MENU

quinta-feira, 30 de julho de 2015 - 17:10F-1

RUBINHO, 15

5282

SÃO PAULO (das maiores) – Espero que Barrichello tenha se lembrado do dia. Certamente lembrou. Até eu, ano passado, lembrei — por que o Gabriel Araújo descolou a gravação das últimas voltas daquela corrida pela Jovem Pan, o azar do Vander, a volta do Nilson (está tudo aqui neste post).

Hoje é tipo aniversário quase redondo, 15 anos, motivo de sobra para comemorar e relembrar, portanto.

30 de julho de 2000, Hockenheim. Rubinho ganha pela primeira vez na F-1, já na metade de sua oitava temporada na categoria.

Demorou, mas veio com estilo. Considero essa corrida uma das grandes da história e uma das vitórias mais emocionantes de todos os tempos — não pelo choro no pódio ou coisas, assim, mas pela forma como aconteceu (se não lembra, o resumo da corrida está aqui).

Como no ano passado contei tudo que rolou naquele dia, especialmente na rádio, fui buscar o que escrevi na época. E graças à Gisèle de Oliveira, conhecida internamente como “È” por conta deste estranho acento que leva em seu nome, hoje minhas colunas desde 1995 estão todas num blog, neste endereço aqui. E fica fácil de encontrar tudo. É um arquivo com quase tudo que escrevi para jornais e sites até 2013, sem muita firula — um dia ainda vou colocar fotos e coisas assim. A Gabriel Araújo’s Adult Entertainment também ajudou a compilar e editar os textos.

Em 2000 eu escrevia duas colunas por semana. Uma para o “Lance!”, exclusiva, e outra para os demais jornais para quem cobria F-1. Assim, foram dois textos sobre o assunto. O primeiro, publicado no dia 2 de agosto. O segundo, dois dias depois.

Divirtam-se com as minhas memórias de 15 anos atrás. E falem, claro, da vitória de Barrichello. Foi a maior de todos os tempos, para vocês? Lembro que ele largou em 18º, superou (na verdade, foi ajudado por…) a invasão da pista por um maluco, apostou nos pneus para pista seca na chuva, domou o carro nas últimas voltas no molhado, foi realmente o fodão do Bairro Peixoto naquele domingo. Por essas e outras, quando me perguntam qual a maior vitória que vi na F-1 costumo citar esta. Mas é claro que nem todos concordam.

AS LÁGRIMAS DO BRASIL – 02/08/2000
O país chorou com Barrichello domingo. É o que pude constatar ao voltar para o Brasil. Pouca gente falando da corrida em si, mas muito mais de suas próprias reações às imagens que chegavam pela TV: Barrichello chorando no carro e no pódio, enxugando as lágrimas na bandeira, e a maioria chorando junto, especialmente por causa do Tema da Vitória. A musiquinha.

Pessoalmente, não tenho nada contra o choro. Verto minhas lágrimas de vez em quando, em filmes e derrotas da Portuguesa. Mas me espantou a indignação de nossa gente amiga ao fato de eu não ter chorado diante de quadro tão idílico de exaltação nacional. Como, não chorou? Que espécie de batráquio é você?

Chorar por e com Barrichello, parece, virou obrigação nacional. A música, a lembrança de Senna, a sensação de que vencemos, contra tudo e contra todos, tudo isso só pode levar ao choro. Temos de chorar. É nossa contribuição, nossa maneira de ganhar junto, de dividir uma vitória que gostaríamos que fosse nossa.

Há uma certa hipocrisia nisso. O choro de Barrichello, este é perfeitamente compreensível. O menino é emotivo e seu desabafo foi bonito, tocante até. Não, não nego os componentes emocionais de uma vitória como a de domingo. Mas foi apenas corrida de carros. Uma competição, não uma odisséia.

É que o brasileiro, em geral, se apropria das vitórias de seus compatriotas, esquecendo-se de que, na maioria das vezes, elas não têm patavina a ver com o país, entendendo-se país como algo coletivo. No caso de Barrichello, foi um triunfo pessoal, individual e intransferível. Resultado de seu esforço, de sua determinação e coragem para fazer o que fez na pista. Quando muito, um resultado cujos méritos podem ser estendidos aos integrantes da Ferrari. Que são italianos, franceses, ingleses e alemães, também.

