MENU

quarta-feira, 21 de outubro de 2015 - 21:52F-1

SUZUKA, 1990

podiozukua90

SÃO PAULO (deu tempo) – Hoje faz 25 anos do segundo título de Senna. Faz 25 anos do acidente com Prost. Daquilo que muita gente chama de vingança pelo que aconteceu em 1989. Daquilo que muita gente acha que foi apenas uma manobra suja do brasileiro.

Mas faz 25 anos da última dobradinha brasileira na F-1, e essa é minha lembrança mais doce daquele fim de semana enquanto estava diante da TV. Mais do que a conquista de Senna — que acabaria vindo na Austrália, se não fosse a batida na primeira curva. Piquet e Moreno no pódio foi o mais bacana daquela corrida. E um japonês, Aguri Suzuki, em terceiro, foi o pepino no sushi daquela madrugada.

Foi bacana pelo choro de Moreno. Nunca mais ele teria essa chance, mas suas lágrimas valeram por dezenas de troféus.

Foi bacana pelo sorriso aberto de Piquet. Mais duas viriam: na corrida seguinte, na Austrália, e no Canadá, dali a menos de um ano. E nunca mais, também.

Mas ver a dupla da Camber lá no alto foi sensacional. A comemorar um título conquistado de forma controversa, achei na época que os torcedores brasileiros deveriam era festejar o 1-2 de Nelson & Roberto — essa história, com entrevistas de Piquet e Moreno, está no excepcional texto do Fernando Silva hoje no Grande Prêmio.

Isso é o que lembro da madrugada. Algumas horas depois estava na redação da Barão de Limeira para fechar a edição que teria nada menos do que 20 páginas, e aí esquece dobradinha, esquece Senna, esquece tudo. Precisava fechar o jornal. Alguém consegue imaginar um caderno de esportes com 20 páginas hoje? Pois era o que tínhamos, com uma de anúncio na contracapa — da Marlboro.

Foram 13 só sobre a corrida e a conquista do título. Eu era editor de Esporte, na época. Nosso titular de F-1, Mario Andrada e Silva, fez seus textos de Paris, onde morava. Por razões de economia (ano do Plano Collor, vocês não fazem ideia do que é crise…), em vez de mandá-lo da França para o Japão, a “Folha” preferiu antecipar a viagem de Fernando Rodrigues, que passaria a ser o correspondente do jornal em Tóquio. Creio que foi sua primeira cobertura do outro lado do mundo. De Narita para Suzuka, sem nunca ter feito um GP na vida.

Mas Fernando é bom jornalista, e a orientação que dei a ele foi: pegue a coletiva do Senna na íntegra. Se der tempo, faz mais alguma coisa. Mas quero cada palavra que o cara disser. E foi o que ele fez. Eu mesmo escrevi um texto pequeno, porque o trabalho de fechamento da edição era monumental. Inclusive defendi Senna, nesse pequeno artigo. Considerei que Prost, se quisesse, poderia ter evitado a batida. Hoje penso diferente, depois de ver a imagem um milhão de vezes.

Desse domingo maluco, lembro também que mandaram para fechar nosso caderno uma diagramadora que estava em sua primeira semana de jornal. Ela era ótima, uma graça, tímida, magrinha, cabelo curtinho, tinha noção das coisas, mas caiu numa fogueira insana. Resolvi fazer uma página dupla só de fotos e legendas bem elaboradas. Escolhi 18 imagens. Naqueles tempos, era preciso pegar a foto original, determinar o corte, calcular a proporção e enviar para sei lá onde para que ela fosse ampliada exatamente no tamanho pedido pelo diagramador.

Às vezes dava erro, na correria do fechamento. Fui inventar aquela dupla e a menina, coitada, enlouqueceu. Isso atrasou um pouco nosso trabalho. Deixei meus editores-assistentes fechando as páginas menos complicadas e fui cuidar pessoalmente daquela maluquice. Tínhamos um horário muito rígido para fechar o jornal, determinado pelo setor industrial — tem hora para a página “descer” para o paste-up (no caso era descer mesmo, para o terceiro andar), para ser montada, para passar pelo secretário-gráfico (que checava títulos, legendas, numeração, fotos) e ser liberada por ele até, finalmente, ser enviada para a impressão. Tem hora para tudo, porque há um tempo necessário para rodar, dobrar, empacotar e enfiar nos caminhões, Kombis e aviões.

