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segunda-feira, 13 de abril de 2015 - 17:55Imprensa

CLAMOROSO

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SÃO PAULO (pode fechar, não fará falta) – Eu ainda não estava na Pan, portanto foi antes de 1994. Possivelmente em 1993, porque o personagem citado era Schumacher e a equipe, a Benetton.

A Pan costumava mandar pelo menos narrador para as corridas de F-1 no fim dos anos 80 e nos anos 90 — depois, apenas repórter, eu –, com exceção dos GPs da Austrália e do Japão, porque as viagens eram caras demais e a audiência, segundo o dono da emissora, era baixa por causa dos horários. Não sei dizer se por conta deste curioso critério a rádio não mandou ninguém para Suzuka em 1987, 1988, 1990 e 1991, anos dos últimos quatro títulos mundiais conquistados por brasileiros. Se não mandou, não lembro, obviamente se equivocou.

Vamos assumir, então, que o ano era 1993, e a corrida, no Japão. Apesar de muito modernos para a época em que foram construídos, lá por 1976, os estúdios no alto do edifício Sir Winston Churchill, na Paulista, não eram muito equipados no quesito aparelhos de TV naqueles tempos. Assim, para fazer alguma transmissão “off-tube”, o “tubo” (assim chamada porque narrador, repórter e comentarista transmitiam a partir daquilo que viam no tubo da TV — TV tinha tubo, pesquisem), era preciso montar a linha no aquário da chefia, que ficava no meio da redação e tinha lá umas duas ou três TVs.

Por alguma razão, o dono da rádio escalou Nilson Cesar e Claudio Carsughi, a dupla da F-1, para transmitir o treino que definiria o grid daquela corrida, na madrugada de sábado — não eram comuns transmissões de treinos. O problema é que na época não existia TV a cabo, ou, se existia, não tinha cabo no aquário da chefia, e as imagens eram muito ruins, com fantasmas, a cor que ia e vinha, um horror. As anteninhas internas não seguravam a onda. Fui convidado para dar uns pitacos, porque naquele ano também não fui a Suzuka e trabalhava na “Folha”, era repórter de F-1, um especialista, sabem como é. Mesmo assim, com aquelas imagens horrorosas, Nilson se virava para narrar a classificação e, lá pelas tantas, acionou o Carsughi. “Claudio, Claudio, mas que volta do Schumacher, o que é que você achou, meu caro Claaaudio Carsughi?”, perguntou. A resposta veio no tom de sempre, com o inconfundível sotaque italiano que ele nunca perdeu, embora vivesse no Brasil desde 1946: “Non achei nada. Estou vendo um carro com oito pneus e dois pilotos, enton é impossível dizer qualquer coisa porque com estas imagens deste aparelho de TV non consigo distinguir quem está pilotando o quê”.

As palavras podem não ter sido essas, exatamente. Mas eu quase caí da cadeira de tanto dar risada, tanto quanto no dia em que o Carsughi, fazendo posto num jogo do Santos na Vila (“posto”, no rádio, é quando o sujeito não participa da transmissão principal, apenas informa o andamento de algum jogo que está sendo realizado em outro lugar) durante um Corinthians x Palmeiras, foi chamado no intervalo pelo José Silvério, que estava com o tempo apertado para girar todo mundo da equipe, espalhada por vários estádios. “Agora vamos à Vila Belmiro, onde Santos e Noroeste empatam em zero a zero. Rapidinho, meu caro Claudio Carsughi, porque estamos em cima da hora, é justo o resultado do primeiro tempo, Claudio?”, perguntou o Silvério, e do outro lado do microfone, na cabine da Pan na Vila Belmiro, Carsughi fez o mais breve e incisivo comentário da história do rádio mundial. “É”, disse. E acabou.

Nascido em Arezzo em 13 de outubro de 1932, Carsughi trabalhou na Jovem Pan por quase 60 anos. Entrou em 1957, saiu em 1960, voltou em 1963 e lá ficou. Foi demitido hoje depois do programa esportivo da hora do almoço. Especializado em Fórmula 1, foi também um dos grandes nomes da história da “Quatro Rodas”, dono de um texto elegante e tecnicamente perfeito, conhecedor profundo de mecânica e de automóveis. Gostava de futebol, também, e comentava jogos com frequência, sem nunca reclamar de uma escala. Se a rádio iria transmitir São Caetano x Marília às dez da noite e designava Carsughi para trabalhar, ele não emitia um único muxoxo, apresentava-se na hora certa e comentava o jogo com a mesma seriedade e dignidade que dedicaria a uma final de Copa do Mundo.