Pensando sob esta ótica, pode vir à tona a pergunta: e por que não houve esse chororô todo quando, por exemplo, Guga ganhou em Roland Garros? Ou nos Jogos Pan-Americanos, com tantos brasileiros no pódio celebrando suas medalhas? Talvez porque Guga tenha erguido seus troféus sorrindo, e não chorando. Mesmo tendo de enfrentar tantas dificuldades na carreira quanto Barrichello, mas longe dos olhares chorosos do público, desse torcedor que aprendeu a ver cada vitória, na era Senna, como uma espécie de saga, de epopéia terceiro-mundista rumo ao olimpo que o destino nos negou.

Minha tese, no entanto, é outra. O Brasil não digeriu, e talvez nunca consiga digerir, a morte de Senna. Ela foi dolorosa demais, fazendo da F-1 algo maldito. Triste. A F-1, para o Brasil, é um negócio triste, que para sempre vai lembrar a morte trágica de um cara que era considerado herói. É a musiquinha, o hino, a bandeira, o ronco dos motores, tudo. Tudo, sempre, vai lembrar Senna. Que, vitorioso, deixou a vida como um mártir. E os mártires, sabe-se, carregam consigo, para a eternidade, uma tristeza quase insuportável.

O ABRAÇO – 04/08/2000
Minutos depois de ser acertado por Fisichella na largada do GP da Alemanha, Michael Schumacher, a ponto de esmurrar o primeiro que lhe perguntasse sobre qualquer coisa que remotamente lembrasse corridas de automóvel, mandou uma de suas assessoras arranjar um jeito para que ele pudesse ir embora rapidamente de Hockenheim.

Podia ser um carro, uma bicicleta, um patinete, um helicóptero, um submarino. O alemão queria sair dali, amargar a fossa sozinho. Se desse, voar para a Suíça, onde vive, para ver os filhos. Um sorriso de criança acaba com qualquer mau humor, crianças não entendem nada de largadas, mudanças de trajetória, tomadas de curva e tangentes. Sorte delas.

A menina saiu atrás do transporte num piscar de olhos, e pouco mais de meia hora depois voltou ao caminhão da Ferrari para chamar Schumacher. A carruagem, ou skate, ou asa-delta, não se sabe ao certo, estava pronta. Quando entrou e avisou o chefe, não mereceu nem um olhar.

Vibrando como um garoto, o queixo colado na televisão, Schumacher gritou: Espera, espera aí que não vou mais embora não! Olha aí, o Rubens vai ganhar, o Rubens vai ganhar! E assim ficou, até o fim da corrida, admirando a pilotagem de seu companheiro de equipe, o melhor e mais rápido que já teve desde Piquet – embora Nelson, à época, final de 91, já estivesse se aposentando.

Rubens ganhou. E Schumacher, sorriso aberto, foi o primeiro a cumprimentá-lo no Parque Fechado de Hockenheim. Arrancou os tubos de hidratação e o cabo do rádio do capacete do parceiro, olhou dentro da viseira, viu lágrimas e o abraçou. Foi um abraço carinhoso, que vale mais do que tudo neste mundo, diria Barrichello algumas horas depois.

Mais do que seu choro, do que a bandeira do Brasil, do que o Tema da Vitória, do que a avalanche de elogios, talvez seja esse abraço que Barrichello deva guardar de Hockenheim para se lembrar no futuro. Foi o reconhecimento de um talento muitas vezes colocado em dúvida, até por ele mesmo, vindo de um sujeito que não tem muito mais a provar na profissão que escolheu.

Schumacher ficou até o fim do GP da Alemanha para ver de perto uma exibição de gala, como muitas que ele mesmo já protagozinou em quase uma década de F-1.

Não é todo mundo que merece uma audiência tão seleta. Rubens mereceu, domingo passado. Tirou um peso das costas, perdeu a virgindade, mudou de turma. Sem exagero, lembrou Senna. Não, Rubens não é um Senna. Mas o foi, em Hockenheim.