Eu estava atrasado, de pé do lado dela, quando ouço uma voz baixa às minhas costas. Flavio, vai demorar? Porque já estouramos o fechamento, acho que está atrasado…, disse a voz. Eu nem me virei, levantei os braços e respondi, porra, são 18 fotos, a menina está fazendo tudo que pode, eu estou fazendo tudo que posso, uma hora fecha, me deixa trabalhar em paz! A voz, ainda baixa, respondeu que OK, faça o possível para não atrasar muito, e quando fui ver quem era aquela voz, era Otavio Frias Filho, o Otavinho, dono da “Folha” – era domingo, regime de plantão, e na escala daquele fim de semana foi ele o responsável pela Primeira Página e pelo fechamento do jornal. Não perdi a pose, mantive a voz firme e disse: fica tranquilo, estamos quase acabando, vai dar tudo certo, muito obrigado pela preocupação, e saiba que existe uma única verdade no jornalismo. Fiz uma pausa, ele me olhou meio espantado e curioso sobre aquela revelação extraordinária, e eu disse qual era a única verdade: sempre fecha.

Sendo bem honesto, é do que mais me lembro daquele domingo, 21 de outubro de 1990.

87 comentários

  1. Leonardo Cabral disse:

    Se o Reginaldo Leme fala que o Senna foi o melhor, não posso levar a sério a sua conclusão, respeito sua opinião, porém acho que gosta de diminuir o Ayrton …

  2. J Fernando disse:

    Quem diria!!
    Apesar de não gostar da figura, o modo como Otávio Frias se portou diante de sua exasperação foi realmente digno de um grande patrão.

  3. Que falta fazem seus textos sobre as viagens que tu fazia pela F1.

  4. Eduardo disse:

    1990: defendi senna.
    2015: manobra suja do brasileiro.
    Nada como o tempo…

  5. Paulo Travaglini disse:

    Concordo com você: considerei que Prost, se quisesse, poderia ter evitado a batida.
    E não vejo nenhum motivo para mudar de opinião, mesmo vendo a cena 1 milhão de vezes.

    O Prost na verdade foi cagão, se fez de vítima: Não teve coragem de recuar na primeira curva para ganhar o direito de disputar as voltas todas da corrida contra o Senna. Se ele confiasse em que era melhor que o Senna, teria seguido essa alternativa, visto que o Senna já tinha avisado o que faria na primeira curva. Porém Prost optou por se fazer de coitado e se contentou com vice.

  6. Pedro Araújo disse:

    lembrei de uma coisa: faz sentido o Frias Filho não saber a “única verdade sobre jornalismo”… afinal, o pai dele era um granjeiro, e em algum momento comprou a Folha de SP porque viu uma boa oportunidade de negócios e ascensão social…

  7. W.Junior disse:

    Parabéns pelo texto,Excelente. Também assisti ao vivo (na TV) esta corrida. emocionante mesmo foi o podio com o Moreno. Valeu mais que o titulo que como disse era certo vir na Australia. Alias lembro também da corrida da Australia em que a dobradinha estava se repetindo, porem o carro do Moreno deixou na mão . Ja imaginaram se tivesse repetido? Este fator me deixou triste , pelo cara que o Moreno sempre foi na pista e fora dela !

  8. Gabriel Barobsa disse:

    Flávio, por falar em passado, o que houve com a coluna “Na Garagem”?

  9. Marino disse:

    E a menina????!!!!???? que aconteceu com ela? como se chama? ainda trabalha na Folha? saiu? faz o que agora???? voce escreveu “mandaram para fechar nosso caderno uma diagramadora que estava em sua primeira semana de jornal. Ela era ótima, uma graça, tímida, magrinha, cabelo curtinho, tinha noção das coisas, mas caiu numa fogueira insana”.
    A história da corrida, da batida, da dobradinha todo mundo aqui já cansou de ler. Fiquei curioso mesmo em saber que fim levou essa assistente. É sincero. quero saber se ela seguiu na carreira. Logo na primeira semana pega um louco pela frente, ou desiste ou virou a dona do jornal….Abraços.

