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sexta-feira, 22 de janeiro de 2016 - 10:38Automobilismo brasileiro

COM O MESTRE

crispaSÃO PAULO (só nas arábias) – Aí que ontem a noite a namorada e sua trupe resolvem fazer quibe em casa, toca o telefone e é o Crispim, e minha namorada é absolutamente apaixonada pelo Crispim, e aí eu digo, Crispim, estão fazendo quibe aqui em casa, quer vir?, e ele pega o carro e vem, come os quibes e nos alimenta com sua sabedoria e suas histórias.

Cada história… Só para dar uma invejinha, vamos ver se lembro o que ele contou.

- Mil Milhas de 1966, detalhes inéditos da participação de Emerson e Jan Balder com o Malzoni da Equipe Brasil, cinco carros ex-Vemag chefiados por ele, Crispim. Camilão ganhou, mas a turma dos dois tempos veio na cola e fechou o pódio.

(A história dessa corrida, a mais espetacular de todos os tempos, é relatada aqui com apenas uma imprecisão: o carro não voltou a funcionar “limpinho” no dia seguinte. Aqui o Crispim explica exatamente o que aconteceu, tirando aquela que seria uma vitória épica de um carrinho dois tempos, três cilindros, 1.000 cc, pilotado por uma dupla que ainda nem tinha barba na cara. O carro, inclusive, ainda existe e é de um grande amigo meu. A Audi fez matéria com ele.)

- Piquet e suas aventuras na Super-Vê, que incluem uma invasão aos boxes da equipe rival, chefiada pelo Crispim, entrando pelo telhado para copiar a giclagem do carburador do mestre.

- O encontro com Wilsinho Fittipaldi num boteco da rua Ana Cintra, no Centro, no começo dos anos 70, para convidá-lo para trabalhar na Copersucar. No relato, uma discussão aerodinâmica que deixaria Adrian Newey de queixo caído.

- Os 17 motores que a Vemag estourou na Rodovia do Café.

- A morte de Cacaio em Petrópolis.

- As largadas “Le Mans” em Interlagos, com o óleo dos DKWs decantando com os carros parados. “Em 66, soltei o último carro quando o primeiro colocado estava fechando a primeira volta.”

- O convite de Pace para ver o Brabham-Alfa Romeo de perto numa noite em Interlagos.

- A generosidade de Piquet ao levar a ele dois comandos de motor VW que ele usava, e virava muito, e dizer: “Escolhe um, porque se eu tiver de perder para alguém, que seja para você”.

- E a cereja do bolo. Numa corrida em Brasília, a pilotada toda dormindo na casa de Piquet, Crispim passa mal no jantar e no dia seguinte o pai de Nelson, médico, ex-ministro da Saúde de Jango, que nunca ia a um autódromo, aparece vestido no café da manhã, de chapéu e tudo. “Onde vai, pai?”, pergunta Nelson. “Ao autódromo.” “Mas você nunca vê corrida!”, respondeu o filho, espantado. “É que o Crispim passou mal à noite. Vou ficar lá caso ele precise de alguma coisa.” Crispim, sempre que encontra Piquet, diz a ele que seu pai nunca foi a autódromo nenhum vê-lo correr. “A única vez que foi, foi para cuidar de mim.”

Noite memorável.

67 comentários

  1. Paulo Guedes disse:

    Não quero ser repetitivo mas merece um livro sem duvida nenhuma. A propósito, eu estava nas assistindo as Mil MIlhas de 66 e tive o privilegio de acompanhar o desespero dos dois garotos (na época) quando o Malzoni começou a falhar. Concordo com o Flavio, foi e melhor corrida que eu já ví. Daria um belo filme tambem.

  2. Daniel Rienda disse:

    Li recentemente o livro do Jan Balder, que consegui num sebo online. Que curtiu estas histórias do Crispim, não pode deixar de ler o livro, é imperdível!

  3. Riacardo Bigliazzi disse:

    Que legal, sou fã do Piquet e quando vejo essas “pérolas” de bastidores apenas renovo os meus votos de idolatria para o nosso Tri-Campeão Mundia de F-1.

    Esse Pais é uma merda mesmo, se o Piquet fosse Italiano ou Inglês seria umas setecentas mil vezes mais valorizado. Isso para não se estender nas questões da Família Fittipaldi.

    Segue o jogo, #somostodosidiotas.

  4. Fabiani C Gargioni disse:

    Uma lenda assim não pode passar despercebida pela história do nosso automobilismo, deveríamos exaltar estes HERÓIS das nossas pistas !!!

  5. Miguel Passos disse:

    Esse senhor é uma verdadeira lenda viva do automobilismo brasileiro. Um grande mestre. Obrigado, Flávio, por nos apresentar essa pessoa fantástica!

  6. marcos andré disse:

    Muito legal…

    Semana passada estive em SP, para um curso com o Roberto Manzini e na sede do curso reconheci o José David, logo de cara perguntei: O senhor é o José David? que correu na F-Ford com um carro branco da patrocinado pela Piraspuma?

    Foi o passaporte para ele dar um sorriso e responder, sou eu sim, vc me conhece?

    Eu disse sim… e o cara sentou na mesa… e nos contou algumas histórias…

    Receber ” Seu Crispim ” em casa… é uma verdadeira honra !

  7. Carlos Pimenta disse:

    Caralho, puta que pariu, é de arrepiar.

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