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sábado, 18 de março de 2017 - 16:01F-1

MOCO, 40 ANOS

20173171214448_JoseCarlosPaceForix_IISÃO PAULO – Em 18 de março de 1977, José Carlos Pace morreu. Morreu num acidente de avião em Mairiporã, junto com o amigo Marivaldo Fernandes, também piloto, e mais uma pessoa. Tinha 32 anos e estava no auge da carreira. O campeão sem título, dizem os amigos mais próximos, e conheço vários deles.

Não sei se o Moco seria campeão, mas era um piloto extraordinário e seus resultados na F-1 mostram isso. Antes, pela Willys, enchia os olhos de quem o via correr por esse Brasil afora. Aliás, a equipe Willys merece uma reflexão. Os pequenos carrinhos amarelos com uma faixa verde, Gordinis e berlinetas Interlagos, basicamente — os protótipos Bino vieram mais para o fim –, levaram à F-1 nada menos do que quatro pilotos: Emerson e Wilson Fittipaldi, Luiz Pereira Bueno e José Carlos Pace.

É pouco?

Se acharem que é, procurem alguma equipe de fábrica de carrinhos de rua que tenha feito algo parecido. E num país de Terceiro Mundo, como o Brasil.

Hoje, exatos 40 anos depois do acidente de Mairiporã, o Grande Prêmio relembra a carreira de Pace e faz a ele uma merecida homenagem. Nosso templo de Interlagos, como diz o Ceregatti, leva seu nome. Justo, justíssimo. Porque, assim, ele será lembrado para sempre cada vez que alguém pisar naquele autódromo sagrado.

cartabernieHá algumas semanas, pedi a Bernie Ecclestone, seu chefe na Brabham, um pequeno depoimento sobre o piloto que ele tirara da Surtees com grandes planos para o futuro. Bernie me mandou uma carta breve, com palavras carinhosas para “Carlos”, como ele o chamava. Para ampliar a imagem, é só clicar nela. A tradução:

“Carlos não foi apenas um dos principais pilotos da F-1, mas ele também era alguém que sabia trabalhar em equipe e, mais importante para mim, era um amigo. Sua morte foi uma grande perda para a F-1. Um bom exemplo de seu jeito de ser foi uma vez em que deixamos um autódromo depois de um dia ruim, quando nós usávamos motores Alfa Romeo, e ele quebrou mais uma vez. Carlos falou: “Não corro de novo com esse carro e vou ficar um ano fora da F-1″. Mas depois de algumas horas, quando chegávamos a Londres, onde ele morava, já estava falando sobre a próxima corrida e sobre o que teríamos de fazer para melhorar. Este era Carlos — charmoso e positivo. Uma grande perda na minha vida.”

26 comentários

  1. Paulo Pinto disse:

    Pace foi um piloto de muito talento, mas não foi um piloto de muita sorte na F-1.

  2. Luiz Rocco disse:

    Não precisamos de provas para mostrar o quanto Pace era rápido, mas me lembro que era bem comum aparecer nos letreiros das transmissões das corridas um: “Fastest lap: Carlos Pace”, e o mais incrível, quando corria ainda com o surrado Surtees e normalmente com 2/3 de prova já disputados. Para a história também ficou sua marca com a volta mais rápida no GP da Alemanha de 1973, disputado no velho Nurburgring, com 190.6 km/h de média. Terminou em quarto com Surtees, Wilsinho em quinto com Brabham e Emerson em sexto com Lotus.

    • Antonio Seabra disse:

      Ficou com ele também a melhor volta feita por um F1 com motor Ford Cosworth 3 litros no velho traçado de Nurburgring (cerca de 2,5 km maior do que o atual Nordschleiffe): 7:00 minutos cravados !!! Esse tempo foi marcado com um Brabham BT44 – Ford, no GP de 1975
      Basta olhar a tabua de tempos de largada pra ver quanto tempo o Moco meteu na turma que estava equipada com o mesmo motor, e na Ferrari do Regazzonni. Só o Lauda, de V12 (que era determinante naquele tracado), fez tempo melhor.