48 comentários

  1. Paulo Pinto disse:

    O que emperrou a carreira do Rubinho na F-1, na minha opinião, foram:

    Os 7 (SETE) primeiros anos que ele desperdiçou em equipes pequenas (Jordan e Stewart). Um piloto talentoso e que deseja ser campeão, “gasta” de um a três anos (no máximo) nessas equipes.

    E quando conseguiu ir para uma grande equipe, pegou um Schumacher pela frente. O piloto tem que, pelo menos, encarar um companheiro com atributos parecidos. Caso contrário, pegará as sobras.

  2. OQA disse:

    Aliás, é engraçado também como milhares de brasileiros fazem todo esforço do mundo para tirarem uma mísera fota ao lado de um carro de F1 exposto em um local qualquer.

    Estes são os mesmos que chamam o Rubinho de perdedor: Pô, perdedor? Um cara que, na pior das hipóteses, viveu os dias dourados da F1 e viu os campeonatos do melhor assento possível, dentro da pista.Detalhe: ganhando uma fortuna por isso!

    O ser humano é mesmo muito difícil de entender. :-(

  3. OQA disse:

    Não entendo também todo tipo de idolatria..e os motivos por que as pessoas se comovem.

    Ex: Cai um avião com 100 pessoas – Aí o mundo pára, matérias intermináveis na tv, Investigações acompanhadas pelo mundo etc

    Crianças vivem como escravas no Maranhão – Nada além de uma materiazinha no Bom dia Brasil.

    Morre um sertanejo desconhecido: Milhares de pessoas, que não têm o que fazer na vida, perdem tempo para ir ao cemitério falar abobrinhas, da falta que alguém que nem conhecem e nem estava aí para eles

    Uma menina, menor de idade, é estuprada dentro de uma cadeia do Para – Uma matéria no Bom dia Brasil e olhe lá..

  4. Robson Leandro disse:

    Acho que esse é o melhor vídeo sobre aquela vitória. Inclui as voltas finais, o podium e a coletiva. Sem narração. É impressionante a vibração do público e o choro desesperado dele ao final: https://www.youtube.com/watch?v=mcJYKpcN00E

  5. Ricardo Bigliazzi disse:

    Foi realmente uma grande corrida, no nivel de um piloto Campeão.

  6. Guilas disse:

    Eu lembro de ter lido estes teus textos, há quinze anos atrás.

    É engraçado como a gente muda o jeito de escrever, né? Continuas com a escrita objetiva e elegante, mas mudou. Não pra melhor, nem pra pior. Apenas mudou.

    Gomes, tu és, de longe, o jornalista que mais li na vida! Se é verdade que não concordo com muitas coisas que tu escreves, vejo-me anuindo com uma pá de outras.

    Obrigado, por sempre exerceres a tua profissão com zelo, respeito naquilo que acreditas e compromisso com a informação.

    Abraço, Guilas.

  7. Rafael N. disse:

    Essa vitória foi simplesmente linda!

    Como eu acompanhava a F1 desde 1997, foi também a “minha primeira” vitória de um brasileiro! Foi um excelente domingo este.

    No dia seguinte, na escola (segundo ano de colegial), o papo não podia ser outro com meus melhores amigos na época: Rubens!

    Um desses amigos era o Danilo Japonês e o outro era o Thiago Alves (sim, seu colega na Fox atualmente). Quando o encontrar, diga que mandei um abraço! Ele desde aquela época já falava que seria comentarista! Haha

  8. Giuliano SPFC disse:

    Acho o Rubinho um bom piloto, o que atrapalhou sua carreira na F1 na minha modesta opinião, foi a morte de Senna e a comoção nacional do fato, ele foi mal assessorado na ocasião, “aceitou” e se deixou levar pela pressão da TV Globo para ser imediatamente o substituto de Senna no coração dos Brasileiros, a F1 naqueles anos 90 dava audiência de final de novela, e eles não podiam se dar ao luxo de ficar sem um protagonista, desconfio que se Senna não tivesse morrido, sua carreira teria feito uma transição mais suave e mais rápida para uma equipe de ponta e teria tido certamente menos pressão na caminhada rumo ao título da F1, mas como brasileiro é torcedor de vitória, ele não teve o reconhecimento que merecia.