  10. “Suzuka, 1990″, mas poderia ser “Sempre fecha”.

    Mais um daqueles textos que valem a pena entrar aqui todo dia (mesmo não comentando mais).

    A propósito, fez falta na Trifon sábado.

    Abs.

  11. Tiago disse:

    Acho que essa batida, junto com a de 89 foram como a “batida” de Valentino Rossi no Sete Gibernau. Foi pra mostrar quem manda. É um forma mais perigosa, mas menos nojenta que mijar no carro ou na moto do outro pra mostrar quem é que manda.

  12. Lauro Kennedy disse:

    Acho uma babaquice quem hoje, 25 anos depois fica criticando a atitude de Senna, caramba, era pra ter feito mesmo, roubaram ele noa ano anterior, roubaram nessa corrida tb, F-O-D-A- -S-E o politicamente correto, homens têm sentimentos, sangue correndo nas veias, e Senna era um homem como outro qualquer, tanto q morreu, o q ele fez em vida é sim exemplo pra qq pessoa, disputar, ter gana de ganhar, a vida é isso, ou será q Dick Vigarista o Schumacher, foi um anjinho, deu passagem pra alguém, não meteu o carro em cima de ninguém?!?!?!?!?!?!?
    O cara era o melhor, que mania do caramba de querer tirar os méritos de Ayrton Senna do Brasil, naquela época como bem colocou Flávio Gomes o Brasil era uma M-E-R-D-A e a única coisa q dava certo e q dava orgulho naquela M-E-R-D-A de outrora era Ayrton Senna! O jogo tem q ser jogado e se as regras te favorecem faça acontecer!!!!!!!!!!! Jogue com a regra debaixo do braço!!!!!
    Ayrton foi e sempre será F-O-D-A!!!!!!!

  13. Mario Gasparotto disse:

    Imagino a loucura que foi. A corrida acabou lá pelas 2 da manhã e o jornal saia quentinho junto com o pão de domingo e era só a Folha de São Paulo. Internet nesta época era algo que nem explicando o que se achava muita gente não entenderia! Realmente. Eu me lembro de ter uma puta expectativa para a “maior corrida de todos os tempos” e em duas voltas os dois favoritos ao título fora, um segundo favorito na brita e uma broxada que no fim, virou apoteose com a dobradinha fácil entre Piquet e Moreno, depois que o Mansell saiu e as Williams não andaram nada.

  14. carlos lima disse:

    Ótimo texto! Parabéns, escriba. O leitor agradece. Bravo!

  15. Moacyr Lopes disse:

    “Sendo bem honesto, é do que mais me lembro daquele domingo, 21 de outubro de 1990.”….

    Honestidade é tudo.

  16. GuilhermE disse:

    Tu és muito piquetista, Flavio Gomes!

  17. william disse:

    Gomes, parabéns pelo texto. Gosto no geral dos seus textos, mas acho que você se supera quando escreve sobre suas memórias. Nesse campo a prosa ganha um outro nível. Talvez até mereça um livro de coletâneas… Já pensou nisso? Abraços!

  18. JT disse:

    Parabéns para o Fernando Silva pelo texto muito gostoso de ler no Grande Prêmio. E quando o Moreno pede para o Senhor lhe ajudar e a resposta vem em forma de endorfina na corrente sanguínea, me identifiquei com a situação, vivida em outros termos, mas igualmente emocionante.

  19. Wallace Ferreira disse:

    Cortada de prego fenomenal .

  20. josé disse:

    o Julio Gomes é seu parente? (filho?)

  21. Lembro perfeitamente, também.

    Eu tinha 12 anos, e torcia para o Piquet. Quando Senna e Prost se pegaram – eu ainda acho que o Senna não aliviou, claro, mas o Prost poderia ter evitado – , eu fiquei satisfeito pois facilitou a vida para o Nelsão.