      Pos Nº Piloto Equipa Tempo Dif.
      1 12 Niki Lauda Ferrari 6:58.6
      2 5 Carlos Pace Brabham-Ford 7:00.0 + 1.4
      3 3 Jody Scheckter Tyrrell-Ford 7:01.3 + 2.7
      4 4 Patrick Depailler Tyrrell-Ford 7:01.4 + 2.8
      5 11 Clay Regazzoni Ferrari 7:01.6 + 3.0
      6 2 Jochen Mass McLaren-Ford 7:01.8 + 3.2
      7 10 Hans-Joachim Stuck March-Ford 7:02.1 + 3.5
      8 1 Emerson Fittipaldi McLaren-Ford 7:02.7 + 4.1
      9 24 James Hunt Hesketh-Ford 7:02.7 + 4.1
      10 7 Carlos Reutemann Brabham-Ford 7:04.0 + 5.4

      Notem a diferença de 2,7 segundos para o Emerson de Mc Laren M23 Ford e de 4 segundos para o Reutemann, de BT44 igual ao do Moco.

      Na corrida o Reutemann veio a ganhar a prova, ajudado pelos furos de pneus de todos os outros…foi muita sorte.

      O Moco normalmente dava show em Nurburgring, que era um “circuito de pilotos”

      Antonio

  3. Ninguém disse:

    Moco foi, sem a menor dúvida, o piloto pelo qual mais torci (também torcia muito pelo Wilsinho), mais do que pelo Emerson ou pelo Piquet. Fiquei muito triste quando ele faleceu. Não dá para saber o que aconteceria caso ele não tivesse morrido naquele acidente. Talvez, sim, talvez, não. E, claro, o carro mais bonito que já existiu na Fórmula 1, para mim, foram as Brabahams brancas que ele pilotou.

  4. Robertom disse:

    Em 1975 Moco fez uma coisa que nos dias de hoje seria inimaginável, era um piloto de ponta da F1, (ganhou corrida, fez pole) e simultaneamente disputou o campeonato brasileiro de Divisão 1 (endurance), com o Maverick V8 da equipe Greco, em dupla com o Paulão Gomes.
    Fez inúmeros e cansativos voos Brasil-Europa, e tenho certeza que não foi apenas para ganhar mais alguma grana, o cara era realmente um apaixonado pelas corridas…

  5. Ricardo Talarico disse:

    Eu fui “bandeirinha” por vários anos, e em 1975, estava na curva do “S”, ano da dobradinha Pace em primeiro e Emerson em segundo.
    As vêzes é bom ter nascido há 10 mil anos…

  6. joel lima disse:

    Nas informações que li sobre a morte de Pace, uma que me pegou de surpresa é de que só em 85 a autódromo de interlagos passou a ser oficialmente conhecido com o nome dele. Pensei que isso tivesse acontecido no final dos anos 70, início dos 80.

  7. Donizete disse:

    Um breve depoimento de um anônimo . Emerson estava testando o seu copersucar no autódromo de Interlagos e Eu vendo de forma privilegiada na torre de cronometragem do kartódromo , sim tínhamos um kartódromo ,
    quando de repente aparece o Pace ali do meu lado , junto com outra pessoa que eu não saberia dizer quem era mas Ele eu reconheceria , pois ja era seu admirador . Palavras dele sobre o carro e a atitude de Emerson – ” o Emerson fez uma grande besteira , Louvável , mas é um besteira . Não existia Self , Maquina fotográfica era para poucos não havia como registrar o momento . Mas ele conversou com um garoto de 16 anos ( eu ) sem frescuras e sem estrelismo .apenas deu sua atenção a alguém que ama o automobilismo até hoje .

  8. Moco foi o segundo melhor piloto brasileiro nas pistas da F-1 na década de 70 com algumas corridas memoráveis. Sua única vitória no GP Brasil 75 vale como um Título já que ele não foi Campeão, ainda sendo uma joia para o torcedor brasileiro por essa vitória ter sido no Brasil com a primeira dobradinha brasileira tendo Emerson em segundo. Pena que a atual geração de torcedores brasileiros que vê automobilismo não deva saber dessa História do Moco, e muito menos saber que ele existiu.