    • Ele esteve “rumo ao título da F1″ em 2009. Nem com o vice ficou.

      Não sei porque insistem nisso, Barrichello inclusive, de que ele “merecia” ao menos um título, um dos títulos do MSC “deveria” ser dele, como se fosse um injustiçado pelo destino.

      Não ter um título não faz dele um piloto ruim. Mas, se ele fosse um piloto ainda melhor, teria sido campeão. Teve chance pra isso. Ele teve aquilo que mereceu.

      E isso sim é justo.

  9. Antonio disse:

    O segundo texto (em verde) está muito melhor. E realmente foi uma grande vitória de Rubens, carregado nos ombros, no pódium, pela dupla da McLaren, que assim como Schumacher, também fizerem a reverência que Rubens já merecia.
    PS: Outra para a série “Recordar é Viver”: Hoje fazem 30 anos do título de Campeão Brasileiro do Coritiba, em 1985, contra o Bangú, primeiro campeão brasileiro fora do “eixão”.

  10. Renato F1 disse:

    Não assisti esta corrida ao vivo. Minha mãe tinha mandado meu irmão e eu cortarmos cabelo e lá não havia televisão. Tentei argumentar com ela que iria acontecer uma corrida de Fórmula 1 e se poderia ir depois. Ela falou que brasileiro não ganhava mais. Quando retornei, meu vizinho havia dito que o Rubens havia vencido o GP da Alemanha (ainda bem que ele gravou a corrida; assim, pude assistir depois).

    Depois desta vitória, falei para ela que nunca mais cortaria o cabelo no horário das corridas!!!

    Realmente, nas últimas voltas, pista molhada, um brasileiro domando o carro… Parecia até que o Senna resolveu dar umas voltas no circuito de Hockenheim. No velho Hockenheim. Essa vitória realmente teve um “toque de Senna”! Mas, não foi Senna, como o Gomes já havia escrito.

  11. André Fonseca disse:

    “Sem exagero, lembrou Senna. Não, Rubens não é um Senna. Mas o foi, em Hockenheim.”

    Como sempre, FG escrevendo bem demais!!!

    Barrichello deveria ter escrito essa frase por cima de todos os volantes dos carros que pilotou, para nunca esquecer. E talvez até ler em voz alta durante a volta de apresentação, só para “fixar” bem.

    Tudo seria diferente para ele.

    Sobre o circuito…

    QUE SAUDADES DO HOCKENHEIM VERDADEIRO!!!

  12. Alessandro Neri disse:

    A maior que vi foi JPA 82. Nelsão possuído sob o sol de 40 graus contra Villeneuve, Prost, Pironi, Rosberg, Lauda, Arnoux, Reutmann…. O ” Melhor” grid de um GP na História da F1. Melhor entenda-se como qualificado. Ainda tinha Alboretto, Patrese, Mansell, Watson….

  13. Eduardo Britto disse:

    À distância que me é possível acompanhar F1 (pela tv, publicações, neste blog), acabei ganhando grande admiração por Barrichello. Além de ser o piloto que mais largou na categoria, enfrentou a barra de conviver com o maior piloto da história da F1, e me pareceu fazer isso com dignidade. Em suas entrevista sempre percebi um cara consciente, de fala correta, mostrando um nível cultural bem interessante, que não o transforma num filósofo, mas num ser humano bem resolvido. Bem humorado (vide a dança nos pódios), o que é fundamental nessa vida. Merece estar logo após Emerson, Senna e Piquet como um dos grandes brasileiros na F1.

  14. Ander disse:

    Não é a toa que te acompanho há muito tempo, textos maravilhosos sem rasgação de seda, Flávio sendo Flávio! Vc é fod….

  15. Fernando disse:

    É muito raro um jornalista citar o “pequeno detalhe” do maluco que invadiu a pista e tornou possível a vitória de Rubens, amnésia coletiva talvez, pachequismo profissional certamente. Mas o que importa é que foi uma bela vitória, Rubens fez uma corrida espetacular, sem falar de sua decisão arriscada e acertada na escolha de pneus. Mereceu o caneco, apesar do maluco.