Nos anos 70, Claudio foi um pioneiro, no rádio, do uso das estatísticas para explicar o andamento de uma partida, em contraponto com o achismo que permeava os comentários da turma da velha guarda — gente mais nova que ele, inclusive, mas que via futebol de um jeito meio esquisito, pouco científico, meio chutado, transformando qualquer jogo num festival de clichês e lugares-comuns que, definitivamente, não combinavam com o que o velho Mestre pensava.

Até uns 20 anos atrás, Carsughi andava pela cidade num Karmann-Ghia vermelho. Morava aqui perto (eu ainda tenho escritório no mesmo prédio da Pan, é daqui que escrevo agora, 16 andares abaixo dos estúdios) e muitas vezes vinha a pé para a rádio. Outras, com algum carro bacana, que as montadoras emprestavam para que ele avaliasse. Na última vez em que o encontrei na garagem, estava com um Cinquecento Abarth. “É um carrinho bem interessante”, me disse, sempre vestido impecavelmente, de terno e gravata. Quando vendeu o Karmann-Ghia, guardou o manual e me deu de presente.

Durante os oito anos em que trabalhei na Pan, tive uma relação muito cordial com Carsughi, sem maiores intimidades porque a certas pessoas devoto uma reverência acima do normal, e com ele era assim. Eu mais ouvia e aprendia do que qualquer outra coisa. Transmitimos juntos algo em torno de 130 GPs, Nilson narrando, ele comentando (ambos em São Paulo), eu reportando nos países onde aconteciam as corridas.

A Pan sempre foi a cara de seu dono, o “seu” Tuta, que infelizmente adoeceu e, nos últimos tempos, se afastou do dia a dia da emissora. Seu filho, Tutinha, o criador da Jovem Pan 2, que revolucionou o FM no rádio brasileiro nos anos 70, assumiu o AM e tem promovido mudanças radicais na programação e no elenco que, de certa forma, encerraram um ciclo de décadas que fez da emissora um patrimônio da cidade. A trilha do “Jornal da Manhã”, por exemplo, é uma espécie de hino paulistano. Chama-se “Amanhecendo” e faz parte da “Sinfonia Paulistana” de Billy Blanco (1924-2011), composta por 15 canções que louvam “a capital de todos os paulistas” – neste link aqui, ela está aos 17min30s; se quiser ouvir apenas a trilha do jornal, clique aqui.

“Amanhecendo” tocava todos os dias exatamente às 7h. Um dia me escalaram para apresentar o “Jornal da Manhã” (parece que ainda existe, soube até que aquele rapaz que é comediante e tem um programa no SBT bem tarde da noite faz comentários, putz…). Era um sábado. Eu já tinha alguma bagagem, fazia a “Hora da Verdade” todos os dias no fim da tarde, e não era qualquer coisa que me deixaria nervoso na vida. Mas acordei às 4h para estar na rádio às 6h e não correr risco nenhum de atrasar (cheguei às 4h30…) porque, juro, falar “repita” para o Franco Netto e para o Antonio Freitas quando eles dessem a hora seria algo marcante demais na vida daquele mocinho que cresceu ouvindo os dois dando a hora certa no rádio do carro do meu pai quando eu ia para a escola, quase 20 anos antes. E eram eles, os mesmos que me davam a hora certa no carro do pai a caminho da escola, que só dariam a hora certa naquele sábado se eu dissesse “a hora” e, depois, “repita”.

Puta que pariu. Eles não viram, o estúdio sempre foi meio escuro e metido a futurista, ficávamos lado a lado na bancada, mas meus olhos se encheram d’água quando falei “repita” pela primeira vez, e mais ainda quando, às 7 em ponto, o operador (Arthur Figueroa, um gênio) soltou a música e, no momento exato, quando o coro diz “vambooooraaaa” num lamento pela última vez, o Franco empostou a voz, a maior voz do rádio e, com solenidade e potência, informou: “Aqui, no espigão da Paulista, sete horas”. E eu, quase gaguejando, a vozinha de taquara rachada embargada, mandei um “repita” inaudível, e o Franco, percebendo minha emoção tola e juvenil, virou para meu lado, piscou o olho e repetiu, “sete horas”, e jamais me esqueci disso, jamais.