  9. jefferson disse:

    A alguns anos disponibilizei no youtube um arquivo pessoal que tinhade uma transmissao da corrida de 1977 onde o Pace queimou a largada assumiu a liderança e algumas voltas depois bateu . Ele tinha uma boa chance de chegar no podium nesse dia.

    https://www.youtube.com/watch?v=w3WNCQBIbK4&t=1356s

  10. Eduardo Britto disse:

    Fã de F1 como 99% dos moleques de 14 anos naquela época, lembro do exato momento em que ouvi pelo rádio a notícia de sua morte, e de como fiquei triste… Uma perda sentida forte…

  11. Marcelo Saldanha da Silva disse:

    Linda homenagem,Flávio Gomes. Parabéns.

  12. Benigno Joaquim disse:

    Muito bom o texto do Fernando Silva. O depoimento da Dona Elda é muito importante e mostra como eram os tempos “românticos” da F1. (A narrativa me lembrou uma entrevista da Maria Helena Fittipaldi há algum tempo atrás). A carta do Bernie confirma a admiração pelo amigo piloto. Tempos violentos nas pistas, como o acidente de Price. Essa F1 separava os Homens dos meninos.

  13. Antonio Seabra disse:

    Vi o Moco (ao vivo) correndo de muita coisa diferente: Alpines da Wyllis, KG Porsche, Alfa GTA, Alfa P33, Bino Mk II, March 712 F2, Surtees TS15 F2, Brabham BT44. Pela TV vi quase todo o resto: March 711, Surtess TS14 e TS 16 F1, Brabham BT45, Maverick GT e até Maverick standard, numa prova promocional da Ford em Interlagos..
    Vi muita coisa mais em video: Ferrari 312 P2, AMS 2000, Gulf Mirage SP, Surtees TS 9 F1 e Surtees TS10 F2.
    Nunca vi videos guiando o UOP Shadow da CanAm e os Pygmee F2, so fotos. Assim como não vi com os Renault 1093 e Berlinettas da Willys. Nem com o Interlagos conversível, da estreia dele (desse nem foto eu vi…).

    Diria que o Moco é um dos pilotos mais “underrated” da historia da F1. Mas alguns como o Bernie, o Frank, o Gordon Murray, e aqui no Brasil, o “Trovão” (LA Greco) o reconheceram como um dos grandes, que apenas não teve a sorte e o tempo para, estatisticamente, criar um grande “palmares”. Sir Jackie, em 1973, citou o Moco, junto com Ronnie Peterson, como os 2 mais velozes da F1 naquele ano.
    O ano de 1977, na F1, poderia ter outra historia, se o Marivaldo não resolvesse fazer aquele voo !!! Porque 2 pilotos rápidos resolvem fazer uma viagem de monomotor, debaixo de mau tempo, quando de carro poderiam ir quase tão rápido de SP a Araraquara…ou poderiam ter mandado o piloto sozinho de avião, ou com um motorista do Marivaldo ????? Destino.
    Em 1977 Watson liderou varias corridas, e esteve sempre enter os favoritos. Tenho a certeza intima que, apesar de pouco resistente, o BT45B nas mãos do Moco era carro pro campeonato. E o Moco tava guiando o fino !!!!

    De tudo o que eu vi, só posso dizer uma coisa: era um MONSTRO !!!!

  14. Luiz disse:

    Moco começou correndo primeiramente com os KG Porsche da Dacon,Os carros eram pilotados por Rodolpho Olival Costa e Lian Duarte (No. 12); Emerson Fittipaldi e Francisco Lameirão (No. 7); e por Wilson Fittipaldi e José Carlos Pace (No. 77). Mas sempre que podia escolher preferia o No. 2. Também correu de FV e com a Alfa Romeu T33 da Equipe Jolly, que vi em Curitiba ainda no autódromo original antes da reforma. O circuito era em sentido contrário ao de hoje. Vi também correndo de F2 em um March 712M em Tarumã,. na corrida em que Giovani Salvatti (italiano) morreu na curva 1 logo após a reta principal (dos boxes). Claro que quando digo “primeiramente” estou considerando já como profissional. O primeiro F1 que Moco correu foi num March Willians, depois pela Surtees. Correu pela Ferrari no antigo campeonato de marcas, inclusive nas 24h de Le Mans. Pesquisando existe farto material sobre este gênio de nossa história automobilística.