    Foi sensacional, e parecia uma eternidade desde a última vitória do Piquet, em 87. Apenas 3 anos… Hoje, a última do Felipe já vai para o sétimo aniversário.

    Essa vitória deu o gás que o Piquet precisava para vencer a seguinte, na Australia, o 500º GP da história.

    E Nannini vinha fazendo um bela temporada, andando na frente do Piquet várias vezes.

    E Suzuki completando o pódio mais legal da história.

  22. Roberto Mota disse:

    Fuçando no youtube, achei esse vídeo. olha a descrição: “In the early 1990′s Japan’s premier performance products company, HKS, set out to design, engineer, manufacture and test a Formula 1 spec V12 racing engine. Displacing 3.5 liters, the 75 degree, 5-valve 300E (as it was named) produced 650 horsepower at 13,500 rpm. It was track tested at Fuji Speedway in the back of a Yokohama/Advan shod Lola T91/50 F3000 chassis in 1992, but was never used in competition”. Alguém saberia de algo a respeito? Link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=J3s8NSY06SA

  23. TJ disse:

    Fox Golf,
    Você passou a pressão daquele momento da redação no texto. Muito bom.
    No mérito da questão, na minha jeguice, o Senna fez o que tinha que fazer, tá na chuva é pra se queimar.
    O Piquet e o Moreno na foto felizes, que bacana.
    Eu acho que o mundo já acabou.
    Falando nisso, parece que tem um asteróide passando por aí!

  24. Figo disse:

    Se não me engano, naquela época, a Globo passava um VT das corridas de madrugada no domingo de manhã. Lembro de ter visto esse VT.

    Assisti nestes vídeos a parte de chegada e pódio:
    https://youtu.be/cXoKWP-_8JM

    Quase no fim deste outro, creio que seja o Moreno ainda dentro do carro, muito rapidamente.
    https://youtu.be/C63UPe5yLW0

  25. Orlando disse:

    Injustiçado Moreno. Diz a lenda que teria sido vetado pela Benetton por ser careca. Incompatível com a imagem glamourosa do patrocinador.

  26. Fabio Souza disse:

    Como sempre, excelente texto, e realmente o texto do Fernando Silva ficou fantástico, parabéns a todos! Foi muito legal recordar esse que foi um dos finais de temporada mais legais que vi, justamente por conta desse clima de aposentadoria do Piquet da F1 ganhando as 3 ultimas corridas com a Benetton e esse pódio lindo com o Moreno. Valeu, gente!

  27. Rafael Rego disse:

    Assim como aconteceu com um colega ali em cima, o texto me deixou mais encantando pelas narrativas dos bastidores do jornal, do que propriamente pela corrida. Belo texto!

    E, sobre a corrida, o texto do Fernando Silva ficou excelente!

  28. Daniel Beltz disse:

    O que mais me chamou a atenção na edição da Folha (no link do arquivo), foi que “Apensar do titulo, a McLaren segue em débito com a Honda”. O mundo dá voltas.

  29. Felipe Oliveira disse:

    Oi Flavio, acabei lendo esta edição há pouco tempo na versão online, Tem uma critica ao Galvão Bueno e rede globo por tentar fazer o telespectador de trouxa, não tem o autor, acho que é coisa sua, rsrs
    Como torcedor do Senna e brasileiro, na época achei sensacional, hoje tenho uma visão bem diferente.

  30. João Luiz Marques disse:

    As duas Williams chegaram atrás (Patrese em 4º, Boutsen em 5º), seguidas do glorioso Nakajima com Tyrrell em 6º.

    Assisti essa corrida com lágrimas nos olhos. Eu tinha 16 anos.

  31. David Felix disse:

    Que legal essa historia…

    Sempre sonhei em ser jornalista, havia até ganho alguns concursos de redação quando mais jovem, porém as curvas da vida me afastaram de meu sonho… enfim, acontece

    Com relação a corrida foi muito legal ver o Nelsão vencer de novo e com o Moreno em 2o. foi perfeito !!!

    Da batida, bem, o Senna poderia ter evitado a batida em 90, assim como o Prost poderia ter evitado em 89

  32. Zacca disse:

    Parece que algo lá de baixo fechou bem apertadinho naquele momento dessa historinha, rs, hilária demais.

