando disse:

    Parabéns Flávio pelo excelente texto!!!
    #ÉTóiss!!!!

  33. Danilo disse:

    Não gostei. Embora concorde com algumas partes do texto, no todo ele não passa de mais um da “manada” ensandecida que afirma que não há nada a ser aproveitado no futebol brasileiro.
    A mesma mídia que hoje faz imensos elogios, a SEMPRE poderosa e respeitada Alemanha, detonaria o Brasil se fosse ele que estivesse 24 anos sem título.
    Quer fazer parecer que seleção e o restante do futebol nacional são a mesma coisa, quando não são, afinal a mesma Alemanha que o texto diz ter passado vergonha na euro de 2000, esteve na final da copa do mundo de 2002!!!
    Estão ligados, mas da maneira simplista que muitos colocam.
    A seleção do país com a liga mais rica do mundo não ganha copa desde 1966, e nem chega perto de ganhar…
    Outro ponto, que na minha opinião, cai na mesmice da mídia, onde normalmente não encontramos o FG:
    uma das críticas que o texto faz a Felipão, que é sim merecedor de críticas, é o fato de ter sido vice da euro com Portugal.
    Tudo bem que perdeu em casa, mas é o melhor resultado da história de Portugal!
    Mas no Brasil, ao contrário do que muitos dizem, inclusive o autor do texto, só se valoriza o título sim. Ou ser vice, pela primeira vez na história, de Eurocopa é vergonha?!?
    No Brasil, a cada copa perdida, o assunto é o mesmo.
    O Felipão é arrogante, mas quando se trata de futebol, 99% dos brasileiros são…. e me incluo.

    • Roberto disse:

      Não, em se tratando de futebol, empenho não vale nada. Os vices são os primeiros da fila de espera. O que conta é título, apenas. E estamos longe do caminho certo, principalmente com uma comissão técnica ultrapassada e míope

    • Giuseppe disse:

      Quanto à arrogância da torcida respeito ao futebol talvez bom fosse aprender dos adversários e da humildade deles que indiretamente nos mostraram um novo modelo de jogador que além de ser estrela é também um “ser HUMANO” capaz de viver na mais total simplicidade suas fases de folga junto à população local e que não necessariamente fica dançando no meio do campo a cada gol pirraçando seus adversários. Quem sabe que o mudar da torcida, também, não acarrete uma mudança na conceição do futebol no Brasil, sem deuses e nem heróis, exceto para as crianças!….

    • Diego disse:

      Primeira coisa: comparar as ligas de futebol daqui do Brasil e da Inglaterra já torna um dos seus argumentos furado. Quem falou que a federação de lá é a responsável pela Premier League como a CBF aqui?? Então se ligue: lá na Inglaterra pode não haver relação entre seleção e liga nacional de futebol, mas aqui no Brasil ela existe sim, e é fortíssima. O desempenho ridículo da seleção brasileira nessa Copa do Mundo e o desempenho não menos vergonhoso dos clubes brasileiros em competições e confrontos internacionais nos últimos anos não são mera coincidência.
      Segunda coisa: a Alemanha já havia iniciado a mudança de filosofia de jogo e de trabalho em 2002, quando chegou à final da Copa contra o Brasil. E os resultados já começavam a aparecer pela seriedade dos alemães desde sempre.
      Terceira coisa: o resultado da seleção de Portugal contra a Grécia na Euro 2004 foi vergonhoso SIM!! Aquela seleção portuguesa era tecnicamente melhor que a atual, e já contava com Cristiano Ronaldo, com rodagem internacional suficiente para fazer a diferença pro time. E perdeu para um time da Grécia que era um time tão limitado naquela época quanto nos dias de hoje, ou até pior!! Então não me venha querer defender o Felipão depois dessa, pelo amor de Deus!! Ele não conseguiu fazer com que seu time revertesse um resultado de 1 a 0 contra um time retranqueiro, deixando um título perfeitamente possível escapar entre os dedos!!
      Argumentos todos furados e devidamente contestados!!

  34. Paulo Pinto disse:

    Os meus conterrâneos, pelo visto, não gostam de chocolate. Arrancaram todas as bandeirinhas e adereços aqui da rua, logo após a goleada.

    Quem endeusa, também crucifica.

  35. Hugo disse:

    Bom dia Flavio,

    Parabéns pelo texto, o Azenha em seu blog citou teu texto, muito bom mesmo!

    No blog do Azenha, tem essa excelente matéria também sobre como os EUA lidam com o monopólio das transmissões do esporte deles. Vale a pena dar uma lida : http://www.viomundo.com.br/denuncias/helo.html

  36. Leo Meyer disse:

    Deus realmente é Brasileiro! Ele nos mostrou, através da linguagem mais bem compreendida pelos brasileiros, que precisamos mudar. Espero que as repercussões dessa lição futebolística ecoem por diversas áreas.

  37. Beatriz disse:

    Triste mesmo é o cedilha na palavra acidente bem no título.

  38. Joseas Ruela disse:

    Sou bicho d’agua, daqueles que quando tomam sol ficam rosas, trabalho das 09h00 as 18h00, tenho um golzinho 95, não tenho rolex, nem o falseta, pro estrangeiro só fui pro Paraguay de busão comprar um videocassete, nesta copa nem tentei comprar ingresso pra não passar nervoso e depois ficar sem grana, aqui em casa tá faltando água, a luz aumentou 18%,não paguei o Ipva do golzinho ainda, não tenho cota na escola, não tenho bolsa de porra nenhuma, não tenho padrinho no partido dos companheiros pra arrumar um cargozinho de assistente de eminência parda.
    Sou da elite branca?
    rechitaguidexéy.

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