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quarta-feira, 6 de setembro de 2017 - 17:48Tecnologia

WILLIAMS ELÉTRICA

FW-EVX_01

RIO (morreremos antes?) – Uma coisa é certa. Por bem ou por mal, equipes de F-1 que se transformaram em empresas de tecnologia vão acabar surfando na onda da eletricidade. Ao menos por um tempo, até as grandes montadoras engolirem todo mundo depois de concluídas as fusões inevitáveis dos maiores grupos, que formarão no futuro a Grande Fábrica Universal de Automóveis — que vai dominar o planeta e fazer todos os carros que dirigiremos (ou nos quais seremos levados por aplicativos) na Terra até o fim dos tempos.

É o caso específico de Williams e McLaren, cujos negócios, hoje, extrapolam bastante o mundinho do automobilismo. Talvez por isso, inclusive, vivam momentos tão opacos nas pistas.

Talvez as prioridades sejam outras.

Como se sabe, as duas estão com um pé na Fórmula E, por exemplo, desenvolvendo e fornecendo sistemas de armazenamento de energia, gestão eletrônica e baterias para os carros da categoria. Ambas têm departamentos de engenharia e tecnologia que possuem vasta clientela em campos muito diversos.

A Williams Advanced Engineering — que motiva este post –, hoje, atua no automobilismo, claro, mas também na indústria automobilística e em setores tão distintos quanto defesa militar, náutica e saúde, prestando serviços de desenvolvimento de sistemas de energia mais eficientes, uso de novos materiais, tecnologia esportiva, termodinâmica e o escambau de Madureira. Até um equipamento para reduzir o consumo de energia de refrigeradores em supermercados e lojas de conveniência está sendo desenvolvido em Grove.

(Daí, talvez, a aerodinâmica de geladeira dos carros da equipe — comentário meu, maldoso e desnecessário, porque é isso que falam do meu Lada, que tem aerodinâmica de geladeira, ou de máquina de lavar roupa.)

O mesmo se passa na sede futurista da McLaren em Woking, que hoje se chama McLaren Technology Group, e não McLaren Motorsport, ou McLaren Formula One, ou coisa que o valha. O grupo engloba outras divisões, inclusive a de corrida — essa, sim, McLaren Racing –, e empresta seu nome e capacidade técnica à indústria farmacêutica, ao setor energético, ao de transportes e ao de engenharia médica.

Feita a longa introdução, chegamos ao ponto. A Williams Advanced Engineering apresentou hoje a plataforma FW-EVX para carros elétricos, pensando na transição que a indústria de automóveis viverá nos próximos anos de forma acelerada e irreversível. A ideia da “ex-equipe-atual-empresa-de-tecnologia”, claramente, é fornecer tal plataforma — ultraleve, eficiente, ecológica, segura, linda etc. e tal — para montadoras, pelo que entendi.

O “chassi-conceito”, se assim podemos chamar essa trapizonga aí em cima, inclui obviamente as baterias e os sistemas de refrigeração que a Williams vem desenvolvendo também na Fórmula E. E ainda avança na aplicação de componentes de fibra de carbono para as suspensões, bem mais leves e resistentes do que as peças em alumínio que são usadas normalmente.

Resumo da ópera, a F-1 é um detalhe, atualmente, para essa turma que nasceu nas garagens inglesas e hoje cisca em outras searas. Aos poucos, as corridas estão se transformando numa exentricidade para essas empresas que, também aos poucos, vão acabar mudando de mãos. Ninguém deve se iludir com o caráter familiar da Williams, cuja ponta mais visível tem papai Frank e filhota Claire nas telas da TV a cada GP. Da McLaren, Ron Dennis já espirrou.

Não há mais espaço para velhos garagistas, em lugar nenhum. O que é triste.

30 comentários

  1. Ulisses disse:

    Sai o que desses escapes? …. faísca?

  2. Diogo Sorocaba disse:

    E assim, estamos voltando à era dos chassis…
    Parece que a tendência é a padronização deles em segmentos específicos (subcompactos, compactos, médios, etc.) e personalização apenas nas carrocerias, como nos antigos carros de luxo e carruagens.
    Soa bastante plausível às futuras gerações; elas vão cagar e andar para veículos particulares… Gearheads serão exceção da exceção.