    • Paulo Pinto disse:

      O maluco foi a cereja do bolo.

    • Renato F1 disse:

      Pode até ser o funcionário da Mercedes-Benz um dos fatos para a vitória do Rubens Barrichello no GP da Alemanha, de 30 de julho de 2000, em Hockenheim. Mas, o fato crucial para a vitória dele foi o fato de o Michael Schumacher ter abandonado a corrida logo na primeira volta em razão do acidente com o Giancarlo Fisichella. Com isso, a Se Ferrari se viu com o seu piloto com mais pontos no campeonato fora da disputa e outro fora da zona de pontuação. Então, qualquer ponto marcado seria bom.

      Além disso, quando surgiu a possibilidade de vitória de Barrichello e, como ele estava vinte pontos atrás do Schumacher, os pontos obtidos não o fariam ultrapassar o alemão no campeonato e impediria o Mika Hakkinen de assumir a ponta, se a Se Ferrari fizesse tudo certo. Fez.

      Engraçado que, no GP Brasil, em 06 de abril de 2003, em Interlagos, Schumacher fez da carroça uma canoa furada quando passou pelo rio que se formou na curva do sol (que irônico). Diria ele “foi um rio que passou em minha vida”. Naquela prova, Barrichello assumiu a ponta mas parou por pane seca porque a telemetria não funcionava e porque o carro consumia mais do que o que deveria. Balela! Se tivesse com problemas, por precaução se anteciparia a parada nos boxes (acho que nem a Minardi daria este mole). Na verdade, ambos os pilotos da “equipe” do pangaré amarelo estavam empatados em número de pontos (oito, se não estiver enganado) e, se Barrichello ganhasse, ficaria com 9 ou 10 pontos a mais (não lembro quando mudaram a pontuação), e aí, os comandantes do pangaré teriam de justificar muito mais do que justificaram na Áustria em 2002 (ano anterior) uma ordem de equipe.

      • Paulo Pinto disse:

        Ambos estavam com oito pontos no campeonato e Rubinho vencendo em casa, iria para dezoito.
        Ficaria: 18 x 8. O brasileiro lideraria um campeonato pela primeira vez (algo que nunca conseguiu).

        Um piloto vencendo em casa, traz maior projeção para a equipe, além dos pontos nos construtores e da vitória anotada nos registros da escuderia. E de quebra, deixaria o possível adversário ao título, um degrau abaixo na corrida (Raikkonen, que disputou o título com Schummy em 2003, chegaria em terceiro e não em segundo, como chegou).
        Levando-se em conta que o alemão venceu o finlandês por uma margem apertada, esses dois pontos que Raikkonen “ganhou a mais” no Brasil, poderia ter mudado a história do campeonato.
        É muita perda envolvida em um só GP. E os italianos perderam ao cometerem uma burrada monumental!

        Essa “sabotagem” com Barrichello no tumultuado GP do Brasil, não passa de mais uma teoria conspiratória que, para variar, prejudicaria mais um brasileiro.

  16. Sandro Marques disse:

    Confesso que foi a única vez que chorei vendo uma corrida de Fórmula 1. Para mim a mais emocionante de todas.

  17. Kleber disse:

    Nessa semana, assisti o vídeo on-board do carro do Barrichello, onde dá pra ver a pança na primeira curva, várias ultrapassagens e o final da corrida – está fácil no YouTube, Barrichello Alemanha 2000.

    Particularmente, bateu uma nostalgia… O ronco dos motores, a diferença não tão discrepante entre pneus, o circuito antigo de hockenheim, mas uma coisa me chamou a atenção… Quando Barrichello ultrapassa Zonta, ele cumprimenta o mesmo – não, não era o famoso ‘risco no capacete’…

    Te pergunto FG, essa atitude, de cumprimentar no meio da corrida, é normal, foi normal, ou foi uma exceção!?