  15. Paulo Travaglini disse:

    Um fato interessante que eu gosto de relembrar é que o Pace participou de um filme americano, no qual o personagem principal, vivido por Al Pacino, era piloto de F1.
    Eu assisti o filme no cinema, e foi extraordinário ver as cenas de pista em tela grande, ai invés das TVs de 20 polegadas.
    Bobby Deerfield
    http://www.imdb.com/title/tt0075774/?ref_=nm_knf_t1

  16. Rodrigo Oliveira disse:

    A matéria foi muito interessante. Não há documentários ou outra coisa sobre a carreira do Pace?

    • luigi disse:

      Sê no Brasil ,nem a de grandes jogadores alem de Pelé e Garrincha, não tem registro que dirá a de um grande piloto que não foi campeão global.

    • Antonio Seabra disse:

      Curiosidade: me lembro de ter visto o Emerson contar numa entrevista da epoca (ou na cronica que ele escreveu pra Quatro Rodas) que a TV francesa fez um documentário de meia hora, sobre a carreira do Moco, por ocasião de sua morte. E o Emerson ainda comentou: no Brasil, apenas poucas noticias de jornal e um rapido comentarios nos jornais da TV.

  17. sidney disse:

    O contorno mais sensacional que presenciei da curva do Laranja em Interlagos foi o Moco que fez, de F2 na década de 70… O cara mandava ver, pena que o carro não o acompanhava…

  18. Anselmo Coyote disse:

    Não o conheci assim, assim como a maioria das pessoas e penso que também a maioria dos seguidores ou leitores eventuais desse blog. Mas essas histórias são sempre comoventes ou quase isso. Existem pessoas realmente especiais, não sei se por obra do destino, da genética, da conjunção dos planetas na hora que foi concebido ou nasceu, ou de um Ser superior que eu prefiro grafar com “S” e não “s”, porque acredito que existe, tenho fé – e a fé dispensa provas. A verdade é que existem pessoas realmente especiais que, humanas, não deixam de expressar suas frustrações diante de um fato, mas que tem um motor dentro de si que trabalha melhor do que o que produz frustrações. Tão logo a frustração é exposta ou expressada ele começa a trabalhar aniquilando-a com a sua substituição pela esperança, a vontade e muitas vezes a fé também. E é por isso que pouco tempo depois de dizer que jogaria tudo para cima o rapaz já estava fazendo planos (para o futuro, é óbvio, afinal ninguém faz planos para o presente ou para o passado).
    Muito boa a história e o achado do Bernie foi uma bela ilustração.
    Que o rapaz esteja descansando em paz e se puder que dê uma mãozinha, faça um lobby com o todo poderoso, para que a F1 e o automobilismo em geral melhore. E melhore muito, porque está precisando. Se eu fosse a Interlagos hoje, sabendo dessa história, com certeza olharia para suas arquibancadas, para o asfalto quente, para suas curvas e colinas de forma um pouco diferente. Balançaria a cabeça e diria: vamos lá então, o que viemos fazer aqui? Façamos.
    Abs.

    • Joao Eduardo disse:

      Bravo Coyote

    • luigi disse:

      Caro Anselmo , tenho muita consideração pelas suas colocações , más sinto discordar no que se refere a fazer um “!lobby” para melhorar a F 1 , isto acho quase impossível uma vez que não existem mais autódromos (melhor; circuitos, pois luxuosos autódromos existem) que formem pilotos como Pace e todos os da sua e das anteriores gerações ,
      E tenho certeza absoluta que sê vivo estivesse ele iria ODIAR o que fizeram com Interlagos transformaram a pista de pilotos apaixonados e dedicados a um autódromo para pilotos coxinhas mas endinheirados filhinhos de mamãe que podem brincar mas não podem se machucar. Por isso que atualmente tenho muito respeito pelos pilotos do W R C e os que tem coragem para correr na Ilha de Man ,automobilismo e motociclismo na essência e não só de aparência.
      Uma muito boa sema a você e aos seus , e a todos que participam do blog..
      * Para quem quer um automobilismo sem risco . Opte pelo virtual ,também tem ótimas corridas lá. mas não matem o real como molta paura e terrore.

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