  3. Gabriel Medina, O outro disse:

    Eu já acho excelente que empresas nascidas em garagens inglesas, formadas em anos e anos na F1 e ambas com participação vitoriosa em Le Mans sejam hoje empresas de tecnologia aplicada e não dependam 100% das decisões sempre estabanadas de quem “gere” o esporte.

  4. Gabriel P. disse:

    Interessante como num blog que fala sobre tecnologia de ponta e do futuro, muitos fãs ainda assim sejam tão conservadores.
    Me parece que por eles os carros ainda teriam direção e suspensão mecânica, freios a tambor, motores os tais V8,
    Em tempos de retro em moda, voltaríamos aos anos 70, 60.

  5. Leandro Batista disse:

    Já assistiram o filme O Demolidor, com Sylvester Stallone, Wesley Snipes e a gostosona da Sandra Bullock? O filme praticamente gira em torno de um policial que foi setenciado, nos anos 90, a passar 36 anos hibernando numa prisão criogênica. Quando ele acorda, o mundo é praticamente a versão politicamente correta da vida, onde tudo considerado danoso ao ser humano foi banido. Carros elétricos, não se pode sequer falar palavrão sob risco de multa, únicas músicas que tocam são jingles comerciais e sexo só pode telepatia. Uma bosta de lugar…
    É para onde caminha o automobilismo. Ano que vem teremos aquela maldita proteção horrorosa e não vai demorar até termos motores totalmente elétricos e silenciosos.

  6. Leandro Batista disse:

    Pelo menos coloquem algumas caixas de som pra fazer de conta que esses motores fazem algum barulho decente.

  7. Edison disse:

    Acho que ainda tem lugar para garagistas – na indy (por enquanto )

  8. Joca disse:

    Motor a combustão tem alma, elétrico não.

  9. Claudio Cardoso disse:

    Eu estou perplexo com a velocidade dessas mudanças. Tenho 36 anos e não acredito que vou ter que abrir mão de um carro a combustão até o fim da minha vida. Me sinto o Clint Eastwood em gran torino.

  10. Macario disse:

    Com todo o respeito às opiniões divergentes, não compartilho dessas preocupações. A minha paixão, o meu interesse sempre foi em relação à velocidade. O que sempre me fez acompanhar automobilismo foi o desafio de conseguir ser mais rápido, seja com o desenvolvimento de componentes, seja com uma pilotagem mais precisa ou arrojada.

    O combustível, para mim, sempre foi apenas um detalhe. Pra mim tanto faz se é gasolina, eletricidade, hidrogênio ou plutônio. O que interessa é que seja rápido, que tenha potência, que proporcione boas disputas, que permita que talentos se destaquem, dentro dos cockpits ou nos boxes. Não tenho paixão por gasolina, ou por qualquer outro combustível.

  11. Wanderson Marçal disse:

    Ah, e ia me esquecendo: ainda que ele fosse um cara excêntrico e tivesse feito suas cagadas na gestão da FIA, ninguém entendeu melhor o processo pelo qual passava o automobilismo europeu que o Max Mosley. Tudo isso aí ele falava 10 anos atrás.

  12. Wanderson Marçal disse:

    Eu seria mais otimista. Se no automobilismo da Europa você tem esse processo aí, pelo menos nos EUA os garagistas continuam fortes. E o legal: o automobilismo americano tá mais forte que o europeu e tem se solidificado cada vez mais. Tem uma pá de gente tentando entrar na Indy por exemplo, inclusive o Juncos, o argentino. A F1 é que é cara demais e é praticamente impossível mesmo para um Roger Penske e um Chip Ganassi se aventurar, daí a necessidade de você ter marcas poderosas por trás. Mas não é um processo em todo o automobilismo, felizmente.

  13. Patrick Vaz disse:

    Pra que servem esses “escapamentos”?