    Abraços…

  18. Paulo Franco disse:

    Pois é, caríssimo…
    Acabei de rever toda a corrida (eu assisti na época, mas não me lembrava de nada) e foi uma odisseia mesmo!
    Deu gosto de ver o Rubinho pilotar daquele jeito!
    Saudades da velha e rápida Hockenheim…

  19. Marcus Lima disse:

    Até acho que me comoveria com a vitória de Rubens. Por razões diferentes. No fundo, por sua personalidade, há uma certa antipatia legítima ao Rubens: por exemplo, pela coisa da vitimização de si mesmo, pela dificuldade de desapegar da F1 etc. Justo.
    Agora, há algo que é injusto na trajetória desse rapaz. Pouco se relaciona o impacto da morte de Ayrton Senna na trajetória de Rubens. P várias razões, creio que seja determinante no fato de ele não ter sido o que poderia: me dou o direito de acreditar que dentro de um carro, Rubens não é menos piloto que Kimi Raikonen ( campeão), Damon Hill ( campeão) Villeneuve ( campeão). No entanto, o peso da morte de Senna foi severo de várias maneiras para com ele.
    Primeiro, a mais óbvia. Rubens era, naquele 1994, talvez o novato mais badalado. Depois de uma boa apresentação logo no ano de estréia em Donington, tinha feito já um pódio naquele ano. Vem Ímola: e o maior acidente da carreira, a ponto de Rubens ficar desacordado. Depois, a morte de um piloto. E depois, a morte de Senna. Quão devastador é carregar o caixão dum cidadão que é ao mesmo tempo idolo e começa a ser amigo? Seria Rubens o mesmo depois disso? Só ele pode dizer. Eu realmente acho que não.
    O que a fatalidade determina, os efeitos da relação mídia-público-Rubens, são também devastadores. Com 22 anos, eu mal tinha saído dos cueiros. Imagina eu com 22 anos e um país em luto, conduzido pela televisão oficial, e acreditando que sou eu o sucessor de um ídolo tido como herói nacional? Depois de o público ser iludido a crer no jovem ainda verde, veio a amargura: na forma de chacota. E Rubens nunca tolerou, aguentou. Penso agora: estivesse Senna vivo, o garoto Rubens ainda contaria com ele na F1 mais 2 anos talvez, a carreira dele se apagaria lenta enquanto a sua crescesse, teria tempo de amadurecer, inclusive para lidar com cobranças e pressões. Ao invés disso foi tragado para um rodamoinho que misturava luto, esperanças irreais, síndrome de vira-latas e só resultou numa ácida rejeição ao jovem.
    Dito isso, há ainda o lado de carreira. Com Senna vivo, Rubens teria tempo de amadurecer como talento, sem pressão, com menos holofotes. Teria condições de fazer melhores escolhas, mais arrojadas. Teria até mas direito de errar.
    Enfim, vejo essa corrida, como vi o filme Senna, só pensando nisso. Rubens, pelo que é, pelo que foi, pelo que poderia ter sido: mas pelo que passou, devia, mas devia mesmo, merecer um pouco mais.

    • Sandro Marques disse:

      Perfeito Marcus, sempre tive exatamente a mesma percepção que você. Se foi difícil para todos que de alguma forma gostavam de Senna, para ele foi muito mais.
      Isso só faz a trajetória dele mais impressionante ainda. Apesar de todos os reveses, chegar onde ele chegou não é para qualquer um. Na minha humilde opinião é um dos pilotos sem título que merecia ter ganho ao menos um.

      • Reinaldo Bascchera disse:

        O Rubens também achava isso. Há pouco tempo ele disse que pelo menos um dos títulos do Schumacher deveria ser dele.

      • Paulo Pinto disse:

        Um dos títulos de Schumacher deveria ser dele?

        Simples. Basta o Rubinho entrar com um recurso junto à FIA, exigindo um dos dois títulos do alemão em que ele foi vice.

        “Vai que cola!”

    • Reube Reis disse:

      Seguindo seu raciocínio o Senna teve muita sorte de ter Piquet na F1, Tricampeão antes Piquet foi declinando principalmente na Lotus 88/89, enquanto Senna foi conquistar seu 1° título no 5° ano na categoria, em tese Senna não ser campeão em 87 na Lotus com motor Honda seria um fracasso, porém atenuado devido a conquista do título do Piquet em 87.