  33. Guilherme disse:

    Que legal voce lembrar justamente deste GP porque, para mim, foi simplesmente a MELHOR corrida que o Brasil já teve:
    1 piloto saiu dela tri-campeão do mundo … o outro tri a venceu … um dos pilotos mais gente boa que a gente já teve, de carreira dificilima, conquistou um podio que o encheu de felicidade … e, detalhe: os dois eram super amigos!
    Me lembro que, eu nunca desliguei uma TV, depois de uma corrida, tão feliz e satisfeito quanto daquela vez…

  34. Carlos Pimenta disse:

    Acho legal estas esparramadas quando se tem compromisso, mesmo sendo com quem for: Dono, Gerente ou sei lá quem. Mesmo sem querer é legal. Tenho uma história do meu avô que trabalhava para o Golbery, cuidando de seus cavalos e vacas ((!!)) Sim, daí uma vez a mulher do milico estava enchendo o saco de meu avô quando ele tirava leite. Dizendo que a vaca dava mais leite que o permitido, ele falava que não podia tirar tudo, pois devia deixar um pouco para o bezerro e a mulher enchendo o saco e falando merda, ele pegou o balde com uns 20 litros jogou nos pés do pessoal. O Golbery pegou a mulher chamou os seguranças disse: Vamos embora ele está nervoso, entrou no carro. E tudo ficou bem.

  35. Paulo Torres Garcia disse:

    E foi o GP de F1 número 500.

  36. João disse:

    Duas coisas me incomodam quando debatemos o passado da F1.
    A primeira delas é não saber o porque dos debates a respeito das preferências por pilotos caírem, invariavelmente em desrespeito à imagem dos pilotos e diminuição dos seus feitos como tal. Acredito que este tipo de tietagem (que assola qualquer debate sobre esporte na internet) é uma das grandes mazelas do esporte moderno. Temos que parar de debater como adolescentes discutindo nossa boy band preferida e apreciarmos uma boa disputa esportiva e respeitarmos o legado desses caras.
    A segunda coisa que me incomoda é o fato das pessoas se acharem no direito de subjugarem a trajetória de um corredor por um eventual erro que eles tenham cometido. Esses rapazes nortearam sua existência em busca de uma loucura que é tornar-se um piloto de sucesso, submetem-se à enormes pressões tanto internas quanto externas, sabem que quando entram em um carro há muita coisa em jogo, dinheiro, fama e todas as benesses para os vencedores e nada para os perdedores. É uma vida bônus e ônus como a de qualquer um de nós, a diferença é que, no caso deles, sucesso e fracasso são levados ao extremo. Por vezes, é em uma chicane ou numa largada em Suzuka onde eles, em altíssima velocidade, devem decidir se serão vitoriosos ou derrotados e não há nenhum piloto realmente competitivo que aceite ser derrotado porque o cara do carro ao lado foi mais ”macho” nesse jogo sobre quem está disposto a ir mais longe para ser campeão infelizmente, às vezes, eles ultrapassam a linha do bom desporto. Porém, dos anos 80 para cá, não há nenhum grande campeão que não possua alguma controvérsia em seu currículo,. Eles erram porque apesar da imagem de super-heróis que fazem deles, pilotos são apenas caras que apertam um acelerador, que falham, como qualquer um de nós.

    Ps 1: Tenho que admitir que adoro quando acontece algo como em Sochi, onde um piloto tentou uma manobra nonsense, na última volta, assumindo os riscos de se dar mal e criar uma inimizade na pista, apenas pela gana de executar mais uma ultrapassagem. Acredito que o verdadeiro espírito das corridas de automóveis vive nesses eventos.

    Ps 2: Nasci em 88 e Senna foi meu 1ª ídolo neste esporte (posso ser classificado como Sennista) mas, acima dos nomes, eu sou um fã da F1 e fico muito aborrecido como vejo alguém denegrir a imagem ou diminuir as conquistas dos grandes que fizeram este esporte ser o que é.

    Ps 3: Peço desculpas pelo tamanho do texto, não pretendo incomodá-los mais.