Na nossa vida, neste ofício, entramos e saímos dos lugares, é normal que uma empresa demita alguém, troque pessoas, busque novos caminhos. Não é um problema em si. Mas certas coisas não deveriam acontecer. Uma coisa é mandar embora o Flavio Gomes, foda-se, quem é esse cara na hora do Brasil, ninguém, mas outra, bem diferente, é dispensar o Claudio Carsughi, que existe desde sempre, nascemos, crescemos e morremos ouvindo o Carsughi, certas coisas, desculpe, não deveriam acontecer.

1.590 comentários

  1. Danilo A. disse:

    Um comentário que certamente vai ficar perdido entre os outros mais de mil e quinhentos, mas registro:

    Era 1988, ou 89, eu tinha uns 7 pra 8 anos. A atenção dada à F1 já tinha passado do semi-interesse infantil e caminhava para a obsessão – que durou até a vida daquele rapaz acabar (hoje posso dizer que era um rapaz, pois tenho 34 anos, a idade que ele tinha quando morreu). Havia começado a colecionar revistas Grid, aquelas que se desdobravam em posts gigantes. Naturalmente, comecei a me familiarizar com os nomes dos jornalistas que cobriam o esporte na imprensa escrita, como o Lemyr e o Reginaldo. Um dia apareceu na TV, num canal obscuro, um sujeito careca, muito estranho, que falava de um jeito mais esquisito ainda, falando sobre Senna, Prost, McLaren, Honda. Do alto de minha autoridade de connoisseur da F1 de 7 ou 8 anos, desqualifiquei internamente o que aquele homem falava, principalmente porque, acho, ele havia falado que Senna, o Bom, cometia mais erros do que Prost, a Encarnação do Mal na Terra. No mesmo momento em que eu pensava algo como “velho burro”, meu pai soltava um “graaaaaaaande Claaaaaaaudio Carsughi”, como um narrador de futebol. “Dão, esse homem é um dos maiores jornalistas esportivos do Brasil”, ele me disse. Na minha cabeça uma coisa não colava na outra: aquela imagem esquisita, aquele sotaque estranho, e a estatura que meu pai pintava. Mas, como em tudo, confiei no que meu pai dizia. A partir daí, a cada vez que cruzava com um texto do Carsughi, lia. Acho que ele me ajudou a valorizar a sobriedade textual, que às vezes falta no mundo acadêmico.

    Escrevi tudo isso porque você, Gomes, acertou quando disse que ele “existe desde sempre, nascemos, crescemos e morremos ouvindo o Carsughi”. A sensação é mais ou menos essa. Carsughi demitido aos 83 é a bigorna ACME da realidade abjeta do sistema caindo na cabeça de cada um de nós.

  2. Beto Camps disse:

    Cláudio Carsughi. Esse é o cara. Entende muiiiiiiiiiito.

  3. Rubens Tapié disse:

    Sai Carsughi, entra Vampeta…Parabéns Jovem Pan

    • Eric Monteiro disse:

      Tu tens razão.Uma rádio não pode ser levada a sério mandando embora um baluarte do rádio e manter um cara que nem formação em jornalismo.Mediocridade,teu nome é Jovem Pan AM 620,chefiada por A.A.A de Carvalho Filho.

  4. Edgar Guediguian disse:

    Aviltante. Trocar o Anchieta Filho por um comediante medíocre a custo de quê? Demitir o mestre Carsughi foi um dos atos mais imbecis e ingratos que tomei conhecimento. Só mesmo uma mente perturbada, escrota e debilóide poderia tomar uma decisão dessas.

    A Jovem Pan está demitida do dial do meu rádio. Aliás, aquilo ali virou palanque da ultra-direita e suas boçalidades. Pra nunca mais!

  5. adriano marques disse:

    Flavio belo texto, gostava muito dos comentários do Carsughi,

  6. FERNANDO disse:

    Todos sabemos que as emissoras de rádio e televisão estão passando por dificuldades, mas a Pan está atirando no proprio pé, dispensando aqueles que lhe deram suporte para se manter no ar. O Carsughi que dispensa comentários, possivelmente ficou na casa até hoje por consideração a esta emissora. Só faltava agora eles dispensarem o Vanderlei Nogueira, Flávio Prado e outros do mesmo nivel de profissionalismo. Aí melhor fechar!!