      • Marcus Lima disse:

        Precisamente isso. Especialmente num pais onde a relação com o esporte a motor, e em geral, é tão mal resolvida, foi providencial que Piquet fosse o anteparo de Senna: ou este seria engolido pelas críticas. O mesmo vale para o Piquet e Emerson. E faz do Emerson realmente muito especial e importante.

    • Betocam disse:

      Sandro, até acho que com a morte do Senna ele sofreu um impacto, mas, só um detalhe: Quando o Rubinho assinou com a Ferrari, não sei se por um sonho (afinal é o sonho de todo piloto) ou por dinheiro (conforme opinião de Piquet a época que é o que eu acredito) ele abriu mão de ser alguém na F1.
      Ser companheiro de um Schumacher (ainda mais na Ferrari), é pedir para nunca ser campeão.

  20. Apm disse:

    Inesquecível!!!!!! Vou rever essa corrida amanhã!!!! Valeu Rubinhooooo

  21. Wanderson Marçal disse:

    Como disseram acima, foi uma vitória estupenda, talvez a mais “emocionante” de um piloto na F1. Pelas circunstâncias todas, desde ser a primeira após a morte do Senna até pela carga toda de expectativa e carisma que carregava o piloto brasileiro. É um belo momento indiscutivelmente e o Barrichello, quase que a prever como suas vitórias seriam raras, vibrou como se fosse um título mundial. Eu considero que é seu título mundial particular.

    Mas é isso. Ainda que talvez fosse um espaço apenas pra celebrar aquela conquista em particular, é quase impossível não falar do que foi a carreira desse piloto, que considero absolutamente vencedora do ponto de vista do talento que de fato ele tem ( talentoso, mas não tão grande assim para os padrões da F1, onde ele era apenas um pouco acima dos normais, sendo um bom piloto), mas muito decepcionante a partir do que dele se esperava.

    E eu sempre digo que a maioria dos brasileiros não esperava que ele fosse um novo Senna. Isso aí tem muito de mito. As pessoas esperavam que ele brigasse por vitórias. Que lutasse por títulos — como o Massa lutou em 2008 e deste modo, por algum tempo, gozou de prestígio.

    Só que a verdade é que a carreira do Barrichello sempre foi condizente — como teria de ser — com sua capacidade: foi razoável na Jordan, ora superando ora sendo superado pelo Irvine. Como não mostrou nada de muito especial, a não ser um peido aqui outro acolá, ficou na linha de frente da categoria e foi salvo pela Stewart, que pouca gente se lembra mas passou a existir de uma forma meio que inesperada — estilo Brawn GP.

    Aí ele pegou companheiros fracos, fez boas temporadas e calhou da Ferrari precisar substituir o Irvine. E o Schumacher não ia querer alguém que fosse lhe dar trabalho. E Barrichello poderia ser bom o suficiente pra somar pontos para o campeonato. Foi e até vez por outra, como nessa corrida, conseguiu algo mais. Mostrando que era capaz de às vezes ir além. Mas só às vezes (peguem todas as temporadas do Rubinho e vocês vão ver, no máximo, duas, três realmente boas corridas por ano, com exceção a 2003, onde talvez teria sido o ano que foi 2008 para Massa, sem ter, porém, a mesma sorte do compatriota, que pegou um companheiro enfraquecido e uma rival com um moleque errante e em um carro mais fraco).

    Barrichello ainda teve uma chance de ouro de se aposentar por cima, na Brawn, mas acabou sendo derrotado pelo Button (de forma muito merecida) e foi parar numa Williams claudicante e encerrou a carreira por lá. Acho que conquistou muito mais do que o seu talento puro poderia proporcionar. Teve sorte em alguns momentos. E é uma pena que tentem medir sua carreira por outras réguas — fazendo que ela tenha um aspecto de derrotado, que não é e nunca foi o caso.

  22. josé Marinho disse:

    Me lembro de por uma fita k-7 para gravar a corrida, minha mãe perguntou se eu não ia assistir a corrida, falei que sim , ela perguntou então por que eu ia gravar? eu respondi por que o Rubinho vai ganhar hoje eu quero guardar essa corrida.