    Fiquem numa boa e discutam com responsabilidade.

  37. Sérgio Kraselis disse:

    Você é gênio, Flavinho. Lembro bem desse fechamento e da diagramadora perdidinha. E por uma questão de educação, acredito que não tenhas acrescentado ao porra um vai tomar no… Ah! sim: Piquet sempré será meu ídolo. Numa cobertura em Interlagos, já longe das pistas, o vi circular pelos boxes e ser saudado por mecânicos de todas as equipes. Claro, maroto, ao seu lado estava um monumento de olhos claros . Outro gênio.

  38. pedro araujo disse:

    muito bom o texto da materia no GP.

  39. pedro araujo disse:

    Sempre muito legal seus relatos profissionais de época, Gomes… o Fernando Rodrigues que você citou é o do swissleaks, eu imagino….

    http://jornalggn.com.br/noticia/contas-secretas-do-hsbc-paralisam-o-mundo-menos-o-brasil

    Na época o que eu achei mais legal daquela corrida foi mesmo o choro do Moreno, e a alegria do Piquet, meio que brincando com o amigo.

    E você tem razão sobre os ’90 aquilo sim era crise. Lembrando o post recente sobre os Ladas em cima da cegonheira, os ’90 podem ter sido mais interessantes, mas sou mais os ’10.

  40. Helio disse:

    Flavio,
    Que delícia de texto.
    Na correria, sempre a correria destes tempos ridículos, só lí o primeiro parágrafo.
    Agora relendo tudo com calma, cara …
    Impagável o episódio do Frias.
    Publique estas crônicas.
    Vale ouro.
    Grande ab.
    H

  41. Marcelo disse:

    Não tem essa de vingança, pra ser campeão em 89, Senna precisava vencer as duas últimas corridas, mesmo que levasse a vitória no Japão, faltaria vencer na Austrália e nessa corrida ele bateu liderando na chuva com retardatário. Jogando carro em cima de Prost em 90, Ayrton se nivelou por baixo como piloto sujo em decisão por título. Outro detalhe, o francês deu uma aula de regularidade em cima do brasileiro e mereceu o título de 89, basta observar a tabela. Fato semelhante já tinha acontecido em 88, o francês superou o brasileiro na pista e nos resultados, mas Senna foi campeão graças ao regulamento de descartes, isso deixou o título artificial.

    Campeão em 88 com melhor equipe e carro da época, mais regulamento de descartes dando uma mãozinha. Bicampeão em 90 jogando carro em cima do adversário. Tricampeão em 91 com um carro eficiente e toda equipe a favor deixando Berger como capacho. Tecnicamente e esportivamente, sou mais o tricampeonato de Piquet.

    Nelsão fez tudo que um piloto completo sonha na Formula Um! A Brabham não via um piloto campeão desde 1967, Piquet quebrou esse tabú e o título veio depois de 49 corridas. Nelsão ainda quebrou outro tabú, foi o primeiro campeão com motor turbo, a Renault já estava com esse motor desde 1979. Piquet desenvolveu o motor BMW em 82 e foi campeão em 83. O brasieliro foi o último campeão onde o piloto ainda valia 50% no desenvolvimento e acerto do carro, até 83 um F-1 era basicamente impulsionado pela mecânica, elétrica e hidráulica. No ano seguinte, Lauda foi campeão em um carro completamente diferente, com parafernálias eletrônicas, começava a era da “telemetria” na F-1, nos boxes haviam dezenas de computadores. Com pouca experiência na Brabham, Piquet disputou poles, vitórias, pódios e títulos com pilotos experientes como: Reutemann, Watson, Andretti, Laffite, Lauda e Jones, de sua geração disputou com: Patrese, De Angelis, Villeneuve, Pironi, Prost, Arnoux, Rosberg, Mansell, Berger e Senna.