  7. Gilson Gomes disse:

    É ….. Quando passamos dos renta, a faca fica mais afiada. E parece que ninguém a não ser Museus querem os velhinhos. Bem diferente de certos países, que não são líderes mundiais por acaso. O que se passa hoje no brasil, com b menor mesmo, porque não merece B, tanto por seu povo, como da classe politica dominante, é que experiência, conhecimento, maturidade, não é mais mérito. Aqui o mérito é para a corrupção, vantagem pra si, narcisismo, boa oratória e outros valores que um dia os vermes e bacterias irão comer. Estamos indo para um caminho em que no futuro não haverá memória. Serão poucos, muito poucos.

  8. René disse:

    desde quando soube da notícia, me encontro triste, magoado, com raiva….. “ninguém pode” demitir alguém como o Mestre Cláudio Carsughi, o Anchieta Filho, o Roberto Müller, o Vander Luiz e facilitar a entrada de um bosta como o gentili….. pessoas assim mudam de emissora, assumem outros cargos, penduram as chuteiras, morrem, mas nunca deveriam levar um-pé-na-bunda! sinceramente, quero que esses engravatados que vivem em suas salas com ar-condicionado e brincam de fazer MKT, vão pra PQP! nem ao menos para dar uma justificativa mentirosa/educada… com esse tipo de conduta imagina como fica a cabeça dessa molecada de está no início do jornalismo…. é uma merda mesmo!

  9. Julio Moreira disse:

    Acredito que uma figura emblemática como o Carsughi quando chega numa determinada idade deveria ter o direito de escolher onde ficar. Ninguém deveria ter o direito de mexer com ele, a não ser ele mesmo.

  10. Liliane disse:

    Parabéns pelo texto. Eu gostaria de tê-lo escrito! :)
    Poucos são geniais como Carsughi. Jornalista como você, com passagem pelo mundo esportivo, só aprendi com ele. Não dá para entender a tremenda estupidez dessa demissão….Such is life…

  11. Jose Carlos (Araçatuba-SP) disse:

    Parabéns Flávio pelo texto. Sentiremos muito a falta do Mestre, como sempre disse o Nilson César. Lamentar pela atitude da JP em demitir tão ilibado profissional. E desejar muita saúde e paz ao nosso mestre Cláudio, esperamos ouvi-lo em breve em outra emissora.

  12. Paulo Pinto disse:

    As mudanças são a única certeza permanente em nossas existências. O sr. Carsughi, com todo o respeito à sua história de vida, passou do tempo de realizar uma dessas mudanças por vontade própria.

  13. Anna Lucilia Prado Martuscelli disse:

    Sr.Flavio Gomes, vc e a primeira voz que se levanta para comentar a dispensa do Sr. Claudio Carsughi. E realmente lamentável que ele seja despedido nessa altura da vida e por que? Economia? tem mais filho de alguém precisando de emprego? Com certeza quem perdeu foi a Pan. Pessoas como o Carsughi são raras nos dias de hoje. Vai fazer muita falta. Lamentável também a dispensa de Roberto Miller, Rogério Assis e Anchieta Filho. Ele com certeza vai brilhar em qualquer lugar que assumir. E a JP vai ficar com os Danilo Gentli da vida.

  14. Mario Siqueira disse:

    Triste fim de uma rádio que eu ouvia desde a juventude, e era fã incondicional do Carsughi.

  15. LucPeq disse:

    Carsughi é foda, a Pan já foi um dia…

  16. Juliano disse:

    Mito Carsughi! JP hoje é um lixo total, não merece ter em seus quadros alguém desse gabarito.

  17. MarcosCesar disse:

    Carsughi, Osmar Santos e Fiori sedimentaram a trilha q segui sem nunca conseguir alcançá-los, mas feliz e realizado por estar ao menos no mesmo caminho. Vida longa, mestre.

  18. voulembrar disse:

    Estou comentando apenas para homenageá-lo. Respeito é o que falta neste pais.

  19. Edson Luis de Paula disse:

    Essa JP é uma chata faz tempo.
    Vida longa ao Carsughi.
    FG uma curisosidade, temos um recorde de comentários aqui?