    • Sandro Marques disse:

      Fiz algo parecido. Estava jogando no PC com meu irmão e meus sobrinhos até tarde da noite quando falei para eles: Vamos parar por aqui porque amanhã tem corrida, não posso perder porque o Rubinho vai ganhar. Todos duvidaram enquanto riam de mim.

  23. Rafael Bilibio disse:

    Eu me lembro como se fosse hoje. Aqui em Passo Fundo estava um sol maravilhoso, aquele domingo de manhã especial, era dia da Festa de São Cristóvão/Procissão do Dia do Motorista, então a cidade inteira estava buzinando e foi algo realmente emocionante do jeito como foi. E o Galvão narrando, ele emociona (mesmo que as vezes ele é mala, mas ele sabe emocionar).

  24. marcelo bueno disse:

    E não digo isso especificamente por ser o Rubens…mas porque “esse clima” acho que não existe e nem vai mais existir na Formula 1 , o que é uma pena

  25. marcelo bueno disse:

    Incrivelmente não vi essa vitória ao vivo, não me lembro o motivo, talvez por ressaca, não sei.

    mas o que me chama mais a atenção é um clima que acho que não há mais ou tem como haver mais na formula-1. Hakkinen e Coulthard além de Schumacher pareciam bem felizes pela vitória do Rubens, mecânico da Arrows (saudosa Arrows) na mureta no meio da zona dos ferraristas… quem hoje seria capaz de ganhar uma corrida e causar um sentimento de alegria em outros concorrentes?

    talvez ninguém hoje, nem no futuro.

  26. Edson disse:

    Olá Falvio tudo bem? Para saciar um pouco a espera da Summer Break… olhem esse vídeo da pole em Spa em 2004 do Jarno Trulli… Surpreendente!!!
    https://youtu.be/wl0h3jBYPv8
    Abraços e muito obrigado!!!!

  27. Marcos disse:

    Se tivesse guiado mais vezes como naquele dia (assim como Massa, nas vitórias de Interlagos), certamente teria tido um histórico completamente diferente na categoria.

    Essa é a diferença deles, os meros mortais, das lendas como Senna, Schumacher, e como pode-se ver recentemente, Vettel.

    Pra fazer diferença na F1, tem que dar 110% SEMPRE. Não só de vez em quando. Talvez por isso, também, Senna fosse tão idolatrado.

  28. Mateus Leite disse:

    Ola Flávio… isso na verdade nem é um comentário sobre o tema, embora me interesse muito por automobilismo e sou um leitor assíduo de seu blog.

    Acho que não se lembra, mas conheci você pessoalmente em Londrina – PR ano passado num treino livre em que o Meianov nem foi pra pista. Mas o que eu vim fazer aqui mesmo é pedir a sua autorização para realizar um trabalho acadêmico. Sou estudante de Arquivologia na UEL (Universidade Estadual de Londrina) e seu sistema de arquivo de textos (a partir de 1995), que conheci apenas agora que você citou no texto acima, cai como uma luva no projeto de pesquisa para arquivos eletrônicos que estou realizando.

    Fica o pedido. E prometo que te mando o resultado!

    *Só estou pedindo para você por aqui porque tenho seu endereço eletrônico direto.

  29. Cassius Clay Regazzoni disse:

    Rapaz, para mim foi a maior vitória de todas mesmo.
    Eu chorei igual menino e fiz uma arruaça no prédio em que morava que os vizinhos quase chamam a polícia.
    O fato dele desobedecer o Ross Brawn foi motivo de muito orgulho e deu uma esperança de que ele fosse dar uma de Piquet e lutar contra tudo e contra todos naquele ano, ou então sair de equipe e procurar novos ares.
    Ledo engano, quem nasceu para ser subserviente dificilmente muda, é o caso do Barrichello.
    No fim das contas ele ainda teve mais duas grandes vitórias (uma em Silverstone e outra em Monza), e foi o “segundo” melhor representante brasileiro na F1 depois dos três campeões.
    Tá de bom tamanho pela falta de personalidade.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>