    Na Williams, Nelsão teve que quebrar o domínio da melhor equipe da época, a Mclaren que levou os títulos de 84/85/86. Em 85 a Williams venceu quatro corridas com o motor Honda, em 86 com Piquet no time foram nove, em 87 foram onze. Mclaren em 88 pegou tudo “mastigado” o motor japonês já estava desenvolvido ao extremo na Williams, ou alguém vai falar que foi o Senna que fez o serviço duro vencendo apenas duas corridas? Nem com o fantástico motor Honda Senna chegou ao título na Lotus, e com esse motor, Senna fez apenas uma pole em 87(fez muitas poles em 85/86 porque usou motor especial de classificação com 100 cv a mais que os rivais. Detalhe, esse caríssimo motor só foi usando pela Lotus, e duravam apenas 15 minutos. Em 87 esse motor foi proibido em classificações e Senna ficou na mão). Coloca 100 cv na Ferrari de Vettel pra ver o que acontece…pilotos da Mercedes entram em pânico!!!!

    Campeão em 1981
    Construtor – Brabham
    Motor – Ford Cosworth DFV 3.0 V8
    Pneus – Michelin e Goodyear

    Campeão em 1983
    Construtor – Brabham
    Motor – BMW M12/13 1.5 L4 Turbo
    Pneus – Michelin

    Campeão em 1987
    Construtor – Williams
    Motor – Honda RA167E 1.5 V6 Turbo
    Pneus – Goodyear

    Tricampeão por duas equipes diferentes, com três motores distintos, usando pneus Goodyear e Michelin. Piquet foi campeão sem regra de reabastecimento em 81, e com reabastecimento em 83(uma regra bem complexa na época), e voltou a ser campeão sem essa regra em 87, em um carro totalmente diferente dos títulos anteriores(81/83) que não possuíam telemetria.

    Esportivamente, Piquet não precisou de regulamento de descartes a favor pra ser campeão, não jogou carro em cima do rival pra ser bicampeão. No tricampeonato, Piquet fechou com a Williams pra ser primeiro piloto, mas foi boicotado no desenvolvimento do carro, tudo era ‘nivelado por baixo’ pra favorecer Mansell. Piquet fez mais, derrotou a patriotada da Williams e foi campeão. Depois disso, a Williams só voltou a ser grande com Newey nos anos 90…pegaram aquela suspensão ativa que o Piquet estava desenvolvendo e jogaram o projeto nas mãos de Newey…o resto foi massacre em 92/93.

    Prost passou boicote semelhante em 89, enquanto Senna tinha um batalhão de engenheiros do lado, o francês tinha ‘meia-dúzia’…e Prost só jogou o carro em cima no Japão porque Senna foi sujo em Imola. Piquet ainda não precisou de marketing – barato pra se promover na mídia, muito menos precisou ficar puxando saco de emissora patética com seu eterno narrador idiota.

    Eu divido a Formula Um em duas fases, até 1983 o piloto levava 50% de mérito no desenvolvimento e acerto do carro, a partir de 84 começava a “era moderna” da Formula Um. O piloto já tinha que dividir informações com os computadores…

    Assim como Lauda, Piquet foi campeão com carros distindos com e sem telemetria…isso sendo um dos “pilares” dentro da equipe, desde o trabalho pra organizar o time, até o desenvolvimento completo do carro(chassi, pneus, câmbio e motor). De todos os pilotos que vi desde 1981, somente Lauda, Piquet, Prost, Schumacher e Alonso podem ser chamados de pilotos completíssimos. Infelizmente acabaram com os testes a partir de 2010, isso atrapalhou muito o trabalho do piloto em cima do carro(Schumacher na Mercedes e Alonso na Ferrari são prova disso). A categoria escolheu o caminho errado, começou a valorizar demais a tecnologia(engenheiros começaram a se destacar mais), esse foi o problema, os pilotos são os menos culpados.

  42. Batista Lara disse:

    Flavio, nem Senna, nem Piquet, nem Moreno…. Esse seu texto, pelo menos para mim, desviou o foco da foto. Nunca fiz idéia do que é a profissão de jornalista sério. Bela profissão! Parabéns pelo texto e pelas memórias!

  43. Sérgio Senne disse:

    Em 90 não tirou o pé para Prost rodar, e em 91 tirou para o Mansell rodar… Que comece o mimimi….