  20. Cardoso Filho disse:

    Carsughi uma linda voz que não calou , apenas vai ecoar em outros lugares. Conheço e reconheço essa voz pois a ouço desde menino quando morava em São Paulo na década de 60. Enfim, vamos envelhecendo para os outros, embora não nos sintamos assim, velhos. É vida que passa, como dizem por aí.
    Em tempo, falei da voz , mas favor entender que ela saía expressando conteúdo.

  21. Adilson Pereira disse:

    Sua voz e seu sotaque italiano, me farão falta nas transmissões da fórmula 1 pela jovem pam

  22. Adilson pereira disse:

    Cara, não me conformo com a saída do “mestre” Claudio Carsugui dos microfones da Jovem Pan…. Vai fazer muita falta…pode crer….

  23. pedro araujo disse:

    mais de 1500 comentarios

    acho que nós leitores tambem conseguimos fazer uma homenagem ao carsughi…

    sempre que algum acontecimento realmente importante aparece, voce saca da cachola um texto ou depoimento realmente bonito, Gomes

    valeu!

  24. Infelizmente o Brasil hoje não dá valor a nada e nem a si próprio!

  25. Dorival disse:

    A evolução faz bem p/ a humanidade, mas descartar pessoas do nível de um Carsughi é jogar no lixo a história dos veículos de comunicação. Carsughi você continuara´sendo um ídolo p/ muita gente.

  26. jose henrique antunes disse:

    Cresci ouvindo a Pan….Barão, Marcos Baby Durães, Brin Filho; aprendi musica com Zuza Homem de Melo. E o esporte ? Milton Neves, Orlando Duarte, José Silvério…e quando chamava o Rio ? Israel Gimpel…falava e sabia de tudo…Israel está lá em cima com o Narciso Vernizi….e as coisas vão se acabando….Valeu Carsughi….

  27. Ronaldo Maia disse:

    Que pena, o rádio ficou mais triste e, sem o real.!Que azar JP !Perdeu um ouvinte !

  28. Pedro disse:

    Caro Flávio Gomes, parabéns pelo texto! Você conseguiu mostrar, com sinceridade, respeito e emoção, o excelente profissional e caráter que é Cláudio Carsughi, além do absurdo que é demitirem uma verdadeira lenda do jornalismo brasileiro! Existe uma raça chamada “novos empresários”, que acha que tudo no mundo tem de ser renovado! Só que o “renovar” deles é, por exemplo, aumentar o ibope da emissora, custe o que custar! Não importa o lixo que fique a programação! Ou demitir ótimos profissionais como Carsughi por questões de “redução de custos”. Óbvio que ele é mais caro que os outros, o melhor sempre custará mais, mas é o MELHOR! E o melhor segura audiência, e dá o que? Ibope! Afinal, muitos disseram que a partir de agora não vão mais ouvir a Joven Pan tanto quanto antes… Somente num país que aceita o lixo musical, a educação tosca, o humor idiota e a enorme corrupção que somos vítimas, que vão preferir ouvir um comentário do Vampeta ao invés de um do naipe de Cláudio Carsughi. A Bandeirantes do Luciano do Valle ERA o canal do esporte, agora é o canal do Merchandising. A Joven Pan está indo por esse caminho errado também.

  29. Mario disse:

    Bom, imagino que serei xingado por muita gente. O fato é que nasci em meados da década de 60 e cresci na década de 70 dormindo toda quarta e domingo com o radinho no travesseiro ouvindo o Show de Rádio. Ouvi a Jovem Pan por 20, 25 anos. Mas já fazem alguns anos que deixei de ouvi-la. Por diversos motivos. Primeiro, quando começaram a fazer os debates criando brigas para dar audiência. É ridículo aquela mesa redonda com aquelas brigas todas que está na cara que são forçadas, é para dar audiência. Além disso, o narrador âncora hoje é o Nilson César. Pelo amor dos meus filhinhos, como esse cara é chato, é um mala, é insuportável. E quanto ao Carsughi, não sei falando de fórmula 1, mas falando de futebol, nunca vi um cara mais inóquo do que ele. Comentários típicos do Carsughi: “Se o Palmeiras forçar o jogo é capaz de conseguir um gol” dããã, jura? Se o Corinthians chutar mais à gol pode ter uma possibilidade maior de fazer um gol!!! Uau, profundo. E o jornalismo, ainda no formato Anchieta Filho, repita, sinceramente a Jovem Pan parou no tempo e eu acho que ela precisa se reinventar. O jornalismo da Band, por exemplo,é bem mais alegre, descontraído.