  14. Rocker disse:

    Quando a Williams for para a F-E, o Felipe Massa com uns 50 anos nas costas vai se candidatar para ser o piloto “experiente”.
    E do jeito que a Williams “pensa”….kkkkkkkkkkkkk

  15. Brabham-5 disse:

    Eu acho que quem não se acerta com os motores da F1 e com o combustível convencional da F1 dificilmente estará á frente quando saltar para a F-E.
    Aliás, espero que demore muito para que a F1 pare de usar o combustível que ainda usa hoje. Imaginem todas as categorias do automobilismo com aquele som de motorzinho de broca de dentista, ou som de autorama?
    Já acho um horror ao invés do motor turbo consagrado a F1 hoje em dia usar essas “unidades de potência”. A Honda que o diga.
    Cuidado com a chatice do futuro. Corridas com motores elétricos e sem pilotos.
    Espero que estejam desenvolvendo em paralelo uma máquina do tempo. Assim quando houver corrida de F1 no “formato futurista 100% seguro ecologicamente correto” eu volto no tempo para os finais de semana de F1 dos anos 70 e 80.
    Rezemos.

  16. Kiko Costa disse:

    Falando em elétricos, a Jaguar anunciou uma versão elétrica do clássico E-type. Mesmo design dos anos 60 com motor elétrico.
    Uma iniciativa interessante.
    https://www.theverge.com/2017/9/7/16265888/jaguar-e-type-zero-electric-car-announced

  17. Fabrizio disse:

    Esse cenário inclusive parece estar ligado ao que já citou e li por aqui de que uma das razões pela qual a categoria se tornou chata em alguns aspectos envolve essa “corporativização” das equipes, controladas por grandes fábricas e grupos.

    Podemos até pensar que com um novo acordo de divisão de lucros na F1 em breve, um grupo desses possa considerar vender sua “divisão de competições” para concentrar recursos e energias em outras áreas, fortelecer o caixa, blá blá blá… aquelas coisas, o que talvez seja até positivo somado à visão do Liberty de melhorar e valorizar o show e os pilotos, Esse é o esporte que aprendemos a amar.

    Seria ótimo na verdade deixarem aqueles que gostam da F1 em seu “mundinho”

  18. askjao disse:

    Bem, o tempo passa, o tempo voa, como diria o Bamerindus. Mas a evolução é inevitável e seria ingenuidade achar que ela não iria chegar aos carros. Há 10 anos atrás, ninguém pensaria em pedir pizza por celular, e agora, é uma realidade. Eu ainda espero continuar poluindo o planeta com os meus carros.

  19. clodoaldo lelli disse:

    essa geração eletrica jamais sentira o prazer soprar um giclê e sair cuspindo gasolina

  20. Tiago S disse:

    Se for isso no futuro, melhor que seja com uma Williams mesmo ao invés de outras por aí. No fundo tudo é empreendorismo e a F1 continua sendo referência em levar tecnologias, inovações e soluções para as ruas.

  21. Alessandro Neri disse:

    Sim muito triste como você colocou com propriedade. O fim do automobilismo se aproxima célere. Corrida de carro elétrica com motores que não fazem barulho é a antítese do esporte ( sem mencionar que as novas gerações cada vez são mais indiferentes com o esporte a motor. Literalmente cagam e andam para corrida de carro). Vivemos o crepúsculo. Brevemente a escuridão.

  22. Moita disse:

    Interessante o modelo que tem sido adotado, com uma base genérica em cima do qual podem ser instlados diversos tipos de carrocerias (carga, passageiros, “performance”).

    A GM tinha um projeto anos atrás com esse conceito: http://www.hydrogen-motors.com/general-motors-autonomy.html.

    Esse usava células de combustível (a hidogênio) para gerar eletricidade e cada roda era um motor.

    Devem existir muitos outros nessa linha.

  23. Ricardo Talarico disse:

    Se me permite, no lugar de sua frase “que vai dominar o planeta e fazer todos os carros QUE DIRIGIREMOS na Terra até o fim dos tempos”, eu colocaria…
    que vai dominar o planeta e fazer todos os carros AUTÔNOMOS da Terra até o fim dos tempos.
    Acho que está perto o tempo em que não nos será mais permitido dirigir.
    Eu aproveitarei enquanto puder, inclusive no próximo sábado, na segunda etapa da Copa GP de Kart, :-)

  24. Nenê disse:

    Fiquei confuso com o que é frente e o que é traseira, mas imagino que as entradas sejam pra resfriar as baterias, então terá tração traseira mesmo!

  25. @@$ disse:

    Excelente texto e ponto de vista. A F1 é realmente um mero pedaço do bolo e definitivamente não é mais a cereja.

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