  44. Apm disse:

    Eu vi, vibrei, gritei, foi vingança mesmo, e continuo achando que Senna fez o certo mesmo. E sem dúvida nenhuma, na segunda comprei a Gazeta do Povo, o Estadao e A Folha para devorar tudo sobre o título e, principalmente, a dobradinha. Bons tempos.

  45. Lucas disse:

    Prezado Flávio,
    O Piquet também venceu a corrida seguinte, em Adelaide, com outra monumental atuação segurando o Mansell em várias tentativas de ultrapassagens kamikazes do Leão. Aí sim viria a última vitória, em 1991, em Montreal.
    Já sobre o choro do Moreno, este sim foi um dos mais emocionantes em corridas de F-1. Mas o Aguri Suzuki no podium foi legal demais! E o ronco daquele motor Lambo V12 da Lola? Coisa linda!

  46. Oi? disse:

    Por falar em crise, tenho percebido um afastamento entre as gôndolas do supermercado, além de desabastecimento de uns 30% de produtos que eu comprava. Os preços estão aumentando e os mercados sempre bem vazios… Estou sem entender o que está havendo no Brasil.

    • Flavio Gomes disse:

      O que você comprava? Trufas?

      • Rogerio disse:

        As trufas sairam do cardapio. Com a alta do dolar estão inviaveis..kkkkk

      • Geraldo disse:

        Não …. não só as trufas sumiram das gôndolas … basta ir ao mercado e verificar … não é invenção da VEJA .. é uma simples constatação de um fato … os mercados não repõem as gôndolas … faltam produtos … as filas nos caixas simplesmente sumiram … e não estamos falando de Pão de Açúcar … estamos falando de Walmart …. que é, de longe, um dos mais baratos …. vc que mora em Indianópolis, basta ir ao Walmart alí na Av. Jabaqueara e verificar por si mesmo ….

      • Flavio Gomes disse:

        Vou lá sempre. Sempre pego fila. Sempre encontro tudo. Lamento pelas suas anchovas dinamarquesas.

      • Fernando Bersotti disse:

        ahuehuahuehuaheuhuaheuhauheuhauheuhaue

      • Rafael Rodrigues disse:

        Estive há pouco na Leroy Merlin da Linha Amarela. Acho que o povo da trufa deve ter vindo para o Rio. Estava um formigueiro. Fila enorme e carrinhos lotados.

        Da próxima vez que for lá, aviso ao povo sobre a crise, pode deixar.

    • Paulo disse:

      ácido lisérgico dá essa impressão também… rsrsrsr

    • Carlos Pimenta disse:

      Rapaz, você precisava ter vivido nos anos 80. Aquilo era crise. Chegava-se para trabalhar, mas antes tinha de passar na agência do BB. Para reaplicar o dim dim no open ou over. Senão seu dim dim virava farinha, inflação de 10% ao dia, 5.000% ao ano. Aquilo sim era cruel.

      • Rogerio disse:

        Eu vivi as crises de inflação de 80% ao mês. Era o caos.
        Sim, aquelas crises (não foi só uma, foram um buzilhão de crises) foram crueis, terriveis para os trabalhadores. Para terem ideia, teve mês que eu tive três (isso mesmo, 3) reajustes salariais. Você recebia e tinha que correr ao supermercado e comprar comida para o mês inteiro.
        Mas usar essas crises para dizer que o país não está em uma crise economica é querer tapar o sol com a peneira. Por enquanto, não é grave como qualquer uma das dos anos 70,80 e comecinho de 90. Mas é uma crise e, se o governo não tomar uma atitude firme e rapida, ela pode se agravar e muito.

  47. Daniel Tozzo disse:

    Lembro dessa como se fosse hoje. Matéria muito boa, além do que foi escrito, teve uma entrevista do Piquet dentro do carro ao vivo, no grid, para a TV Italiana e falando para o Nanini que queria sua volta e que iria dedicar a corrida para ele< no fim Reginaldo Leme disse que era isso que o Brasil precisava, se referindo ao abraço de Piquet e Moreno. Já disse isso em algum lugar por aqui, mas a história de Piquet e Moreno, dá um filme muito mais legal que Prost e Hunt…. Abraços!

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>