  30. Plácido de Araujo disse:

    De arrepiar. Passou um túnel do tempo na minha mente. Lembrei até do Barão que às vezes (brincando ou não) gritava: “REPITA”, Antônio Freitas.. REPITTAAA”. Como se os locutores não tivessem ouvido, Muito legal mesmo. E do Wanderley Nogueira que dizia nos jogos: ” E o Corinthians, nêgo… aperrtttaaa.” A vinheta do início do jornal e a das 7 da manhã são inesquecíveis. Nem me lembrava mais da Hora da Verdade. E o Carsughi fez parte da minha infância e juventude. Que bom que, pelo menos, está vivo e pode ir para outra rádio.

  31. Alexandre disse:

    Quando soube da demissão ontem, por volta das 16:00, sofri um baque. Estava trabalhando em casa e perdi completamente a concentração. Como pode uma empresa demitir o Cláudio Carsughi? Como alguém toma uma decisão dessas? Quem teria tido o topete de comunicá-lo? Hoje li que foi o Wanderley Nogueira quem comunicou. Deve ter sido muito difícil para ele. Fiquei constrangido por ele. Ainda não me conformei. Para mim, o Carsughi é o melhor de todos os comentaristas. Desconheço os motivos, mas não consigo deixar de pensar que essa foi uma decisão imbecil. Vida longa para o Mestre!

  32. carlos lima disse:

    Irretocável. Crônica primorosa. O leitor, emocionado, aplaude de pé. Bravo!

  33. Celso Belo disse:

    É lamentável, Flávio muito grato pelo texto. O sr. Carsughi deveria ter a “chave” da Jovem Pan, pelo profissional que é, mas infelizmente a vida é assim, desejo muito mais sucesso na sua “nova casa”.

  34. LITTLE MACCHINE disse:

    Realmente uma pena. Ouço ou melhor dizer ouvia?, sempre os comentários do Carsughi desde 1976, quando cheguei do interior e sempre foram comentários de alguém que entendia dos assuntos e não um mané qualquer que ficava falando bobagens por não ter o que dizer como tantos fazem hoje em dia e pelo jeito vai piorar ainda mais. Vamos torcer para ele voltar em outra empresa que saiba apreciar profissionais com qualidade independentemente da idade que a pessoa tenha.

  35. Arnaldo disse:

    Antes era Jovem Pan. Agora é Jovem”PUM”

  36. Paulo Lava disse:

    Mais um belo texto by Flavio Gomes. Evidente, sou apenas um número na imensa lista de pessoas que lamentam a péssima atitude da emissora. Aproveito para renovar admiração e reverência ao grande mestre Carsughi.

  37. Paulo Francarelli disse:

    Flavio, você não pode, mas eu posso: esse tutinha, vulgo “mancha”, é um escroto histórico.
    Já ouvi muitas histórias sobre a escrotidão desse cara.

  38. carlos lima disse:

    Belo texto, emocionante. Bravo!

  39. Pôxa! Lamentável saber que o Mestre Carsughi foi demitido…E assim a rádio vai perdendo sua identidade.Nos anos oitenta e noventa eu chegava á ficar sintonizado nela de manhã-á tarde e á noite;mas depois vieram os ventos da internet e virou radio e tv de ponta-cabeça…
    Enfim,Mestre,seja feliz,e não será uma clamorosa surpresa ouvi-lo em outro prefixo !

  40. Luciano disse:

    Parabéns!

    Flávio deveria ter um programa falando sobre automobilismo (se tem eu não sei, confesso que acompanho pouco a fox), saca muito do assunto.

  41. RENATO ROSSETTO disse:

    O CLÁUDIO É A HISTÓRIA DA HISTÓRIA DO ESPORTE BRASILEIRO. A JOVEM PAN FERIU DE FORMA MORTAL SEUS OUVINTES, NÃO SE TRATA UMA PESSOA COM 58 ANOS DE SERVIÇOS, DA FORMA GUILHOTINOSA COMO FÊZ. ESTOU REVOLTADO E PREFIRO DESLIGAR O RÁDIO EM FORMA DE PROTESTO.

  42. Artur disse:

    Jovem Pan descendo a ladeira. Mestre Carsughi estamos contigo!

  43. Alexandre Soucha disse:

    Gostei muito sobre o que disse no texto, o Carsugui vai fazer uma baita falta, essa grande “referencia” vai deixar um baita vazio, engraçado, parece até que estamos falando da morte dele .

  44. APM disse:

    Uau! 1.498 comentários contra essa injustiça. É o recorde?

  45. RDIAS TIUM disse:

    Caro Flavio…não se dê ao trabalho de responder a estes panacas que nem escrever sabem, cujos mesmos mal sabem se portar com respeito a um profissional com mais de meio século de atividade, que fez história e estórias, que atuou no jornalismo esportivo de maneira brilhante.

  46. Renato disse:

    Flávio, parabéns! Mais um texto irretocável!! Cara, eu cresci ouvi a Jovem Pan. Desde muito cedo, até a época em que fiz faculdade de jornalismo e, até muito recentemente, sempre a JP era minha referência para o radio jornalismo. Infelizmente, de um tempo para cá, a emissora degringolou – no sentido de assumir um editorial dirigido e extremamente tendencioso. Até posso entender que os veículos de comunicação adotem uma postura política – isso é inevitável e sempre foi muito visível na Pan- mas querer o tempo inteiro manipular os ouvintes não é bacana, diria até que não é justo. Legal no seu texto fosse citar quando vc apresentava o Hora da Verdade – eu ouvia muito esse programa e me envaidecia saber que era um torcedor da Lusa que era o “âncora”. Inclusive me lembro de quando vc anunciou, horas antes de Lusa X Grêmio em 1996 no Morumbi, “daqui a pouco o jogo da vida da Lusa”. Uma frase comum, né? Não fosse o fato de ela ecoar até hoje na minha cabeça de uma forma muito intensa…Eram outros tempos…Outros tempos de jornalismo, de rádio, de Portuguesa……..Enfim, a demissão de Carsugui evidencia a fase da JP, já que ele deveria ser um profissional intocável. Mas a Pan é outra e o mundo também, as pessoas pouco valem…

  47. Antonio Floriano disse:

    Algumas coisas que ficaram e se instalaram na memória. Desde o Cláudio Carsudo em Show do Rádio, aos comentários. Foi muito injusto saber disso e tenho certeza que as coisas serão acertadas. Um abraço grande JORNALISTA.

  48. santo disse:

    eh com tristeza , que A JOVEN PAN , tente se modernizar afastando pessoas como CARSUGHI, ANCHIETA, MULLER, e outros que virão. São 40 anos com 2 rádios de 1 total de seis em casa , permanentemente ligados na AM 620 ,sinto-me órfão pois hoje já tenho de desligar os rádios exatamente as 9,30 quando começa a porcaria
    “‘morning show”” , e agora com saída dos personagens acima , os rádios vão permanecer mais tempo desligados.

  49. Adh2bs disse:

    Grande Texto, Sr. Flávio. A imprensa brasileira vai se desmanchando, quem sabe o que a “modernidade” nos reserva. Admiro desde sempre ambos, o Sr. Claudio Carsughi, torcedor da Fiorentina, elegante e Douto. E o Flávio Gomes, repórter ousado, muito bem informado, que também não tem encontrado um merecido lugar depois que saiu da ESPN. Abraço.

      • Felipe Sanches disse:

        Flavio, acompanho os programas que você participa na Fox Sports, principalmente porque gosto da sua maneira de enxergar o esporte, algo como “entre o sério (estatístico, histórico) e o satírico (com humor inteligente)”, por vezes saudosista. Me alinho com essa postura. Mas acho que a Fox Sports decidiu por uma linha em que o popularesco impera. Tem vezes que tanto você quanto o PVC, e também o Mauto Beting, parecem estar totalmente deslocados, em meio às palhaçadas do Mano, do Benjamin e, principalmente, daquele rapaz gordinho, não me lembro o nome, que é quase um José Luís Torrente brasileiro: bairrista, chutão, machista, sacana – uma personagem, um esteriótipo do fanfarrão.

  50. Celio Ferreira disse:

    Cara pensei que Claudio, iria ficar na Pan até i final dos seus dias ,porem
    mandaram o mestre descansar : será que precisava ?

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